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quinta-feira, abril 03, 2014

O ópio do homem de lata ( Uma nova conversa de inverno)






De repente uma conversa surge em meio ao sono. Dentro de um quarto escuro, em uma casa comum da cidade, um homem de lata recebe uma visita inesperada, e um diálogo desabrocha de ambos olhares que se focaram, ali no meio do tempo: 


Homem de lata : Sabe querido, estive pensando e cheguei a conclusão que preciso daquela água  que você prometeu dar aquela mulher na beira do poço, não quero mais sentir sede sabendo que você pode me saciar.  Preciso dela para limpar meu coração também, acho que tem muita sujeira cá dentro, algumas coisas  congelaram  por falta de uso e como o tempo é de frio, não encontrei outro lugar para me esquentar.

Está tão frio lá fora, que foi inevitável esfriar aqui dentro também. Infelizmente eu permiti o inverno entrar pela janela (deixei ela aberta por muito tempo). Eu sei também que dentro do meu coração só você sabe pisar, então queria te pedir outro favor, será que seria demais pedir para aquecê-lo também? Porque eu sei que na hora que você aquecer meu coração muita coisa vai voltar a funcionar.
Parece que a caixa d'água estragou, não sai mais água. Não escorre pelos olhos. Só ouço estralos. 

O jardineiro: Meu querido amigo, sabes o que estás a me pedir? Suponho que saiba que a partir de então começará a sangrar porque vou aquecer seu coração, mas sugiro que espere mudar a estação. O inverno também tem sua função. Espere que o verão já vem. Não posso mudar as estações apenas para curar você. Mas, posso te ensinar a se aquecer.
Está  disposto a doer novamente, perceber  dores, se comover com o amor, se deixar afetar? Eu acompanhei você por todos os caminhos que te trouxeram até aqui, e estou feliz que mesmo assim você ainda queira  sangrar.

Corajoso, hein?

Homem de lata: Sim, quero. Quero sangrar novamente, quero que me aqueça, quero que amoleça meu frio coração, estou cansado de não ver as lágrimas rolarem, estou cansado de ver tudo acontecer  sem ao menos ter outra reação. Estou me sentindo um homem de lata, daquele desenho, sabe?

O Jardineiro: Tava com saudades das nossas conversas, você ficou muito tempo sem me falar com palavras. Te entendo, homem de lata, eu entendo você.
Homem de lata: Nosso amor realmente é forte, ultrapassou os limites da vida, da lógica, da razão e da morte. Veja só querido eu praticamente morto e sem vida ainda sim chamei por você e você me ouviu.   
Me dê vida também?  Quero viver  !

O Jardineiro: Minha vida é sua, não entendeu ainda, que meu amor em você e por você é mais forte? Jamais estive longe, estava ao seu lado, mas não podias me perceber. 

O homem acordou assustado em sua cama, e percebeu que embora não fosse aquele ser do seu sonho, se identificou muito a ponto de pensar que era mesmo um androide.
Uma lágrima então escorre dos seus olhos, e com sorriso entendeu que seu pedido foi realizado. Seu coração foi levemente aquecido,  o resto era questão de tempo. Acordou pensando no sonho que teve, de tão real, sentiu calor. A partir de então, tudo passaria a ser diferente por causa daquele breve, eterno momento.
Se deu conta que, era impossível ter aquele sonho, de forma tão precisa.

Mas sonhou. E agradeceu. 
Aquele ser nunca mais foi o mesmo. 

Ele passou a ser humano.


Si Caetano via Diário de uma Lagarta

quinta-feira, março 06, 2014

A moça empurrada nos trilhos da Sé e a nossa contribuição diária para a desgraça generalizada.





