quarta-feira, outubro 05, 2011

A Palavra, eu e meu medo...



Algo sobre a Palavra sempre me deu medo: o de não conseguir andar conforme ela me instrui. Há alguns anos eu pensava: “Melhor é conhecer 10% da Palavra e colocar em prática, que conhecer 100% e só praticar 10% de tudo”, continuo achando essa uma boa coisa, mas, conforme você caminha na fé cristã, é preciso conhecer cada vez mais a Palavra, primeiro porque ela é a principal forma de conhecermos a Deus, segundo, porque é refletindo sobre seus ensinamentos que aprofundamos nosso relacionamento com o Eterno e tudo isso vai nos transformando, moldando o nosso dia-a-dia.

A Bíblia tem muitos versículos que falam sobre a própria Palavra, dentre os muitos, há especialmente o Salmo 119, praticamente dedicado à importância que ela tem. Do Salmo 119, destaca-se um versículo bem conhecido e muito citado: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” (v. 105).

Na versão em linguagem contemporânea, A Mensagem, os primeiros versos desse salmo dizem:

“Você é abençoado quando se mantém na rota, caminhando firme na estrada revelada pelo Eterno. Você é abençoado quando segue suas orientações, fazendo o melhor possível para encontrá-lo. Isso mesmo – você não anda a esmo: você caminha em linha reta
pela estrada que ele designou.”

O meu receio era justamente esse, o de não caminhar firme nessa estrada revelada. É bem provável que devido a minha necessidade e autocobrança de desempenhar bem qualquer coisa na qual eu me envolvesse, eu tenha gerado toda essa expectativa sobre caminhar sem vacilar, iniciar minha jornada de fé cristã sem me desviar para um lado e para o outro, ou, como se diz: “sem abandonar o primeiro amor”. É bem verdade que há pouco mais de treze anos, nunca deixei de caminhar, de congregar numa comunidade de fé, de ler a Palavra, de estudá-la e de me envolver. Mas nem por isso julgo verdadeiro que eu não tenha deixado o primeiro amor, como se diz. Isso porque meu relacionamento com o Eterno já passou por tantas inquietações que, mesmo em temporadas em que estava completamente envolvida com trabalhos ministeriais, nosso relacionamento era praticamente vazio. Sem perceber, muitas vezes confundi “trabalhar para ele” com relacionar-me com ele.

“Tu, ó Eterno, prescreveste o modo certo de se viver, e agora esperas que assim vivamos”,
diz o salmista.

Já perdi as contas de quantas vezes meus pés vacilaram. Não sei mensurar quantas vezes me senti exausta, confusa, em dúvida ou completamente descrente de que o Deus descrito na Bíblia é o mesmo que continua a existir hoje e tem poder suficiente para interferir em nosso mundo caótico. Entrava facilmente em confusão e frustração quando orava para que algo em minha alma fosse transformado e, dia após dia, lá estava eu lutando contra os mesmos sentimentos de sempre. Mais oração, jejum, leitura bíblica, cursos e tudo o que esperava que me ajudasse e que pareciam ter um efeito temporário, bastava alguma circunstância me afetar e lá estava eu, temerosa, vacilante e frustrada, outra vez. Então, em todas as minhas fraquezas e incapacidade, foi que me rendi à graça de Deus e seu amor incondicional. Aprendendo a caminhar não mais devido a minha capacidade ou baseada nas minhas expectativas, cedi lugar ao amor do Eterno, e a primeira coisa a ser totalmente mudada foi a minha ótica sobre a Palavra, pois passei a ter muito mais paixão por ela. Sob a ótica da graça, me conscientizei de que as misericórdias se renovam diariamente sobre minha vida e de um Deus que me desafia: “Ok, minha menina, tropeçar dói, cair machuca, mas que tal levantar-se e tentar novamente? Eu te ajudo!”.

Aprendi que é preciso abrir mão de ser autosuficiente e depender do Eterno para que eu siga suas instruções e avance no caminho.

“Oh! Que meus passos sejam estáveis no curso que estabeleceste! (...) Como pode o jovem viver uma vida pura? Seguindo cuidadosamente o mapa da tua Palavra. Estou decidido na tua procura: não permitas que eu passe sem ver as placas que puseste no caminho”.

O salmista expressou bem como me sinto agora: decidida na procura pelo Eterno e, cada vez mais dependente dele para que eu veja as placas que me indicam o Caminho. A canção do salmista é agora a minha oração também.

Sigo caminhando, com a Palavra...

#2 Andréa Cerqueira
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