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sexta-feira, maio 16, 2014

Crer quando ninguém crê!



"Imediatamente a menina, que tinha doze anos de idade, levantou-se e começou a andar. Isso os deixou atônitos."
(Marcos 5:42)

Existem momentos em que Deus permite algumas coisas acontecerem em nossas vidas para fins proveitosos, ainda que não enxerguemos ou concordemos. Existe um grande desafio, o de crer até mesmo quando ninguém crê! Foi isto que a família de Jairo experimentou, buscou a Jesus mesmo contra toda a desesperança! Ela estava morta e voltou a viver e todos ficaram maravilhados.

Experimentamos uma proteção cuidadosa quando nos colocamos nas mãos de Deus. Podemos enfrentar situações que parecem ser gigantes demais para transpormos, mas temos um Deus que não dorme e estará conosco em todo o tempo. Assim como a sombra projetada por uma pessoa a acompanha, assim é Deus ao teu lado!... Sê forte e corajoso; não temas nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares (Josué 1:9).


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Fonte: Devocionário A Jornada - O amor e a Graça de Deus

segunda-feira, julho 01, 2013

Os Salmos da Busca de Deus

(Salmos 27, 42, 63)
Por Rod Amonett
"Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo" (Salmo 42:1,2). Com poucas palavras simples os Filhos de Coré descrevem uma cena da vida cotidiana que nos ajuda a entender o desesperado anseio do homem justo por Deus.

Numa circunstância semelhante, Davi implora ao Senhor:  "Ó Deus, tu és o meu Deus forte, eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água" (Salmo 63:1).

Os "Salmos da Busca de Deus" refletem a mais profunda e mais premente necessidade que o homem pode conhecer. Uma vez que corações honestos tem conhecido a Deus, a satisfação de nossas necessidades físicas e mesmo emocionais não serão mais suficientes para nos contentar. Nem mesmo a íntima companhia de outro indivíduo preencherá o grande vazio que sentimos internamente. Deus, na verdade, colocou a eternidade dentro de nossos corações, e os homens iluminados pela verdade anseiam com todo o seu ser por "andar" com seu Criador.

O que é tão maravilhoso é que o próprio Deus deseja e possibilita esta comunhão. Paulo declarou aos atenienses que Deus nos fez para que nós o "buscássemos" (Atos 17:27), e Davi assegurou Salomão que o Senhor recompensará os que o buscam honesta e diligentemente:  ". . . porque o Senhor esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento.  Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre" (1 Crônicas 28:9). Os salmistas eram homens que, certamente, já conheciam Deus. Eles tinham procurado servi-lo fielmente, mas nestes salmos eles se encontram perseguidos por inimigos e sentindo-se separados das bênçãos e associação com Deus. Há dois pontos importantes que podemos notar nestes salmos:

É nos momentos mais negros da vida que nos lembramos de nossa grande necessidade de Deus. Nos bons tempos, os homens podem desenvolver uma profunda fé em Deus e gratidão por suas bênçãos, mas é nos tempos difíceis que uma tal fé se torna nosso muito necessário conforto e aliado.  Somente quando os homens são postos face a face com sua natureza frágil e desamparada é que eles se tornam verdadeiramente conscientes da magnificente força de Deus e da preciosa natureza de seu amor por nós.

Cada um de nós enfrenta momentos de provação ou aflição, quando não há ninguém a quem possamos nos voltar, a não ser Deus.  O salmista se lamentava: "As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite", e "Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti . . ." (Salmo 42:3,6).  Davi chorou: "Não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação. Porque se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá" (Salmo 27:9-10).  De novo, Davi escreve:  "em ti medito, durante a vigília da noite.  Porque tu me tens sido auxílio" (Salmo 63:6-7).

Tais gritos pela assistência de Deus são com confiança, sabendo que Deus cuida de nós e agirá em nosso favor:  "Por que estás abatida, ó minha alma?  Por que te perturbas dentro de mim?  Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu" (Salmo 42:5).

Oportunidades para adorar com o povo do Senhor são importantes para nosso senso de comunhão com Deus.  O escritor pergunta: "Quando irei e me verei perante a face de Deus?" e diz: "Lembro-me destas cousas ­ e dentro de mim se me derrama a alma ­ de como passava eu com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre gritos de alegria e louvor, multidão em festa" (Salmo 42:2,4).

Davi ansiava pelo tempo quando ele ofereceria em sua tenda "sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao Senhor" (Salmo 27:6).

Os salmistas viam a adoração como um grande privilégio. Eles se sentiam profundamente privados e frustrados quando eram afastados de tais ocasiões abençoadas. Sua confiança em Deus por auxílio e benevolência acendiam seu desejo de curvar-se diante de Deus e reconhecer sua grandeza.

Hoje não estamos menos desesperados em nossa necessidade da amizade e do auxílio de Deus.  Chegamos "humildes de espírito" (Mateus 5:3), cientes de que sua associação é somente para aqueles que "têm fome e sede de justiça" (Mateus 5:6). Com o salmista, proclamamos: "A minha alma apega-se a ti; a tua destra me ampara", e:  "Como de banha e de gordura farta-se a minha alma, e, com júbilo nos lábios, a minha boca te louva" (Salmo 63:8, 5).
recebido por email

sexta-feira, junho 28, 2013

CERTO


"Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade." (João 17:17)

Numa aula do seminário onde sou professor escutei essa frase que me marcou e me levou a refletir. No Reino de Deus, e portanto na vida cristã, não se trata de "quem" está certo, mas "o quê" está certo. Não importa quem, importa o quê.
Aprendi com isso que não devo focar no vaso e sim no óleo, não é mérito do canal e sim da fonte. A Palavra de Deus é a verdade, não importa se na boca da pessoa certa ou da pessoa errada, de alguém que a leva a termo ou não, se dita por um santo ou por um perdido. Não importa, a Palavra de Deus é a Palavra de Deus na boca de qualquer um.
Obviamente, ao estender a reflexão fui levado a outros textos e meditações, mas o que mais me marcou foi o fato de que eu me descubro com preconceito dependendo de quem está falando. Não importa quem, importa o quê. Para mim, assim como para quem estiver falando, a Palavra só produz seus frutos, só dá seus resultados, só traz sua herança, quando levada a termo. É preciso crer, é preciso atender e obedecer colocando em prática o que ouvirmos e aprendermos da Palavra, seja pela boca que for.
Ficou claro para mim que muitos embora portadores de um recado maravilhoso, não desfrutarão das alegrias que esta mesma mensagem poderia dar. São pessoas que ensinam ou pregam sobre amor, mas não amam. Falam de misericórdia mas são impiedosas. Falam de santidade mas vivem em pecado. A Palavra não vai salvá-las nem transformá-las se não for colocada em prática. Mas não deixará de ser a Palavra de Deus e produzirá no tempo devido o que tem de produzir. Do contrário, teremos apenas palavras lançadas.
Meu querido, a síntese é que devemos nos encher da Palavra de Deus e transbordar dela em nossa vida, praticando tudo que aprendermos. Proferir a Palavra não nos mudará. Isso só ocorrerá se nós a assimilarmos, quer ouvindo quer falando.
O que importa é o que é certo, não quem está certo.
"Pai, perdoa-me pelo preconceito acerca das pessoas que eu julguei indignas da Tua Palavra. O que importa é o recado e não o mensageiro, eu quero aprender a Te ouvir pela Tua Palavra."
Mário Fernandez