Não tenho mais aquela velha e rasa mentalidade de quem acredita na existência de pessoas boas, e pessoas más. Basta uma auto reflexão para eu entender que, como humana sou má e boa. Depende do momento, da minha motivação, daquilo que me estimula, daquilo que me é vital, daquilo que me toca e me domina, daquilo que eu alimento a alma. Mesmo sabendo disso, tento não fazer de um momento ruim, uma maldade que vire um eco e uma desgraça real para além dos meus pensamentos viciosos. Consigo não atingir outros, nem punir outras pessoas por isso, as vezes só eu mesma tomo do meu veneno. Saber do que a gente é capaz quando contrariados, já é castigo suficiente quando temos consciência. 
            A nossa ação é estimulada por pensamentos.  É dentro da nossa cabeça que começamos a criar o nossos fantasmas, reis, rainhas, nosso mundo encantado ou desgraçado. Este mundo interno está constantemente sofrendo influências no roteiro, aquilo que nos rodeia fora pensamento, gera um outro pensamento que cedo ou tarde, muda este script. A maioria das vezes, muda para pior, para o pessimismo, para a vingança, para a maldade, para uma ação repentina, para aquilo que não gera vida e muito menos esperança. E não raras as vezes, aquele momento não reflete o contexto geral da nossa história. 
           Um exemplo claro disso, é quando eu estou tranquila no ponto esperando ônibus e vejo outro cidadão xingando, batendo boca com o motorista, sinto que ele está aclamando para eu fazer o mesmo, mesmo que eu não esteja escrevendo aquela historia para mim, naquela hora sinto indignação com o sistema público brasileiro, meus impostos, meu dinheiro e aí, quando vejo já alterei meu script do dia, e quando menos espero, outros que ali estavam fazem figuração, e aquele motorista que é tão vitima do sistema político brasileiro como eu, se irrita com as ofensas e reclamações generalizadas, cansado passa a correr e a desrespeitar os passageiros, até que ele fecha a porta no meio de alguém que estava indo alegremente pra casa  descansar e que não estava se quer a fim de reclamar, porque saiu mais cedo de casa e se preparou para eventuais atrasos. Pronto, o ciclo se encerra com todos nós,  atracados na praia da desgraça. O cenário perfeito para o crime. O descaso público, uma vítima, pessoas indignadas e um culpado (tão vítima quanto).
              Quero dizer aqui que, no que me diz a respeito não quero alimentar este ciclo de desgraça. E acho que, inconscientemente o fazemos, e de diversas formas. A indignação se não direcionada para seus alvos corretos, mata inclusive aquele que a apontou, porque ela se alastra como praga, e gera uma ira incontrolável, a indignação é a prima mais nova da desgraça e a namorada ciumenta da bondade. A indignação é uma mola que, ao ser esticada e solta vai sair batendo em todos os cantos até se estabilizar. 
           Mesmo que o motivo desta indignação seja real e legitimo, eu me preocupo muito para onde estamos caminhando com nossos scripts.  Discursos violentos sendo aclamados, posicionamentos rasos a respeito de tudo sendo levados ao pé da letra como agregadores de valor humano. Não vejo um sorriso gratuito, uma palavra real ( clichê de Facebook não conta) de incentivo ao bem comum.  As pessoas estão se alimentando de crueldade e rindo como se isso fosse seu roteiro principal desde que nasceram.
                 Hoje, as 14:40 pm, eu estava procurando videos para me distrair quando então vi a chamada de um jornal de tv dizendo : preso o homem que empurrou moça no metro da Sé. Fui ver o vídeo por curiosidade, e para tentar entender o que era aquela situação. A repórter perguntou ao homem o porque ele fez aquilo? Se ele conhecia aquela moça de 28 anos, ele respondeu que não a conhecia, mas que o mundo era assim mesmo, injusto, caótico, mau, e que ele não sabe exatamente o motivo da sua indignação, mas que a empurrou e não queria fazer isso, mas fez. Este homem é um cidadão aparentemente lúcido embora muito agitado, segundo o delegado ele escondeu as roupas usadas no crime, o que não demonstra uma atitude de alguém com doenças mentais ( ex: esquizofrenia), mas que a família se quiser pode levar laudos de médicos para então ser cogitada esta hipótese. 
               O fato aconteceu dia 26/02/2014, era aniversário dela, estava completando 28 anos. A moça por ironia da vida não morreu, mas teve um dos braços amputados. E como será que ela vai reagir a isso tudo? Indignação é o que ela deve estar sentindo agora, o que ela tinha a ver com o sentimento e o script escrito por este homem? Nada. Só foi a vítima do que ela nem sabe. Ela, no hospital perguntou ao namorado: e agora? como vou fazer sem um braço? Ele a respondeu, você continuará sendo a mulher mais importante e linda para mim.
             Eu senti tristeza, chorei e vim escrever estas linhas. Talvez essa seja a minha forma de não contribuir para a desgraça generalizada que assola nossas histórias. O amor tem que vencer.



Si Caetano - publicado no site Diário de uma Lagarta
       

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Se as Meninas do Reino...




Se as Meninas do Reino fossem um blog, ele já teria terminado.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas pelo ministério, ele já teria "caído".
Se as 
Meninas do Reino fossem um grupo de mulheres para discutir sobre mulheres, já teríamos brigado e nos separado.
Se as 
Meninas do Reino fossem "mulheres separadas por Deus" já estávamos separadas umas das outras.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas apenas pela vontade de escrever, não teríamos nada de verdadeiro a dizer.
Se as 
Meninas do Reino fossem apenas amigas, não escreveríamos nada. Apenas fofocaríamos e contaríamos nossas vidas umas as outras.
Se as 
Meninas do Reino fossem unidas apenas pela visibilidade, estaríamos buscando parceiros para divulgação e nos venderíamos ao marketing digital.

Se as 
Meninas do Reino fossem apenas uma marca, uma razão social, estaríamos longe do amor tanto quanto a China está longe da Paraíba.

Mas, se as 
Meninas do Reino não precisam de justificativas para amar, escrever, pensar, tocar e serem tocadas na alma, se elas querem brilhar sem precisarem afirmar que são luz, se elas se sentem amigas e parceiras de caminhada, se elas abrirem mão de pretensões e principalmente da vontade de agradar... 

Se elas são humanas, aí sim... por serem humanas, sangram, erram, e além de tudo, pensam, então se elas são assim, estão livres para criarem o que quiserem. Até um simples blog, até seu próprio mundo !

Se elas se amam, e amam ao Cristo então,  também podem se consider parte do reino.

Dito isso, em resumo, elas são o que são, e é só isso.

Ainda tem gente que pensa que é só.


Simone Caetano.

quinta-feira, setembro 12, 2013

Bom dia Nina Salvatore !


Nina,

Parece que nos conhecemos a anos! 

Mas não, este é o primeiro aniversário seu, que tenho a honra de comemorar contigo.  Sabe já te falei, mas vale a pena relembrar. Fui muito relutante para me aproximar de você, pensava eu que, tamanha simpatia e alegria eram apenas uma mentira colorida que vinha de você. E não, não é. Eu estava errada, ainda bem.

