sexta-feira, janeiro 04, 2013

Histórias e pessoas




Faz ano que ouvi a história de Jane*.

Sempre ouço histórias e quando são boas, ou agudas, as guardo comigo.

Essa é amarga e aconteceu na Europa. Londres, se não me engano.

A história ficou conhecida quando narrada pela tevê.

Imagino o jornalista: homem sério, sentado em frente às câmeras, comentando sobre a moça encontrada morta há três meses em seu apartamento com a TV ligada, deitada sobre o chão.

As imagens no noticiário, cheias de luzes vermelhas e brancas vindas dos carros de segurança e pessoas caminhando pela calçada demonstravam uma preocupação fingida e desnecessária.

Desnecessária porque Jane não estava mais lá para que soubesse que alguém se importava com ela.

Como é difícil compreender que, durante esses três meses em que ela havia tirado a vida não notaram sua ausência.

Não ligaram. Nenhum vizinho percebeu que sua rotina tinha sido interrompida e que os jornais estavam se acumulando em frente à sua porta.

E os amigos?
Ela tinha amigos?
Onde estavam eles e a família?

Dentro dela provavelmente não tinha mais vida.

Nascemos com a responsabilidade de carregar cestas e aliviar fardos. Nascemos para receber e sermos acolhidos pelo amor.

E é verdade que todas aquelas pessoas em frente a sua casa, após ouvirem a notícia, não se importavam com ela. Queriam apenas sua história. O segredo que a tinha levado a solidão e à morte. Nada mais.

A ausência do amor é o abismo que torna histórias mais importantes que pessoas.

PS: O que aprendi com Jane?
Que o amor exige pressa. Amanhã pode ser tarde.


Bjs, Lu

...........
*Jane é nome fictício. Não sei o nome verdadeiro da moça.
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