domingo, junho 02, 2013

A Carga ou a vida

domingo

E atiravam as cargas ao mar para tornar o navio mais leve (Jn 1.5)
A situação não poderia ser mais perigosa: a tempestade era “tão violenta que o barco ameaçava arrebentar-se” (Jn 1.4). Todos se puseram a orar e, ao mesmo tempo, a atirar as cargas ao mar “para tornar o navio mais leve”.
A embarcação era mais um navio cargueiro do que um navio de passageiros. O dono do barco vivia dessas viagens. A tripulação era paga com o dinheiro do frete. Era importante chegar a Társis com a carga intacta, mas jogando a carga ao mar, talvez conseguissem salvar a tripulação e a embarcação. Sem esse expediente certamente perderiam a carga, o navio e a vida.
Cerca de 800 anos depois do quase afundamento desse navio, outro navio passou pelo mesmo problema. Era a embarcação que levava Paulo para Roma. Em vista do perigo, os marinheiros “começaram a lançar fora a carga” (At 27.18).
Jesus sempre defendeu a vantagem de se perder alguma coisa em beneficio da salvação: “É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno” (Mt 5.30).
De fato, é melhor perder a vida por causa de Jesus do que preservá-la.
>> Retirado de Refeições Diárias com os Profetas Menores. Editora Ultimato.

sexta-feira, maio 31, 2013

Orar em um mundo roto











Alessandra Dantas
Em alguns ambientes, às vezes, se respira certo ''caos'' diante da oração. Não sei se é o medo de ser tachado de ''espiritualista'' ou a infundada crença que aquele que ora foge de seu compromisso com a realidade ou a influência sobre nós da secularização desse mundo tenebroso, no qual estamos vivendo. O certo é que percebo isso mais do que eu gostaria e isto me desconcerta um pouco.

Toda a Bíblia, Antigo e Novo Testamento, é um convite permanente à oração. Jesus insistiu que deveríamos orar sempre sem desfalecer (Lc. 18,1). Ensinou-nos a oração do ''Pai Nosso'' e deu-nos seu testemunho com sua própria vida de oração. Ele mesmo dedicava longas horas à oração, às vezes, orava por toda a noite.

Se recorrermos à Palavra de Deus, todos os grandes profetas e homens escolhidos por Ele, Moisés, Davi, Jeremias, Maria, Pedro, Paulo...foram homens e mulheres de profunda oração diante do Senhor. Todo o testemunho da santidade da igreja ao longo dos séculos confirmam que esses homens e mulheres( São Francisco de Assis, Santo Agostinho, Madre Teresa de Calcutá...) que se dedicaram à contemplação e à humilde oração foram peças fundamentais de grandes testemunhos.

Por isso, o meu desconcerto quando vejo los crentes em Cristo não fazerem da oração nossa força, quando não proclamam a confiança no poder da oração.

A oração, longe de nos afastar da realidade, nos coloca no coração da história, nos preenche de compaixão e misericórdia, nos revela o rosto sofrido de Jesus no pobre, no viciado, no enfermo... A oração limpa nossos olhares e nos vai mudando por dentro, cura nossas feridas, enche de gozo nossos corações. Ela é o refúgio e consolo na tribulação, fortaleza para carregar as cruzes de cada dia, chuva fresca em meio ao deserto...Converte-nos em testemunhas do Ressuscitado e nos dá força e coragem para viver o mandamento do amor.

A oração é a esperança dos pobres, quando os meios humanos parecem falhar, quando a enfermidade visita nosso lar, quando estamos em má situação financeira, quando padecemos tribulação e angustia e sobretudo quando somos tentados.

Em meio a um contexto social e histórico que perdeu seu centro de gravidade, pelas peças que parecem se desintegrar, precisamos da oração, essa força integradora da vida que nos ajuda a recobrar nosso ''eu'' e a olhar o mundo que sofre e que muitas vezes busca a Deus sem sabê-lo. Com um novo olhar cheio de amor e misericórdia, o melhor remédio para ''soldar'' as peças rotas da vida é a oração que nos transfigura. Que transfigura o mundo.

quinta-feira, maio 30, 2013

O Custo da Alegria

Close up of woman's hand holding open book
“Este segundo vinho é melhor que o primeiro”.
João 2
Alexandre Robles

Vinho simboliza vida e alegria, mas também simboliza sacrifício e sofrimento. Em nossa relação com Jesus, o sacrifício é dEle a vida é nossa. Como cantava a antiga canção Ele “morreu a nossa morte, pra vivermos sua vida”.
Mas em nossa relação com todas as realidades históricas, precisamos saborear o vinho completo, tudo o que nos traz vida, depende de algum sacrifício que fazemos.
Estamos anestesiados pela cultura do prazer e da diversão. Perdemos a noção da importância da doação, do sacrifício, do trabalho, do esforço e da espera paciente.
Mas o fato não se altera, não há nesta história vinho que somente produza alegria, antes, há de exigir sacrifício de comportamento, de atitudes, de ideais pessoais, de manias, de ilusões e fantasias. Quem começa se perguntando, por exemplo, o que pode sacrificar pra viver bem com uma outra pessoa, tem maior chance de se alegrar com o relacionamento e com a experiência.
Lido em:Alexandre Robles 

segunda-feira, maio 27, 2013

APLAUSOS

"Batei palmas, todos os povos; aclamai a Deus com voz de júbilo. Porque o Senhor Altíssimo é tremendo; é grande Rei sobre toda a terra." (Salmos 47:1)