Você é assim, uma simpatia em pessoa, a doçura e a singeleza moram em você.

Admiro sua vontade de aprender a viver e sua busca por amadurecimento pessoal, poucas pessoas fazem isto de forma espontânea.  E tudo isso, é  espontâneo em você.

A vida não conseguiu te enrijecer,  apesar de tantas coisas duras que você já passou, e ainda vai passar, porque sabemos que nem tudo são flores pelo caminho não é mesmo, flor?

Nem todo dia encontramos Ninas pelo caminho.

Mas eu encontrei !

E hoje é o dia dela.

Parabéns pelo seu aniversário mana.


Você abrilhanta a vida, não pense o contrário jamais. 
Vale a pena ser flor, nossa flor...


Beijos da Si =)

segunda-feira, agosto 12, 2013

Amo suas coisas. Coisas com C.




Tudo começa pelo nome, é o nome que traz consigo quem ela é.
Aquela, aquela que é forte. Carla Cristina com C. Simples assim.
Passou na fila da criatividade 10 vezes antes de brindar a existência com suas peripécias.
Carlinha, que é forte já nos mostrou mil vezes como nascer e morrer. Fênix.
Ora era Buh, ora era Lúcia, ora era ela. Mas elas sempre representando um lado dela.

 Mãe, filha, mulher

.Doce menina dos cabelos pretos.

Minha eterna menina do reino.

Amiga, querida companheira.

Estou hoje mais feliz por poder dizer que você mana, está ainda mais forte do que quando te conheci.
Eu sinto isso daqui. Todos sentem.

Coisas de Fênix, coisas de Carla Cristina.

Amo suas coisas.

Feliz aniversário

=)

segunda-feira, agosto 05, 2013

Um acordo entre olhos e coração.


Depois de muitos desacertos, fiz um trato
falei com os olhos e mediei a conversa entre ele e o coração.

Tudo que é combinado, sai mais barato.
Cansei de ter despesas desnecessárias.

Afinal, são eles que iluminam todo meu ser.
Os olhos, não só os que veem, mas os que preveem.
Ver antes, significa sentir antes, doer antes.
Sempre, sem necessidade.
Às vezes, só por maldade.

E quem foi que me deu esse poder?
Saber de tudo antes de acontecer?
Mentira, não temos esse poder.
Mas os olhos sugerem...
E o coração, vai no embalo e sente !

Então, chega de sugestão !

Vai ficar assim :

Meus olhos não vão me mostrar nada
nada, que meu coração não queira sentir.


Autora : Simone Caetano
Site pessoal : Diário de uma Lagarta


segunda-feira, outubro 22, 2012

Momento : "PRONTO FALEI"







Por Regina Farias





"Não temos nenhuma obrigação de adotar clichês como postura de verdadeiro cristão ou usar certos chavões religiosos para ganhar o céu. O que vale é se há a intenção prática no nosso coração ou se estamos participando de uma farsa coletiva para bajulação/negociação divina. Jesus dispensa rispidamente os bajuladores e clama por mais 'samaritanos' que não supervalorizam as leis, regras, normas e apenas têm o gesto simples, eficaz e necessário, no momento necessário e pronto. O resto é invenção do homem religioso. No dia em que cair a ficha do religioso de carteirinha, ele vai entender o quanto seu enorme esforço por ser/parecer bonzinho e certinho é vão e patético.
Se observarmos atentamente, e principalmente despidos de denominacionismos, veremos que em suas cartas, Paulo fala de vida prática cristã. Na sua missão apostólica, sua ênfase sempre foi de apresentar instruções para uma vida cristã SINCERA no cotidiano, e não para uma vida religiosa, dentro dos moldes do líder da igreja. Inclusive, isso de pegar umas falas dele pra, em cima delas, montar uma igreja supostamente do agrado de Jesus é, na realidade, de natureza paganista.
Não perdemos nossa individualidade quando 'nos filiamos' a determinada instituição religiosa. Deus não é um tirano religioso. Aliás, foi Ele mesmo que nos concedeu essa individualidade preciosa! Adestramento é para animais, que não têm raciocínio, consciência, lucidez, senso crítico. Prerrogativas estas, que são presente de Deus a cada um, pessoalmente! E não, coletivamente, para um dirigente reacionário comandar. Senão, qual o sentido desse 'presente'? Portanto, façamos o uso CORRETO do que nos foi dado de GRAÇA.
Líderes extremamente respeitados também podem nos decepcionar. É por isso que Deus não considera posições e tipos de atuação (Rm 2.11) Uma coisa é o respeito pelo ofício, outra coisa é a fidelidade a Cristo, somente. Ninguém espere de mim, reverenciar a quem quer comandar minha vida pessoal".




Ps: Vi este desabafo sóbrio na página do Facebook da Regina e achei tão coerente que veio parar aqui no Meninas Do Reino. 

E você, o que achou?  Comente !!!!

