quinta-feira, agosto 08, 2013

Omissão

Tive fome e não...
Tive sede e não...
Estive preso e não...
Estive doente e não...
Estive com depressão e não...
Tive angústia de morte na alma e não...
Estive desesperado da vida e não...
Estive com pânico da vida e não...
Estive desnorteado e não...
Senti o vazio real da solidão e não...
Tive dor lascinante de alma e não...
Senti vontade de morrer e não...
Senti medo de viver e não...
Senti dores pelo corpo de tanta angústia de alma e não...
Meu corpo ficou febril de tanta dor de alma e não...
Desfaleci, perdi todas as forças, e não...
Chorei até adormecer de cansaço de chorar e não...
Não...

Não havia ninguém p'ra me estender a mão.
Estive só de qualquer 'próximo' o tempo todo.
Contudo, rogo o perdão de Deus sobre você, e te perdôo 'próximo'.
Pois, você não sabe a dor acrescentada que a sua omissão e descaso me trouxeram.
- Carla Accioly

Reações:

4 comentários:

  1. Não precisamos pensar muito pra entender o que o Cristo nos ensina diretamente a alma. Ele ainda diz: ame ao próximo como a ti mesmo. Os nãos do próximo revelam a alma que esqueceu de si mesma. O próximo? A ele cabe ser amado. A mim? A mim caberia me amar primeiro. Quebrar esta ordem é sofrer e fazer sofrer. É esperar de onde não virá porque não foi feito para vir.

    Cristo nao nos chamou pra evocar o direito de ser próximo porque isso ele evocou para ele mesmo e sempre para o outro.
    A mim ele diz: como a ti mesmo. Aprender isso traz paz ainda q nao tenha o "próximo" para amar, o amor por mim mesmo me supre e me.cura.

    Aprender a amar-se é cura posta sobre a solidão, que é a doença de querer do próximo o que na verdade ele não possa dar.

    O Não do próximo é sempre a grande oportunidade do SIM pra mim mesmo.

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  2. Jube,

    no final das contas, sabemos que 'todas as coisas cooperam para o bem", contudo o Evangelho nos lança necessariamente para a vida, para o estender a mão ao próximo.
    As assertivas de Jesus, "amar ao próximo" e "como a ti mesmo" não podem ser analisadas em separado.
    Ambas caminham UNIDAS.
    O foco do texto não é o sofrimento por um estado de solidão de ausência companhia, mas, sim, a falta de proatividade para fazer o bem àquele que está ao nosso mais breve alcance.

    O texto carrega o espírito do que foi dito por Jesus:

    "Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
    Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
    Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
    Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim."
    -Mateus 25:42-45

    Este é o ponto abordado: omissão.
    Não a questão da solidão.

    Espero ter esclarecido p'ra você o ponto central, do qual tratei sem tergiversação.



    Obrigada,

    Carla Accioly.

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    Respostas
    1. Entenderia e concordaria com você se não trouxesse para a pessoalidade, sua ou de outrem quando acrescenta:

      "Estive com depressão e não...
      Tive angústia de morte na alma e não...
      Estive desesperado da vida e não...
      Estive com pânico da vida e não...
      Estive desnorteado e não...
      Senti o vazio real da solidão e não...
      Tive dor lascinante de alma e não...
      Senti vontade de morrer e não...
      Senti medo de viver e não...
      Senti dores pelo corpo de tanta angústia de alma e não...
      Meu corpo ficou febril de tanta dor de alma e não...
      Desfaleci, perdi todas as forças, e não...
      Chorei até adormecer de cansaço de chorar e não...
      Não..."

      leio aqui uma evocação do direito de ser um próximo que como Jesus sentiu-se não amado.

      Leio aqui um desabafo. Leio aqui um coração que ainda que rodeado de próximos, sente-se só e acoado.

      Leia-se e veja!

      com carinho,
      Jobe.

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    2. Jobe,

      sou escritora. rs
      Não trouxe para a pessoalidade de ninguém. Abordei uma realidade.
      Vou te dizer os meus ingredientes para construção deste texto:
      1. Consciência no Evangelho
      2. Licença poética
      3. Retórica

      Foi tudo bem mais simples.

      Leia-ME, com estes requisitos, e veja. rs

      Carinho,

      Carla.

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