Durante um dos cultos muito abençoados que tenho compartilhado com meus irmãos onde congrego, tivemos um momento de celebração da presença de Deus de uma forma muito especial. Tem sido especial, tem sido maravilhoso, mas naquele dia o Senhor tinha algo para mim. Eu aplaudia freneticamente como uma criança que havia recebido um grande presente, desejo e ansiado há muito tempo, algo realmente especial e do coração. Mas não havia nada em minhas mãos e o Senhor me mostrou justamente isso: se eu estivesse de mão ocupadas, como o aplaudiria?
Só se pode aplaudir estando com as mãos livres, isso é fato. E vou além, as palmas ficam diferentes se estiver com as mãos nuas ou de luva, limpas ou sujas, frias ou suadas. Cada situação produzirá um aplauso diferente. Deus merece, de fato, o nosso melhor e isso inclui quando o aplaudimos, Ele deve ser aplaudido com o nosso melhor aplauso.
Também não se pode aplaudir com as mãos fechadas, portanto quem não abre a mão não aplaude. Abrir a mão nos fala sobre generosidade, sobre repartir recursos, sobre alcançar o necessitado. Mãos abertas são mãos estendidas.
Mas meu querido leitor: o que tem ocupado suas mãos na hora de aplaudir? É trabalho demais, mesmo que seja para o Reino de Deus? É "entulho" que não precisava mais ser carregado, seja de emoções ou de relacionamentos? É um pecado que só aparece quando a mão está aberta? Ou é uma aveza, também conhecida como "mão-de-vaca"?
Seja qual for o problema, a alusão aos aplausos precisa ser atendida de uma ou de outra forma pois o princípio é o mesmo e o objetivo é o mesmo. Deus deve ser glorificado, o aplauso é meramente didático. Se algo impede nossa mão de glorificar a Deus, seja aplaudindo ou de outra forma, precisamos melhorar e nos livrar disso.
"Senhor, me ajuda a perceber o que impede minhas mãos de ficarem livres para te adorar e glorificar. Não quero me apresentar a Ti com mãos sujas ou ocupadas com o que não devo"
Mário Fernandez
Recebido por email

terça-feira, maio 21, 2013

SER IGREJA



"Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lucas 15:7)

Um rei tinha uma filha. Quando esta cresceu, um rapaz candidatou-se a casar com ela, por conta de ser um bravo cavaleiro, de família nobre e inteligente - digno portanto do trono. O rei, cauteloso, decidiu testar o jovem, não com uma batalha, mas com um desafio diferente.
Chamou-o e mandou que se preparasse para uma viagem longa e perigosa até um reino vizinho. Preparado, o jovem apresentou-se ao rei, que lhe deu um bilhete, um cavalo e um pacote de diamantes. Disse-lhe apenas "leva este bilhete ao rei, ele te dirá o que fazer. TOMA CONTA DO MAIS IMPORTANTE!!!". Ao sair dali o jovem dedicou-se aquela missão com todo seu vigor. Costurou o bilhete em seu casado, pôs os diamantes na sola de suas botas e encilhou o cavalo.
Viajou sem dormir até que chegou ao destino, entregou o bilhete ao rei e aguardou suas novas ordens. O rei abriu o bilhete, leu seu conteúdo, rabiscou alguma coisa sobre ele, fechou-o e disse "apressa-te em retornar". O jovem quis mostrar-lhe os diamantes mas o rei nem quis vez. E assim se fez. De tanto cavalgar o cavalo estava completamente exausto e estropiado, mas venceu a jornada. Chegou de volta ao futuro sogro e apresentou-se dizendo "entreguei o bilhete, não perdi nenhum diamante, mas o cavalo era meio fraco e quase morreu. cuidei do mais importante, como me ordenaste, ó rei.".
O rei entristecido abriu o bilhete e leu ao jovem onde dizia "Querido irmão, saúde! este moço anseia casar-se com tua sobrinha e estou a testá-lo. Dei a ele meu melhor cavalo e algumas pedras sem valor. Se ele te pedir cuidados para os cavalos, está bem assim. Se ele só tiver olhos para as pedras, é um ganancioso materialista, então manda-o de volta."
O mais importante era o cavalo. A VIDA sempre é mais importante. O que é o mais importante para você? A vida ou as pedras?
SER IGREJA É CONHECER ESTE CONTO DE COR, NÃO NA MENTE MAS NO CORAÇÃO E NAS ATITUDES.
"Senhor, tem misericórdia de mim que tantas vezes me iludo com o brilho das pedras deste mundo e deixo passar despercebido o verdadeiro tesouro ao meu redor: Teus filhos."
Mário Fernandez
Recebido por email

quinta-feira, maio 16, 2013

Quem quiser, que espere o encontro!