 

terça-feira, outubro 02, 2012

Uma conversa de inverno







Amante 

Sabe querido, estive pensando e cheguei a conclusão que preciso daquela água  que você prometeu á aquela mulher na beira do poço, não quero mais sentir sede sabendo que você pode me saciar.  Preciso dela para limpar meu coração também, acho que tem muita sujeira lá dentro, algumas coisas  congelaram  por falta de uso e como o tempo é de frio..
Ta tudo tão frio lá fora, e aqui dentro também.Infelizmente eu deixei o inverno imperar por muito tempo e como eu sei que meu coração é terra que ninguém pisa apenas você, será que seria demais pedir para aquecê-lo também?  Porque eu sei que na hora que você aquecer meu coração muita coisa vai voltar a funcionar ! 

Parece que a caixa d'água estragou, não sai mais água. Não escorre pelos olhos.


Amado 

Minha querida, sabes o que estás a me pedir? Suponho que saiba que a partir de então começará a sangrar porque tocarei seu coração, espere apenas mudar a estação.

Está  disposta a doer novamente, sentir  dores, se comover com o amor, se deixar afetar? 
Eu sei de todo o caminho que trouxe você para cá, e estou feliz que mesmo assim você ainda queira  sangrar. 

Amante 

Sim, quero. Quero sangrar novamente, quero que me aqueça, quero que amoleça meu frio coração, estou cansada de não ver as lágrimas rolarem, estou cansada de ver tudo acontecer  sem ao menos ter outra reação. Não quero ser de lata. 

Amado 

Tava com saudades das nossas conversas, você ficou muito tempo sem me falar com palavras...

Amante 

Nosso amor realmente é forte, ultrapassou os limites da vida e da morte. Veja só querido eu praticamente morta e sem vida ainda sim chamei por você. 
Me dê sua vida. Quero viver  !


Amado

Minha vida é sua, não entendeu ainda, que meu amor em você e por você é mais forte? 
Jamais estive longe, estava dentro de ti, mas não podias me sentir.


Uma lágrima então escorre dos olhos da pequena. 
E com sorriso entendeu que seu pedido foi realizado. 
Seu coração foi levemente aquecido,  o resto era questão de tempo.
Mas tudo seria a partir de então diferente por causa daquele breve, eterno momento.


Simone Caetano

segunda-feira, março 05, 2012

Borboletas sempre escolhem voar.

 A moça e o tesouro.


Existe uma moça que observo a anos. Ela não me conhece muito bem, e eu ainda estou a conhecê-la mas pelo que sei dela vou falar... Essa moça que se vê lagarta, é assim: consegue ver nossa alma apenas com o olhar , eu sei porque já me olhou nos olhos e rastreou minha alma várias vezes e por isso sei o que estou falando. Dizem que ganhou esse dom do alto, é sensível que sô ela ! Esta moça é sempre percebida por suas atitudes certeiras em momentos oportunos (ou não), embora ela sempre ache suas atitudes erradas, acho que é porque … deixa depois vocês saberão. Foge dos olhares alheios como o diabo foge da cruz. Detesta ser protagonista, embora sempre roube a cena como coadjuvante, e nem perceba. Essa moça da qual falo tem um olhar fixo na linha do horizonte, e é para lá que sempre corre quando algo lhe vai mal. Espera sempre um socorro certante, embora errante, sempre volta atrás seja como uma lagarta se arrastando, ou como uma borboleta voando. Tudo vai depender do dia, lugar, clima e cor da sua alma. Assim como as estações, como os camaleões, ela sempre muda. Embora continue sempre ela mesma, firme na certeza de que ainda está incompleta, que ainda falta algo para acontecer, e acho que por isso ela tem essa “fome” toda de viver. Ela não combina com o morno, detesta o frio, embora sei que aprecia o beje, o nude, mas ela não combina tanto com eles, se acha pálida. Admira o preto, o branco, o definido, embora seja muito indecisa. 'Meio' termo só se for no 'meio de confusão' embora não procure por uma, as vezes é convidada a participar de algumas.





Curiosa, sempre está descobrindo algo novo, e como boa faladeira que é, mal acabou de 'descobrir algo' e já vai contar para quem interessar. Digo quem interessar porque ela solta o que descobriu no vento mesmo, não guarda nada para ela, principalmente se for um novo conhecimento, deve ser por isso que ela não consegue lidar muito bem com algumas pessoas que retém para si descobertas por minimas que sejam, autopreservação não seria um adjetivo apropriado para essa moça.
Ela está sempre se suicidando em favor de algo que ela julga trazer vida. Só que essa moça que tanto observo, e que tanto me surpreende tem andado 'meio diferente', o que seria normal, pois todos os dias ela se torna alguém diferente do que já foi no dia anterior, mas existe algo nela que está se mantendo, é como se uma corda a estivesse amarrando pelo pé e prendendo-a em algum momento passado e quando ela anda para frente essa corda a puxa para trás e lá está ela dentro do casulo novamente. Eu que acompanho a anos esta moça, imagino o que seja... bem. Será? Não sei mas vou contar para vocês um pouco das histórias que me contam sobre essa moça...

