sexta-feira, maio 06, 2011

O disfarce

Depois de alguns fatos e com muitos atos esfregando nos seus olhos a realidade, decidiu.
Abriu mão da sua caixinha mágica, aquela cheia de fitas, laços, cheiros e memórias
Jogou no vento tudo, e se assustou. Já estava tão segura de que era o melhor a fazer que nem mesmo uma lágrima rolou.

Vida nova, ela dizia... pobre menina não sabia
do valor que aquela simples caixinha tinha.

Durante aquele primeiro momento, começou a ser mais dura.
Sem muitas gentilezas, apenas as normas da boa educação
a quem era devido pois é assim que manda o figurino.

Aproximou-se daquilo que agora seria seu 'novo disfarce', ser ultra racional e egoísta.
Desejou ter títulos, começou a querer ostentá-los, quis muito dinheiro
para cada vez mais se parecer com aqueles os quais ela agora queria ser.
A falta de sentido começou a imperar, e então começou a se perguntar
onde estava a felicidade e alegria que eles tantam falavam?

A falta de sentido paralisante sugou suas forças.

Um dia , encontrou um vendedor de flores pelo caminho
Ele sorriu, com uma flor na mão, estendeu para ela e disse :
Esta flor só será vista se teus e meus olhos quiserem vê-la,
mas ela não deixará de ser bela se você não à enxergar
muito menos deixará de ser uma flor.

Ela emudeceu.
Respirou e perguntou quanto ele queria por todas aquelas flores.
Ele disse o valor, e ela pagou comprou todas, agradeceu e foi para casa.

Talvez aquele vendedor de flores não saiba o que suas palavras fizeram dentro dela.
Talvez aquelas flores não tinham  valor para ninguém.

O disfarce dela começou a ruir.

E assim ela conseguiu continuar caminhando.
O sentido começou a voltar.
Ela não quer mais ter que negar.

Afinal, ela sabe que troca tudo por flores a qualquer momento.

Mas o incômodo continua em saber
que são poucos os que conseguem enxergar.

Si Caetano
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