Hermes Fernandes

Agora, comprometido com o Deus de Betel, Jacó se põe a caminhar, até que chegou à terra dos filhos do Oriente.
Repare num detalhe: De Peniel Jacó saiu mancando. De Betel, ele saiu caminhando. De Peniel, saiu sangrando. De Betel, saiu sonhando. Para entender melhor o que quero dizer, por favor, leia o artigo anterior.
A primeira coisa que avistou foi “um poço no campo, e três rebanhos de ovelhas que estavam deitados junto dele porque desse poço se dava de beber aos rebanhos” (Gn. 29:2). O que chamou a atenção de Jacó é que havia uma grande pedra sobre a boca do poço. O rebanho esperava sedento que alguém a removesse, mas os pastores pareciam esperar pela chegada de alguém mais para os ajudar.
Pelo jeito, a pedra era pesada demais. Três homens seriam insuficientes para levantá-la da boca do poço.
Depois de uma breve abordagem, Jacó opinou: “Olha, ainda vai alto o dia; não é hora de se ajuntar o gado. Daí de beber às ovelhas, e ide apascentá-las” (v.7). Era como se Jacó se oferecesse para ajudá-los a saciar seus rebanhos. Mas eles retrucaram: “Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e seja removida a pedra da boca do poço, para que demos de beber às ovelhas”(v.8).
Qual a graça de ficar protelando em vez de dar logo de beber ao rebanho? Não era hora de deixar o rebanho parado, descansando à espera de água. Era hora de conduzir as ovelhas lá fora, entre vales e montanhas, pelos pastos verdejantes. Aprisco, só para descansar seguras e voltar a caminhar no outro dia. Porém, para que elas pudessem caminhar livremente, antes teriam que ser saciadas.
Pra quê ficar esperando por uma ocasião especial, um evento, um encontro, pra então saciar as ovelhas? Por trás disso há sempre algum interesse excuso.
Lembro de ter conversado com um pastor amigo meu que era um dos mais respeitados líderes de uma denominação brasileira. De repente, aquela igreja resolveu adotar o esquema conhecido como G12, onde os membros eram levados a um encontro num sítio, para lá terem uma experiência maior com Deus. Este pastor (na verdade era bispo), resolveu deixar a denominação, pois seu líder havia orientado os demais pastores a não pregarem mensagens mais profundas nos cultos, para deixar o rebanho faminto, à espera de algo mais. Assim, eles poderiam oferecer o tal “encontro” como o prato principal da igreja. Detalhe: quem quisesse participar teria que desembolsar 400 reais! Por não concordar com isso, meu amigo preferiu deixar aquela denominação.
Era mais ou menos isso que aqueles pastores estavam fazendo. Só poderiam remover a pedra quando houvesse o tal encontro.
E quando chega um enfermo à procura de oração? Muitas vezes é orientado a voltar no dia propício, dedicado à cura divina. Ora, se a água está disponível, por que deixar que o rebanho padeça de sede? Por que deixar pra depois o que se pode fazer agora?
As igrejas oferecem uma espécie de cardápio aos seus fiéis (ou seriam clientes?). Há um dia dedicado a isso, e outro dedicado àquilo. E quando se anuncia a vinda do grande homem de Deus, que recebeu poder para curar os doentes? E se o doente não sobreviver até o dia de sua vinda?
Congressos, convenções, encontros, se tornaram engrenagens da indústria religiosa. Cada evento com sua panelinha própria. Cartas marcadas! Depois se reúnem para dividir os depojos.
Não sou contra qualquer tipo de evento. Há lugar para retiros, congressos, conferências. Desde que não sejam usados para tosquiar o rebanho de Deus.
Infelizmente, em muitos desses eventos as ovelhas saem tosquiadas, e com a mente lavada, repetindo o jargão feito papagaio de pirata: Foi tremendo!
Tremendo ficam as ovelhas tosquiadas, morrendo de frio.
Alguns saem convencidas de que aquilo lhes fez algum bem. Mas a médio e longo prazo, percebem o mal que fora feito à sua alma.
Se antes sua vida era dividida entre "antes e depois de Cristo", agora passa a ser dividida entre "antes e depois do encontro", ou "antes e depois" de ter conhecido aquela igreja. Outros são orientados a não contar a ninguém o que aconteceu no tal encontro. O nome disso? Marketing! A alma do negócio! Tudo isso não passa de argumentação fútil para ludibriar o rebanho. Não foi isso que aprendemos de Jesus. Veja o que Ele mesmo diz: "Falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em segredo"(Jo.18:20). Algumas vezes Jesus pediu discrição quanto à divulgação de Seus milagres, como também pediu que os discípulos não contassem o que viram no monte da Transfiguração. Quanto àquilo que dizia e ensinava, Ele disse: "O que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os telhados"(Mt.10:27b). Quem gosta de segredos é a Maçonaria e as seitas secretas. Devemos adotar a postura de Paulo, que diz: "Pelo contrário, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam; não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus" (2 Co.4:2a).
O papel dos pastores é remover a pedra, tornar o poço acessível às ovelhas. A preocupação de Jacó era com o rebanho. Não era justo deixá-lo esperando mais.
“Enquanto Jacó ainda lhes falava, chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora” (v.9).
- O que? Uma mulher? Era por ela que vocês estavam esperando, seus frouxos?
“Quando Jacó viu a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão de sua mãe, chegou-se, revolveu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe” (v.10).
Não sei se inspirado pela beleza de Raquel e querendo impressioná-la, ou se inspirado pelo encontro que havia tido com Deus na noite anterior. Talvez fosse uma combinação das duas coisas. Só sei que Jacó fez sozinho o que supunha-se que fosse feito por quatro homens, ou pelo menos, por três homens e uma mulher.
Ele não precisou de uma alavanca, nem mesmo um ponto de apoio. Bastou que usasse a força que adquiriu em Betel.
Hoje em dia, pastores se reúnem para buscar estratégias que visam extrair do rebanho tudo que puderem. Se há água disponível, procuram uma maneira de torná-la inacessível. Se Cristo é o Caminho, eles são os responsáveis pelo pedágio.
- Vamos levar seu pedido para o monte! Argumentam eles. – Vamos fazer uma ponte entre Deus e você! Basta fazer um sacrifício! Basta pagar tanto pra participar de um encontro com Deus!
Tudo isso deve causar náuseas em Deus.
O que a igreja precisa não é de novas estratégias evangelísticas para crescer. Nem de pontos de contacto, amuletos, campanhas mirabolantes. Ela precisa de líderes comprometidos com a verdade, que não usem de astúcia para ludibriar as ovelhas. Ela precisa de pastores segundo o coração de Deus, que inspirados pelo Espírito Santo, se atrevam a remover as pedras e deixar que as ovelhas bebam livremente, sem que isso lhes custe nada.


Lido em: 
Genizah Virtual

quinta-feira, maio 02, 2013

Objetivo Claro


"a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;” (Colossenses 1:10 ARA)

Esse assunto de viver de modo coerente, ou digno, está me perseguindo já faz uns dias. Este verso em particular é assustador quando diz "para o seu inteiro agrado" pois ele aponta para a anulação de nossa vontade individual, no sentido de fazer o que eu quero em vez daquilo que Deus quer. Obviamente temos outros textos bíblicos que ensinam a mesma coisa e não precisamos duvidar deste princípio. Mas, e quanto ao colocar em prática?

Na hora de viver desse modo tudo fica mais difícil. Deus nos fez com vontade própria e nos fez diferentes uns dos outros. Podemos ter similares, mas nunca somos idênticos. Eu quero uma coisa, meu irmão criado na mesma casa quer outra, minha esposa ainda outra e meus filhos que são geneticamente 50% "eu"... adivinhe...

Nossa vontade não pode ser nosso inimigo, devemos nos valer dela para agradar a Deus. É uma escolha contínua que devemos fazer, diariamente, o tempo todo, usando nossa vontade para escolher agradar a Deus. Isso compreende o que fazer e o que não fazer, inclui desejar o que Deus deseja e está expresso na Bíblia, inclui também abrir mão daquilo que é contrário.