          

Outro dia ouvi dizer que certa vez ela encontrou o que julgava ser 'seu tesouro'. Ela vendeu tudo o que julgava ser de valor e ficou apenas com o tesouro recém-descoberto. Feliz com seu tesouro, caminhando pela estrada da vida em uma esquina qualquer encontrou alguém que dizia ter encontrado um tesouro assim como ela, e a partir de então o que era um simples encontro no caminho da vida, passa a se estabelecer como uma estação e o que era comum entre a moça e esse alguém foi se tornando cada vez mais forte. Conforme o tempo passou, não muito mas pouco tempo depois, esse alguém sugeriu que ela entrega-se seu tesouro para ele, pois assim ele entregaria o dele para ela e a partir de então os dois poderiam somar forças, dizia ele que juntos poderiam cuidar melhor do tesouro do outro como se fosse seu próprio tesouro. Como toda moça 'encantada' pela paixão e cega pela certeza, julgava ela ter esse alguém mais valor até que seu tesouro e então entregou tudo para ele, pois ela julgava ter encontrado o 'jardineiro fiel' que tanto esperava.  

                              


Dentro do tesouro dela estavam todas as suas pérolas, sonhos, projetos, sentido e sorrisos e a primeira versão das boas novas que acolhera. Como era de se esperar, essa moça que não conseguia guardar nada para ela mesma, ficou feliz em poder entregar tudo o que tinha para aquele que seria então seu novo tesouro. Porém quando ela recebeu o tesouro dele, não conseguia abrir o baú, de tanto forçar quando aberto o que ela encontrou não foi o que esperava, amargura, religiosidade, desprezo, soberba, e um cadinho de imaturidade. 




A moça ficou assustada, mas ainda feliz por ter dado seu tesouro verdadeiro para aquele que agora era o seu jardineiro fiel. Passou um pouco de tempo e esse alguém aos poucos começou a deixar as ervas daninhas crescerem, mais do que isso, começou a plantá-las. E quando a moça se deu conta, estava sozinha no jardim, sem seu tesouro, sem flores, presa dentro do casulo, se sentindo uma lagarta.

Ele se foi. E levou com ele a primeira versão da moça que observo. Tudo o que estava dentro daquele baú, fazia parte da essência dela, porém ainda não era ela. E desde então, a moça continua tentando encontrar pelo caminho rastros daquele primeiro tesouro que tanto ela amou. Embora tivesse entregado para aquele alguém o melhor do seu tesouro, ela sabia que não poderia fazê-lo por inteiro, e guardou a fé no cantinho da gaveta debaixo das suas camisetas coloridas... Sabia que se deposita-se a fé inteiramente em alguém dificilmente reencontraria os demais itens do tesouro perdido que ela tinha. Mas com a fé ainda ali, sabia que era questão de tempo para voltar a ser o que ela julgava naquela primeira versão de si mesma : completa.




E é aí que quero chegar, ela ainda não conseguiu reencontrar todos os itens daquele tesouro. E inevitavelmente , vejo que ela busca por isso todos os dias. Em seus pensamentos paira a sensação de que um dia foi completa. E tem medo que nunca mais o seja. Pelo menos enquanto viver nesse solo, nesse jardim. Ela volta sempre a essa cena. Tenho certeza que ela embora não diga, sente o peso da sua escolha, chora sozinha por não ter reconhecido o verdadeiro jardineiro fiel.



Agora me lembro de uma música que dedicaria a essa moça :
Como diz Renato Russo:

“Quem me dera uma vez, ter de volta tudo aquilo que entreguei a quem, conseguiu me convencer que era prova de amizade , se alguém leva-se embora até o que eu não tinha...”

Minhas especulações sobre esta moça ainda são apenas especulações, poderia ficar horas contando minhas impressões sobre ela, mas por ora, é só.



@Sicae_

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Diário de uma lagarta: Cheios de boa intenção.




"De boa intenção o inferno está cheio" é um ditado que não cansamos de ouvir e cá para nós, tem sentido. Para mim toda ‘boa intenção’ pode virar um disfarce...
Intenção é o desejo de fazer algo, na maioria dos casos quando se tem apenas a intenção só se tem a vontade e o verbo fazer nunca é conjugado no presente, ele fica assim, cheio de boa intenção. Para mim é um disfarce e daqueles!

Sabemos muito bem que quando queremos algo fazemos, flexionamos o verbo da forma mais ativa possível. Quando não, usamos o maior disfarce de todos: a boa intenção.

Eu ia buscar isso para você!
Eu não queria te fazer mal...
Eu não queria te magoar.
Ela era tão boa não entendo porque fez isso...
Ele era tão amável, por quê?
Eles tinham ótimas intenções a respeito desse projeto...


A “boa intenção” que me refiro como disfarce é aquela que não passa de um mero desejo. Desejos são traiçoeiros, são como serpentes no deserto em busca de alimento... Quando eles devem virar ação não viram mas quando não deveriam , quando são prejudiciais logo se tornam atos, e atos falhos.

É preciso ter uma prévia das nossas ações em pensamentos planejados sim, claro. Mas justificar a vida dizendo que tínhamos boa intenção nos nossos atos faltosos não serve para nos livrar dos fracassos em nossos relacionamentos, trabalhos, estudos entre outros empreendimentos que necessitam mais que ‘boas palavras’.

Para ir a algum lugar você precisa querer se deslocar para este lugar e ter apenas a intenção não te levará para lá. Às vezes acho que minhas ‘boas intenções’ não passam de disfarce para justificar aquele monte de coisa que eu deveria ter feito e não fiz.

O que vale é a intenção. Ah será mesmo, às vezes isso não é suficiente para a realidade afinal não vivemos no mundo das idéias. Nossa vida é no real e no concreto e aqui intenções, palavras, filosofias se não servirem para direcionar a ação, gerar movimento não passaram de palavras vazias de ação mesmo que lotadas de intenção...

