terça-feira, setembro 13, 2011

Questão de tempo...




Aprendi que para tudo há um tempo.

Há o tempo de semear, que parece-me não acabar nunca, pois é semeando hoje que terei o que colher amanhã ou depois, no tempo devido. Esse é o tempo da colheita – e não estou colhendo sempre também? – Colhendo os frutos das escolhas que fiz ontem, no dia chamado anteontem e há um bom tempo atrás?

O tempo não para. Ele está sempre girando, movendo-se, mudando, passando muitas vezes, sem ser percebido. É moleque faceiro para a juventude, que teimosamente insiste em dele não fazer conta. E, não sabem eles, quão bem fazer em viver assim enquanto lhes é permitido esse tempo! Porque, um dia, o tempo da vida de gente grande vem e traz consigo encargos e responsabilidades que exigem de nós uma transformação em malabaristas hábeis o suficiente para administrá-lo muito bem.

Há o tempo de perder-se, de apenas se deixar levar de acordo com o que o próprio tempo vem nos oferecer em bandejas de prata, luminosas e radiantes, mas muitas vezes vazias. Então, tão rápido quanto podemos nos deixar levar nesse tempo, abrimos os olhos e percebemos que perdemos tempo em viver sem propósito ou em vão.



Vez e outra há o tempo da angústia, também da descrença e do desespero. Um tempo muito ruim e quanto mais prolongado for, tanto rouba de nós a capacidade de enxergar que há um tempo para todas as coisas, até mesmo para tempo para chorar. E esse tempo nos assalta surpreendentemente com a mentira de que não merecemos o tempo das dores, que tudo é injustiça e desperdício. Ora, mas a verdade é que o tempo das dificuldades faz parte do processo de transformação do ser. Sejamos francos e reconheçamos: aprendemos muito mais no tempo das adversidades que no tempo de bonança.

Em um tempo de reflexão, pensei que há vários tempos bons e alguns tempos maus. Desses últimos, um, especialmente, não deveria existir: o tempo de guardar rancor. Pois eis que ele se enraíza cada vez mais fundo, adoecendo a alma e impedindo que o poder do perdão aja como remédio para as dores emocionais. Nesse caso, um amigo afirmou que "é mentira que o tempo cura todas as coisas". Depois de refletir a respeito, concordei com ele. Certo dia alguém me disse: perdoe tão brevemente quando for possível, mas jamais espere que seus sentimentos mudem para então declarar seu perdão ao outro, pois é o próprio perdão que inicia a cura e a transformação

Perdoar primeiro para ser restaurada depois, no tempo certo. Sim, isso é sábio. E sabedoria é algo que também se adquire, com o tempo.


Sigo aprendendo,
#2 Andréa Cerqueira

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