Se levarmos isso a sério, supriremos melhor aos necessitados, teremos compaixão e misericórdia dos que se perdem e não vamos nos cansar de ir atrás dos que não querem saber de Deus. Seremos muito parecidos com Jesus, não como andarilhos em terras israelenses, mas no caráter e na missão de vida. Servir a Deus dá sentido para a vida, ainda que alguns achem que isso seja para pastores e missionários. Frutificar em toda boa obra e crescer no pleno conhecimento de Deus é o que vem em seguida, nos capacitando para viver de modo digno. É um ciclo fechado, positivo, autoalimentado.

Tenho certeza que podemos olhar para nosso cotidiano e escolher coisas que podemos fazer para agradar a Deus.

"Senhor, eu quero Te agradar em tudo que faço e deixo de fazer, mas isso não é meu natural. Preciso da Tua intervenção sobrenatural para conseguir."

Mário Fernandez

quarta-feira, abril 10, 2013

O nevoeiro do coração partido.


Por Max Lucado
É um nevoeiro escuro que aprisiona furtivamente a alma e se recusa a ir embora. É uma neblina silenciosa que esconde o sol e chama as trevas. É uma nuvem pesada que não honra qualquer hora nem respeita quem quer que seja. Depressão, desânimo, desapontamento, dúvida... todos são companheiros desta presença temida.
O nevoeiro do coração partido desorienta a nossa vida. Ele torna difícil ver o caminho. Abaixe as suas luzes. Limpe o pára-brisa. Ande mais devagar. Faça o que quiser, nada ajuda. Quando este nevoeiro nos rodeia, nossa visão fica bloqueada e o amanhã está para sempre distante. Quando esta escuridão ondulada nos envolve, as palavras mais sinceras de ajuda e esperança não passam de frases vazias.
Se você já foi traído por um amigo, sabe o que estou dizendo. Se já foi abandonado por um cônjuge ou um pai, já viu esse nevoeiro. Se já colocou uma pá de terra sobre o caixão de um ente querido ou ficou vigiando junto ao leito de alguém que ama, você reconhece também esta nuvem.
Se já esteve neste nevoeiro, ou está nele agora, pode estar certo de uma coisa — não se encontra sozinho. Até o mais esperto dos capitães da marinha já perdeu o rumo ao aparecer essa nuvem indesejada. Como disse certo comediante: "Se os corações partidos fossem anúncios, todos apareceríamos na televisão."
Faça um retrospecto dos últimos dois ou três meses. Quantos corações partidos encontrou? Quantos espíritos feridos teve ocasião de observar? Quantas histórias de tragédias chegou a ler?
Minha própria reflexão é cautelosa:

- A mulher que perdeu o marido e o filho num terrível acidente automobilístico.

- A atraente mãe de três crianças que foi abandonada pelo cônjuge.

- O garoto atropelado e morto por um caminhão de lixo, quando saía do ônibus da escola. A mãe, que o esperava, testemunhou a tragédia.
- Os pais que encontraram o filho adolescente morto na floresta atrás de sua casa. Ele se enforcara com o próprio cinto numa árvore.

A lista continua indefinidamente. Tragédias nebulosas. Como cegam nossa visão e destroem os nossos sonhos. Esqueça todas as grandes esperanças de alcançar o mundo. Esqueça todos os planos de mudar a sociedade. Esqueça todas as aspirações de mover montanhas. Esqueça tudo isso. S6 me ajude a atravessar a noite.
O sofrimento do coração partido.
Venha comigo assistir aquela que foi talvez a noite mais enevoada da história. A cena é muito simples, você vai reconhecê-la rapidamente. Um bosque de oliveiras retorcidas. O chão coberto de pedras grandes. Um muro baixo de pedras. Uma noite escura, muito escura.
Veja agora o quadro. Olhe atentamente através da folhagem sombria. Vê aquela pessoa?
Vê aquela figura solitária? O que ele está fazendo? Deitado no chão. O rosto manchado de terra e lágrimas. Os punhos batendo no solo. Os olhos arregalados com o estupor do medo. O cabelo emaranhado por causa do suor salgado. Será aquilo sangue em sua testa?
Esse é Jesus. Jesus no Jardim do Getsêmani.
Você talvez tenha visto o retrato clássico de Cristo no jardim. Ajoelhado junto a uma grande rocha. Um alvo manto. Mãos pacificamente unidas em oração. Um olhar sereno em seu rosto. Um halo sobre a sua cabeça. Um raio de luz do céu, iluminando seu cabelo castanho dourado.
Eu não sou artista, mas posso dizer-lhe algo. O homem que pintou esse quadro não usou o evangelho de Marcos como modelo. Veja o que Marcos escreveu sobre aquela noite penosa:
"Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.
E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras. Voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.
E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta! Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima."[1]
Observe estas frases: “Começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.” “Minha alma está profundamente triste.” “E, adiantando-se um pouco,prostrou-se em terra.”
Este parece um quadro de um Jesus santo, repousando na palma de Deus? De modo algum. Marcos usou tinta preta para descrever esta cena. Vemos um Jesus agonizante, lutando e se esforçando. Vemos um "homem de dores".[2] Vemos um homem enfrentando o medo, em luta com os compromissos e ansiando por alívio.
Vemos Jesus no nevoeiro de um coração partido.
O escritor de Hebreus iria dizer mais tarde, "Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte".[3]
Que descrição! Jesus sofrendo. Jesus às portas do medo. Jesus não está revestido de santidade, mas de humanidade.
Da próxima vez que o nevoeiro o envolver, você faria bem em lembrar-se de Jesus no jardim. Da próxima vez em que pensar que ninguém compreende, releia o capítulo 14 de Marcos. Da próxima vez que a autopiedade o convencer de que ninguém se importa, vá visitar o Getsêmani. E da próxima vez em que ficar imaginando se Deus realmente percebe a dor que prevalece neste poeirento planeta, ouça-o suplicando entre as árvores retorcidas.
Este é o meu ponto. Ver Deus desse modo faz maravilhas em relação ao nosso próprio sofrimento. Deus jamais foi tão humano quanto nessa hora. Deus jamais esteve mais próximo de nós do que quando sofreu. A Encarnação jamais foi tão cumprida quanto no jardim.
Como resultado, o tempo passado no nevoeiro da dor poderia ser o maior dom de Deus. Poderia ser a hora em que finalmente vemos nosso Criador. E verdade que no sofrimento Deus se assemelha mais ao homem; talvez em nosso sofrimento possamos ver a Deus como nunca antes.
Da próxima vez em que você for chamado para sofrer, observe. Talvez esse seja o ponto mais próximo em que vai estar de Deus. Preste muita atenção. Pode muito bem ser que a mão que se estende para guiá-lo para fora do nevoeiro esteja traspassada.