Não acho possível querer fazer algo sem ter a intenção de fazer, mas é que às vezes parece que a intenção ficou mais importante que o ato. E isso que não quero viver...

E confesso estar cansada de falar e ouvir: Valeu a intenção, como se isso fosse substituir a ação.

Simone Caetano

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Dançando com a vida.




Quis fazer as pazes com a vida
olhei bem no fundo dos olhos dela , e fiz o convite
chamei a vida para dançar
ela sorriu de volta e veio ao meu encontro.

Só que eu como dançarina sou uma ótima cantora
me compliquei nos passos que ela começou a traçar
me embolei quase cai, no momento pensei : que conseguiria levar.
Mas quase desisti quando a música começou a mudar
cada hora ela pediu um ritmo, e o passo começou a apertar.
Mas ela como mestre na arte de ensinar
me deixou segui-la aos 'trancos e barrancos'
até que eu aprendesse a rebolar.

Eu me arriscava no forró 
mas quando vi já tinha dançado: lambada, salsa, tango, axé, samba...

No final das contas decidi não trapacear
disse que não sabia dançar 
Ela me olhou bem e sorriu. 
Aquele olhar me encheu o coração e então
 segurando firme na cintura da vida
dançando com a música que ela pedia, continuei.


Ela aceitou o convite, mesmo eu não sabendo dançar
mas não aceitaria a deselegância
de  largá-la sozinha no meio do salão.


Por fim eu aprendi que o ritmo pode mudar
os passos podem falhar mas, o mais
importante é dela, vida não largar.

@SiCae_



terça-feira, fevereiro 07, 2012

Vaidade x Beleza



A palavra vaidade no dicionário significa: Qualidade do que é vão ilusório. Desejo imoderado de atrair admiração. frivolidade, fatuidade, presunção.Vaidade é um dos Sete pecados capitais  e na sociedade ela tem sido o motor que move a máquina perversa de toda forma de poder.

Ser uma pessoa vaidosa no sentido literal da palavra é ser uma pessoa orgulhosa e que passa dos limites com um único objetivo ser sempre vista como perfeita diante das outras pessoas, fisicamente e emocionalmente, para assim manipular o outro ao seu bel prazer. É um tipo de miragem no deserto a medida que vai se chegando perto, se percebe que não existe. É o ouro de tolo.

O uso da palavra vaidade pode ter os pés no cuidado e não no orgulho. Cuidar de si da melhor maneira possível, é saber quem eu sou, sabendo que o limite entre o exagero e a realidade é uma linha muito tênue.

Nós mulheres sempre estamos caminhando nessa linha, tendemos fazer tempestade em copo d’água por causa do cabelo que não ficou do jeito que queríamos, por causa da roupa que achamos não ter, por causa da unha que estragou bem lá no cantinho na hora de sair ...

Quantas vezes perdemos a chance de dar sorrisos reclamando de coisas tão vãs? Essa vaidade tem que ser reconhecida e combatida, não é sinal de saúde emocional, não é sintoma de bem e não significa ser verdadeiramente bela.

Não adianta estar montada no salto, com roupas lindas e de marcas caras, maquiagem perfeita, cabelos sedosos e brilhantes sem estar com a alma em paz. Brigar com o namorado que tirou seu batom na hora de sair, com vento porque está atrapalhando seus cabelos e com o mundo porque não nasceu com o corpo daquela modelo famosa demonstra na verdade a intenção do cuidado: aparentar ser alguém que não é e nunca será: uma pessoa perfeita!

É essa vaidade que toma conta do nosso coração muitas vezes porque queremos atrair atenção para quem sabe nos sentirmos amadas, mesmo que seja superficialmente.
A carência por amor pinta um quadro diferente diante dos olhos, sobre nós mesmas e sobre o mundo a nossa volta.
Pessoas amadas são seguras, e seguramente livres para ser elas mesmas. E não o contrário.

Uma mulher bela ao meu ver, é aquela que se aceita como é se valoriza sabendo que é única, se cuida como uma miss, e está sempre pronta para sorrir como uma criança diante dos contratempos. Ela sabe que ela não é absolutamente dona de todos os olhares e nem tem tal pretensão, não é dona do mundo, nem das pessoas que ela ama e mais do que isso , ela não quer ser pois sabe que ninguém é obrigado a servi-la e quer sim, ter um coração limpo de toda espécie de maldade, escolhendo sempre a paz. É a beleza do coração que aformoseia o rosto, já dizia provérbios.

Cuide da alma primeiro, para que então todos os outros cuidados possam trazer efeitos reais. Afinal, somos uma só, por isso se o coração não ta bem, nada estará. Que a mulher possa brilhar mais que o brilho labial, de forma singela e verdadeira, não como o ouro de tolo, mas com verdadeiro valor, uma alma que realmente é banhada a ouro.

Simone Caetano


quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Cisne Negro, relíquia de colecionador.





Quando vi o filme Cisne Negro pela primeira vez, me senti muito impactada, fiquei horas pensando sobre a personagem principal, e agora que o vi pela segunda vez, ao som da trilha sonora do filme decidi registrar algumas palavras mas antes, para quem ainda não assistiu vou contextualizar a história.