[1] Marcos 14:32-42

[2] Isaias 53:3

[3] Hebreus 5:7, o grifo é meu. 

Copyright © 1999 Editora Vida Cristã. Todos os direitos reservados. Reproduzido com a devida autorização.

terça-feira, abril 09, 2013

Do vigiar e do orar

 

Já nos redarguiu o mestre: vigiai e orai! Diante das inúmeras prédicas já feitas com base em tal afirmação. Ouso fazer mais uma. Talvez já feita, não o sei. Como já dito em Eclesiastes: “nada é novo sobre a terra”. Algo me chama atenção nesta frase: “vigiai e orai!” 

Ela é exclamativa. É imperativa, mas vejo mais! Percebo um chamado a uma espiritualidade sadia, equilibrada. Quantas e tantas vezes nos deparamos com pessoas ou até conosco em movimentos de espiritualização exacerbada. O clamor pelo transcendente inunda o humano desde sempre e isso é extremamente saudável e viável à integralidade de uma vida bem vivida. O problema é quando a espiritualidade tenta suplantar outras áreas também tão caras a nossa integralidade. 

Há fatos que não necessitam de clamor e oração e sim de ação. Outros que precisam de nossa atenção e discernimento e não de um sinal sobrenatural. Costumo falar do sobrenatural sinal chamado “lucidez”. 

Em tempos que tantos e tantas coisas tentam nos sequestrar da realidade. No qual real e virtual por vezes são confundidos. Onde consumismo ao custo da estabilidade planetária é confundido como marca da bênção de Deus. Enfim, neste contexto líquido e quase vaporoso de relações e ações. Finco o pé e a consciência à responsabilidade outorgada a mim de VIGIAR!

 É preciso olhar e mais do que olhar: enxergar. 

Relembro mais uma vez as palavras do Mestre que fala daqueles que “vendo não enxergam. Ouvindo não escutam”. 

Vigilância tampouco significa deixar-se guiar apenas pelo material. Até o profeta Ezequiel quando conduzido a um vale de ossos secos precisou “olhar os ossos” (vigiar) e então falar (orar) a palavra de Deus sobre aqueles ossos. 

Outro dia li que a verdade está nos extremos e compreendo o quanto tal afirmação vale às verdades espirituais. Precisamos vigiar = nos concentrar no mundo natural, nas circunstâncias, nos fatos. Precisamos orar = nos concentrar na realidade espiritual, no ainda inexistente, no não dito, no sem forma e vazio. 

Eis um desafio a ser perquirido por todos e todas nós!

 Grande beijo!

 Roberta Lima

sexta-feira, março 29, 2013

Seis horas, uma sexta-feira...



“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado,
para que nele nos tornássemos justiça de Deus”.

(2 Coríntios 5:21)

Seis horas, uma sexta-feira. Mundanas para o espectador casual. Um pastor com as suas ovelhas, uma dona de casa com os seus pensamentos, um médico com os seus pacientes. Mas para um punhado de testemunhas impressionadas, o mais enlouquecedor dos milagres está acontecendo.

Deus está em uma cruz. O criador do universo está sendo executado. Não são seis horas comuns. Não é uma sexta-feira comum. Muito pior do que a quebra do seu corpo é a aflição do seu coração. E agora o seu próprio pai está começando a virar as suas costas para ele, deixando-o sozinho.

O que você faz com esse dia da história? O que você faz com as suas reivindicações? Elas foram as horas mais críticas da história. Os pregos não prenderam Deus em uma cruz. O amor prendeu.

Aquele sem pecado assumiu o semblante de um pecador para que nós pecadores pudéssemos assumir o semblante de um santo!

Autor: Max Lucado
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Notas:
Traduzido por Cynthia Rosa de Andrade Marques Almeida
Texto original extraído do site www.maxlucado.com

terça-feira, março 19, 2013

Preparas-me uma Mesa na Presença de Meus Inimigos


A expressão que dá título a esta crônica não é minha, mas do Rei Davi, no extraordinário Salmo 23. 


É difícil fazer uma interpretação precisa de um versículo num contexto como este. Já tentei discernir o texto por vários ângulos, utilizei traduções diferentes, visitei o original hebraico, analisei interpretações de especialistas... 

Mas para ser honesto, o que aqui lhe trago é apenas a minha forma de percebê-lo. E não apenas isso, mas também o meu desejo de encarná-lo na vida, existencializar a poesia transformando letra em carne, mesmo sabendo que, muito provavelmente, não era isso que Davi tinha em mente quando o escreveu.

Minha escrita eu construí a partir de um sem número de observações... fui ouvindo as pessoas, anos seguidos, e de tanto ser exposto aos seus medos, dramas e dores, formatei esta imagem alegórica que hoje carrego em mim, não me sai da cabeça...

A sensação que tenho é de que há gente que mais se parece com postes por onde passam imagens, sons, palavras, ações e sentimentos. Elas possuem centenas de “fios emaranhados”, muitos dos quais desencapados, em flagrante perigo. Creia-me, há pessoas que se especializaram em construir “gambiarras” na alma; é tanto “liga” aqui, “desliga” ali, que, ao depois, não se sabe mais o que leva ao que...

Essas “interseções de fios” nada mais são do que os relacionamentos que travamos, sejam afetivos, familiares, profissionais ou de amizade, os quais, por vezes, entram em “curto circuito” por motivos dos mais diversos. É triste, mas me parece que à medida que o tempo avança e “devora” a vida, tanto mais as pessoas vão se tornando solitárias, muitas de suas relações, literalmente, acabam se “incendiando”, terminam em cinzas e silêncio. 

Por isso, no meu “Salmo 23”, peço a Deus para por na minha presença uma mesa onde estejam todos os meus desafetos. Sim, digo isto porque você não senta com inimigos a mesa, você os enfrenta no campo de batalha. Pedir uma mesa na presença de adversários é algo, provavelmente, impensável, eu sei, mas é esse o meu desejo.