A personagem principal Nina Sayers interpretada pela vencedora do Oscar de melhor atriz, Natalie Portman, é bailarina e filha de uma ex-dançarina que a todo momento mesmo que sem dizer nitidamente pressiona a filha para ser o que ela não conseguiu ser . Essa pressão imposta pela mãe, faz de Nina uma moça extremamente exigente consigo mesma e obcecada por perfeição. Em meio a tanta exigência e rigidez, se tornar inflexível e mecânica era quase inevitável.



Então, surge uma grande oportunidade na cia de dança que Nina fazia parte: ser a Rainha dos Cisnes em uma atuação dupla. Nina vê a chance de chegar além em sua carreira como bailarina, porém sua técnica e rigidez não pareciam ser suficientes para interpretar os dois personagens da peça. Em O Lago dos Cisnes, a jovem princesa Odette sofre o feitiço de um mago e se transforma em um cisne. O tal feitiço só poderá ser quebrado caso um homem a ame exclusivamente. Um príncipe se dispõe a salvá-la, mas, a ardilosa Odile sua irmão gêmea (Cisne Negro) o encanta, fazendo assim com que a promessa dele seja quebrada. Desiludida, a princesa se submete a um ato da morte, inconformada pela perda de seu amor.





O cisne branco era perfeito para Nina, pois representava inocência e a graça, já o Cisne Negro a junção de malícia e sensualidade se tornou um desafio perverso que na busca por fazer com perfeição o segundo papel leva a bailarina a 'se perder' entre a realidade e ficção. Em um ambiente de inveja, cobiça e disputas entre as dançarinas, ela vai ficando cada dia mais obcecada e sua sanidade é colocada em cheque para que o Cisne Negro ganhe forma e agrade ao diretor da peça  (seu príncipe?) que a todo momento a desafia, chamando-a de frígida, gélida entre outros adjetivos pejorativos. 


A personagem Nina faz várias perigosas denúncias para nós: até aonde podemos chegar quando deixamos nossos sonhos e desejos cegos por perfeição dominar nossa mente ao ponto de nos entregarmos ao irreal? Será que realmente sabemos e conhecemos os nossos limites? Estamos nós totalmente livres de viver tais conflitos? Será que a pessoa que atravessa seu caminho te impedindo de viver de forma plena, não é você mesmo?De uma forma amplificada para quem assiste, o filme mostra a todo momento o caminho que a mente humana pode percorrer em um piscar de olhos da existência para levar alguém ao fundo do poço, ou ao fundo do lago, no caso do Cisne Negro.  Mas o fundo do lago para o Cisne Branco, foi o ápice do sucesso.

A interpretação da atriz Natalie é brilhante, e não foi por acaso que levou quase todos os prêmios que foi indicada pelo papel, ela consegue viver a personagem de uma forma tão real que você não percebe que ela está interpretando. Apesar de ser uma história densa que a todo momento somos surpreendidos com os conflitos existenciais da personagem, o filme entra para uma lista de filmes únicos  ao explorar com intensidade a personagem principal e nos transportar para platéia do teatro. São poucas as pessoas que conseguem perceber e se colocar no lugar do outro. Ter uma alma sensível a sentimentos e realidades fora seu infinito particular é raro, é um dom. Além de enxergar com lente de aumento a própria realidade, as pessoas que são agraciadas com este dom conseguem 'ver' muito além do objetivo, do lógico, do 'faz sentido' natural. A subjetividade dos fatos faz tanto sentido para elas quanto uma equação de álgebra para um matemático. É um dom também doloroso pois quem tem essa sensibilidade natural de ver 'almas humanas' com tamanha transparência mesmo atrás de rostos sorridentes, jamais conseguirá se manter rígido a dores, dilemas e conflitos alheios, sem se identificar e sofrer junto.

Agora podemos perguntar : Quem quer sofrer junto nos dias de hoje? Quem quer ouvir histórias em que o final não seja feliz? Quem quer tentar entender uma alma atormentada ? Cisne Negro pegou uma alma e a escancarou aos nossos olhos um drama psicológico, por isso não caiu no gosto popular. São poucos os que conseguem como ostras transformar dor em pérolas, pode existir então uma beleza na dor, mas com certeza são poucos os apreciadores do roteiro.


Cisne negro é como um carro antigo, relíquia de colecionador. Porque só quem o entende vai gostar e ter em sua coleção.  Eu o tenho na minha , e você ?


Simone Caetano

terça-feira, janeiro 31, 2012

'Querencias'



  • Quero não me estranhar. E mais do que nunca saber que quando se é humano, desde os maiores erros aos acertos, tudo pode ser possível.
  • Quero não me sufocar. Não quero deixar a culpa me fazer perder o ar por não conseguir ser perfeito, mas não quero me dar 'muito corda' ao ponto de aceitar todos os meus erros como se eu não pudesse acertar.

  • Quero leveza.

  • Quero encontrar minha alma e tentar viver em paz com ela. Sabendo que ela pode voltar a ser próspera e colorida e quando encontrá-la vou entregá-la ao Pastor Supremo e assumir que fui uma péssima pastora para ela.

  • Quero voltar a ser criança e sem precisar acreditar em fadas, mas confiando cegamente que meu pai me ama, mesmo que ele me deixe correr sozinha a procura de adrenalina e veja meu tombo de longe. Joelhos ralados são sinais de que realmente se é criança.

  • Quero sempre ter joelhos ralados.

  • Quero amar, embora esta seja a minha mais louca 'querencia', amor é suicídio do eu, amor é aceitar sofrer e ao mesmo tempo sorrir. Pensando bem, mesmo assim quero amar.




  • Quero tirar a palavra FRACASSO do meu dicionário e destacar a palavra Resiliência

  • Quero escrever um livro, plantar uma árvore, e aprender a tocar violão.

  • Quero um cúmplice ao meu lado que aceite meu amor, que não rejeite meu ser, que sorria da minha intensidade em viver e que não deboche da minha lealdade. Que entenda a minha liberdade, que dê gargalhadas das minhas mancadas, mas que não zombe da minha fé.




  • Quero ter um casal de gêmeos.

  • Quero viver na realidade, embora a arte me transporte para outro mundo. Amo todas as expressões artísticas do ser humano.


  • Quero ter mais fé, na vida e quero acreditar que ela tem fé em mim. Quero saber levá-la, não quero que ela me leve.

  • Quero quando velhinha mostrar aos meus netos a minha árvore, meus livros e tocar para eles a minha canção favorita.






  • Eu quero que tudo isso se transforme em verdade.

  • Ponto Final.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Sobre o ato de amar...















Quantas vezes dizemos
que amamos a pessoa errada?
 Na verdade a pessoa errada é aquela
que não quer nos amar de volta.

Mas o amor é isso mesmo
deixar o ser amado livre
inclusive para rejeitar
nosso amor.

Amar é escolha, é um ato consciente
Deve-se saber que
receber amor de volta
não é garantido para ninguém.

Mas o ato de amar é anestésico
e aos poucos "a dor" do amor não
fará mal, mas bem.
e até consegue ser feliz
apenas por amar
não por ter alguém

É como se você  se encontrasse
o amor justificativa o ser...
Do contrário
se tem alguém ao lado
e é como se não existisse ninguém.

Se 'existe' primeiro por dentro
lá no âmago do ser

Por isso, escolher amar
é a decisão mais difícil
porém é a única decisão cabível
para levar nossa existência além.


Simone C.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Vale a pena "ler" de novo: Vestir-se de mulher às vezes é preciso



Eu sou apenas uma menina. Digo uma, duas, três vezes, mas ninguém parece me ouvir , ninguém parece se importar, não aqui nesse lugar caído da graça, nesse lugar destituído do amor. 

O mundo não para de girar por mim, nem por você.

Mas eu faço parte de um reino, e nesse reino eu sou apenas uma menina, que adora correr entre os jardins, brincar com os animais, olhar o lago, sentir o vento nos cabelos, sonhar com o futuro sem pressa, sem cobranças, sem medo, sem terrorismo, apenas sonhar e  ouvir o Rei, meu pai querido, dizer o quanto sou preciosa, o quanto Ele me ama, o quanto eu sou importante para Ele, tudo o que Ele planejou para mim. Ah, eu amo ser apenas uma menina do reino !

Mas infelizmente não posso ser apenas uma menina o tempo inteiro, não aqui. Não gosto, mas tenho que me vestir de mulher e algumas situações por aqui  exigem ter que vestir-me de mulher, para que eu possa zelar pela menina que eu sou no reino, somente assim eu me permito ser acordada desse belo sonho...

O reino de Deus ainda não está estabelecido aqui, ele ainda não pode ser desfrutado em sua totalidade pelo menos por enquanto, infelizmente aqui nem todos querem o Reino de Deus, e sim um reino particular e algumas regalias e honras como a coroa de rei.

Lembro-me do que Jesus disse, e guardo sempre comigo :
"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas." Mateus 10-16
Algumas vezes nos custa muito caro confiar nas pessoas erradas, um lobo então não deixa por menos, o prazer dele é abusar da inocência e fragilidade da ovelha. Ovelhas no meio de lobos foi a expressão de Jesus, eu acho que já vi lobos pelo caminho, alguns eu trombei, outros eu caminhei junto por um tempo achando serem ovelhas, mas o melhor de tudo é saber que Ele nos enviou no meio deles, não é algo que poderíamos evitar, muitas vezes pensamos, porque? A pergunta certa não seria talvez "porque" mas para que? Para que fossemos treinadas, para que tivéssemos a oportunidade de reagir da forma certa. Ou não, simplesmente como aprendizado, experiência.  Porque aqui, não podemos ser meninas o tempo todo, porque aqui, devemos nos vestir de mulher porque é preciso, mas sem perder a sensibilidade e o brilho nos olhos da menina que somos no reino eterno do nosso Deus.

Confesso que sinto saudades de casa, confesso que às vezes não tenho mais lágrimas, confesso que às vezes queria ser apenas uma menina sem me preocupar com nada... mas por enquanto não. Não posso me enganar. Não podemos nos enganar. Ainda existem ameaças eminentes rondando o nosso aprisco, e tentando nos tirar bruscamente os sonhos, a paz, a fé, e a certeza de que o nosso Rei está assentado no trono, nos olhando e acompanhando nossa volta para casa.  
"Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele." Mateus 11-12
Mas eu continuo sendo apenas uma menina, me visto de mulher apenas quando é preciso. Mas apenas quando é preciso. 
Roupa de mulher coração de menina, e esperança de uma guerreira é o que carrego comigo.


Vamos  lutar meninas-mulheres guerreiras do reino, a luta ainda não acabou. 

Simone Caetano