O motivo é bem simples: essa mesa pode ser a única possibilidade de reatar laços partidos, resgatar amigos perdidos, reaver momentos que seriam bons mas que foram desperdiçados para sempre... Nessa mesa eu poderia usufruir de gargalhadas que nunca serão dadas, e de alegrias não experimentadas, abraços que foram esquecidos, mãos que não mais se tocaram e até lágrimas de solidariedade que, com absoluta convicção, me teriam serventia como consolo e abrigo nos dias cinzentos, dias de sombras e solidão.

No meu “Salmo 23”, a mesa se põe na presença dos inimigos para que eles possam novamente se sentar ao meu lado, para que seja possível haver perdão, cura e libertação. Na minha mesa, o óleo que desce sobre a cabeça sara a consciência e produz saúde que pacifica a alma, e o cálice está sempre transbordando o vinho da alegria, deixando vazar o regozijo que há quando na vida torna-se possível o reencontro, a reconciliação.

Quão bom seria poder sentar nesta mesa, fosse eu convidado de outrem, fosse o anfitrião da festa do perdão. Pena que a realidade nos revele um cenário tão diferente, pois nele é a intolerância e o rancor que são servidos como prato principal, nunca a paz e o perdão. 


Por isso, se te for possível, reconcilia-te ainda hoje com o teu semelhante, ponha perante ti e ele uma mesa, e conclame a Deus como tua testemunha deste ato de grandeza. Sim, amigo, faça isso enquanto ainda há tempo, pois talvez chegue o dia em que a tua mesa seja apenas feita de lonjuras e distâncias e nela tu estejas completamente só... 

Carlos Moreira

segunda-feira, março 18, 2013

Encontrando Deus na ÚLTIMA FRONTEIRA



Por Hermes C. Fernandes

Já vimos que Deus Se revela através das Escrituras, da Criação, da Igreja, e sobretudo, através de Seu Filho Jesus Cristo. Ele é a revelação definitiva de Deus.

Porém, resta-nos uma última fronteira, onde para muitos, Deus Se mantém escondido.

Não se trata dos mistérios do Cosmos, como os buracos negros, quasares, galáxias longínquas, super-novas, etc. Também não se trata do mundo subatômico, quântico.

Trata-se, antes, daqueles com quem Cristo Se identifica de maneira mui peculiar: Os pobres e excluídos da sociedade. É lá que Deus Se mantém velado, à espera de quem O busque.

Não basta encontrar Deus nas Escrituras, na Igreja, na Criação, se não nos dispusermos a buscá-lO nos pequeninos. É assim que Ele os chama.

Veja o que Jesus diz sobre isso:
“Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória. Todas as nações se reunião diante dele, e ele apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. Ele porá as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu, e me visitastes; preso e fostes ver-me. E perguntarão os justos: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou preso e fomos ver-te? Ao que lhes responderão Rei: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt.25:40).
Ao sairmos ao encontro desses pequeninos, é com Cristo que nos deparamos. Engana-se quem imagina poder encontrá-lO nas catedrais dos grandes centros urbanos. Seria como se os magos esperassem encontrar o Messias recém-nascido no palácio de Herodes. Cristo está sob as marquises dos prédios abandonados; atrás das grades das prisões públicas; nas palafitas construídas às margens das valas negras.

Não vamos simplesmente para lhes dar algo que não tenham. Vamos ao encontro de algo de que necessitamos desesperadamente.

Muitos se dedicam às obras de caridade por um desencargo de consciência. Alguns até para driblar a culpa que lhes tira o sono. Ajudar aos pobres faz com que se sintam confortáveis consigo mesmos, pertencentes a uma classe superior, ricos, qualificados. Quando deveriam, sim, sentir-se envergonhados. A pobreza denuncia nossa arrogância, nossa prepotência, a injustiça imperante no sistema do qual tiramos nossa subsistência.

Deus Se esconde de tal maneira nos pobres, que nem mesmo Seus escolhidos dão conta de reconhecerem-No. Daí a pergunta: Quando, Senhor?

Ficamos embebecidos com o espetáculo da natureza. É relativamente fácil enxergar a majestade divina num pôr-do-sol, num arco-íris, e até no canto de um passarinho. Tudo isso é muito belo, e, de fato, aponta para Deus, manifestando Seus atributos invisíveis.

Encontrá-lO nas Escrituras é uma questão de fé. Nossos olhos são desvendados pela ação do Espírito Santo, que nos faz compreender o testemunho de Deus registrado nas páginas sagradas (Pv.1:23). Porém, buscá-lO e encontrá-lO no pobre, no indefeso, no preso, no enfermo, somente através das lentes do amor.

Esta é, por assim dizer, a última fronteira na qual Deus Se mantém escondido.

Como a igreja primitiva lidou com esta verdade indiscreta e perturbadora? Ninguém melhor que Tiago, irmão do Senhor, para nos responder:
“Glorie-se o irmão de condição humilde na sua alta posição. O rico, porém, glorie-se na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva” (Tg.1:9-10).
O Evangelho do Reino é a mais subversiva de todas as mensagens já anunciadas entre os homens. O que os homens chamam de sabedoria, Deus chama de loucura. O que chamamos de fraqueza, Deus chama de força. O que acreditamos ser riqueza, Deus afirma que é miséria.

Seguindo a lógica do Reino, Tiago diz que o irmão de condição humilde deveria gloriar-se em sua alta posição. Não se trata de posição social, mas espiritual, uma vez que Deus o escolheu.

Paulo reverbera o mesmo ensino, quando nos conclama a conferir: “Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie perante ele” (1 Co.1:26-29).

Gloriar-se em sua condição humilde é o mesmo que gloriar-se em Deus, em vez de em si mesmo e em seus recursos naturais.

Tiago não faz média com os ricos do seu tempo. Pelo contrário, ele os confronta. “O rico, porém, glorie-se na sua insignificância” (Tg.1:10a). Que golpe na arrogância de quem se acha importante. Que insulto à sua vaidade!

Recentemente, uma pesquisa feita pelo instituto britânico New Economics Foundation revelou que pessoas que trabalham fazendo faxina em hospitais têm mais valor para a sociedade do que os funcionários de alto escalão de um banco. Enquanto o faxineiro gera cerca de R$ 30 de valor para cada R$ 3 que recebe, o bancário com salário anual a partir de R$ 1,5 milhão) é um peso para a sociedade, custando cerca de R$ 21 para cada R$ 3 que ganham. O faxineiro rende dez fez o que ganha. O bancário dá prejuízo de sete vezes o que ganha.

Como uma igreja em nossos dias receberia o executivo de um banco? E como receberia um faxineiro? Seriam tratados de igual maneira?

Infelizmente, nos adequamos ao espírito deste mundo, e abandonamos a mensagem subversiva do reino.

Muitas igrejas têm se especializado em alcançar a classe média alta, desprezando completamente as classes mais baixas e necessitadas. Este se tornou o sonho de consumo de praticamente todos os ministérios hoje em dia. Todos querem as classes A e B. Ninguém quer as classes D e E.

As grandes denominações querem ter Sedes nos bairros mais abastados da cidade. Enquanto isso, as favelas são relegadas a segundo plano. Quando surge alguma igreja nelas, geralmente é por iniciativa dos próprios moradores. Alguns pastores até investem em igrejas nestas comunidades carentes, para evitar que seus moradores desçam para o asfalto e freqüentem seus templos luxuosos, trazendo incômodo aos seus membros mais distintos.

Este não é um problema recente. Tiago teve que enfrentá-lo nos dias da igreja primitiva.Veja o que ele diz:
“Meus irmãos, como crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, não façais acepção de pessoas. Por exemplo: Se na vossa reunião entrar algum homem com anel de ouro no dedo, e com trajes de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e atentardes para o que tem os trajes de luxo, e lhe disserdes: Assenta-te aqui em lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do estrado dos meus pés, não fazeis distinção entre vós mesmos, e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus aos que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre” (Tg.2:1-6a).
Parece que Tiago estava falando diretamente com os pastores de nossos dias, alguns dos quais chegam a destacar alguém para o ministério local por causa de suas vultuosas contribuições. Quantos diáconos precoces? Presbíteros despreparados, que mal se converteram, e logo foram içados a uma posição na igreja. Já o pobre, o que não usa roupas de grifes famosas, não só são ignorados, como às vezes são até rechaçados. Há quem até sugira: Procure outra igreja, onde as pessoas sejam do seu nível social. Aqui não é pra você.

É lamentável ter que admitir isso. Mas é a mais pura verdade. As pessoas valem o quanto pe$am.

Desonrar ao pobre é desonrar Àquele que o criou, e o escolheu para ser Seu esconderijo.

É bom que se diga que Deus não tem nada contra os ricos. Deus igualmente os criou. O que ofende a Deus é o fato de muitos se estribarem em suas riquezas materiais.

A única maneira do rico agradar a Deus é reconhecer seu estado de miséria espiritual. Ou no dizer de Tiago, sua “insignificância”. Reconhecer que todo o seu dinheiro é incapaz de garantir-lhe uma vida de significado e propósito.

Assim como há ricos que são “pobres de espírito”, há pobres que são arrogantes, e que tentam passar uma imagem de abastança. Como diria o adágio: Comem sardinha, arrotam caviar. O sábio Salomão os denuncia:“Uns se dizem ricos sem ter nada outros se dizem pobres, tendo grandes riquezas” (Pv.13:7).

Pobreza de espírito é manter-se na total dependência de Deus. Jamais jactar-se em seus próprios recursos, sejam eles parcos ou abundantes.

Se a Igreja almejar ser canal através do qual Deus Se revele ao mundo, ela terá que admitir sua pobreza. E isso equivale a tomar a contramão da postura adotada pela igreja de Laodicéia.

Leia atentamente o que Cristo diz aos laodicenses:
“Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (Ap.3:17-18).
De acordo com a doutrina da confissão positiva, tão apregoada em nossos dias, a igreja de Laodicéia estava corretíssima em fazer tais “declarações de fé”. Entretanto, Cristo reprovou sua postura arrogante e auto-suficiente. Se fosse verdade que palavras positivas seriam capazes de atrair prosperidade para quem as proferisse, as Escrituras não diriam: “Em todo trabalho há proveito, mas meras palavras só conduzem à pobreza” (Pv.14:23).

Cristo chega a usar de sarcasmo com aquela igreja prepotente. Era como se Ele dissesse: Já que vocês são tão ricos, prósperos, auto-suficientes, vou lhes dar um conselho: Usem seus recursos para adquirir o que vocês ainda não têm: A verdadeira riqueza.

Paulo usa sarcasmo semelhante ao escrever para outra igreja que achava não ter falta de coisa alguma: Corinto.
“Pois quem tem faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? Já estais fartos! Já estais ricos! Sem nós reinais! E oxalá reinásseis para que também nós reinemos convosco! Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculos ao mundo, aos anjos e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo! Nós fracos, mas vós dois fortes! Vós sois ilustres, nós desprezíveis (...) Até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos” (1 Co.4:7-10,13b).
Qual o auto-intitulado apóstolo de nossos dias que pode apresentar-nos as mesmas credenciais? Se lermos os versos que omiti (11-12), veremos o quanto Paulo sofreu pela causa do Reino.

Precisamos descer de nossos pedestais ministeriais e admitir nossa profunda pobreza. E quando a admitimos, já não nos ofendemos quando Deus usa o mais humildes dentre os homens para nos abençoar com um prato de comida, ou qualquer outra provisão. Pergunte a Elias como ele se sentiu quando percebeu que o canal escolhido por Deus para alimentá-lo era uma viúva pobre de Sarepta.

Jesus disse que devemos aprender d’Ele que é manso e humilde de coração. Manso para repartir seu próprio pão, humilde para receber sem sentir-se constrangido. A palavra traduzida por “manso” tem a conotação de “desapegado”. Manso é aquele que já não faz questão de coisa alguma. Aquele que vê sua túnica sendo repartida entre os soldados romanos, e não a reclama para si. Já o ser humilde significa está sempre pronto a receber, mesmo quando o canal usado por Deus é de condição mais humilde que a nossa.

O chamado de Deus para a igreja deste tempo é um chamado à pobreza. Não estou falando de um voto de pobreza semelhante ao feito por monges franciscanos. Mas de uma pobreza em que admitimos que nossa suficiência vem do Senhor.

Aí poderemos nos apresentar como Paulo: “Pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2 Co.6:10).

O que constrangerá o mundo quanto ao amor de Deus não serão testemunhos de pessoas que se enriqueceram depois que abraçaram a fé em Jesus, e sim de pessoas que abriram mão de tudo por amor ao seu semelhante.
Lido emHermes Fernandes