quinta-feira, junho 09, 2011

Gente carente conversa até com serpente


Adaptei a frase que ouvi outro dia que assim dizia: “mulher carente conversa até com serpente”. Apesar de saber que nós mulheres somos seres que gostam de verbalizar sem economias os pensamentos e sentimentos...não compartilho do reducionismo da frase tanto na vida dita real, como na vida virtual. 


Dizem as estatísticas que sobram mulheres e faltam homens no país, o que vejo sobrando de fato é a tal da carência em ambas as partes.
Há um afã por carinho, atenção, compreensão. Vejo pessoas com seus “peguetes”, vejo outras com suas idiossincracias e que tomam a solidão por companhia, vejo casados, noivos, namorados, enfim, vejo gente se relacionando com gente e ainda assim se sentindo carente.

Há a solidão solitária, pleonasticamente  falando e há a solidão à dois, pertubadoramente se constatando.
Solidão que gera carência e pelo que vejo  no início de todas as coisas, lá no Éden, pode ter levado Eva a bater papo com uma serpente, a ser seduzida por uma proposta aparentemente melhor do que o seu companheiro Adão lhe havia feito.
Fico me perguntando: será que Adão estava muito ocupado trabalhando? Seria ele o primeiro workaholic da história? A culpa é de Eva? A culpa é de Adão? A culpa é da serpente? A culpa é da carência? A culpa é de Deus?
A tendência humana é culpar alguém, até mesmo Deus, mas divagações à parte, o fato é que a solidão pode ser perigosa. Como diz Lya Luft:

 “A solidão é um campo muito vasto para ser atravessado a sós”

Creio que nosso Pai Celestial não optou em criar Eva para Adão apenas em prol da criação. Sabemos que biologicamente há meios de reprodução assexuada, essa poderia ter sido uma das opções de Deus, mas não foi! Fomos criados de forma perfeita, com hormônios, sensibilidades, instintos, fomos também planejados para dar e sentir prazer na companhia de outro alguém que como Adão exclamou seria “ossos de seus ossos e carne de sua carne”.

Mas o fato é que está cada vez mais difícil encontrar pessoas para partilhar a vida, a intimidade. Aprendi à duras penas e hoje sempre digo e repito aos amigos: “afinidade podemos ter com muitos, intimidade é para poucos”.
E é aí que muitos se atropelam e tropeçam, no desejo por um relacionamento, por uma intimidade, por uma companhia, acabam dialogando e desnudando-se diante de pessoas que muito lembram a serpente do Éden.

E o que tal conversa pode render é por vezes extremamente ilusório e danoso. Li recentemente que 25% dos divórcios nos EUA se devem ao Facebook (não me pergunte se a estatística está correta), só estou usando a mesma como pano de fundo para ilustrar o fato de que pessoas carentes se conectam a pessoas carentes que podem vir a ser também pessoas-serpentes que te convencerão a ter os “olhos abertos e ter vidas como de deuses” (Genêsis 3.5) e que a vida tem mais coisas, mais possibilidades, longe do cônjuge para aqueles que são casados, longe do noivo, do namorado, há um mundo de aventuras, por que não tentar? Por que não se jogar?
E nisso, muitos se ferem, enveredam por caminhos de não-VIDA e acabam descobrindo que os olhos se abriram para algo que pode lhes trazer uma miscelânea de sentimentos mas que NÃO terá embutido em seu pacote paz e felicidade.
Sei que dia 12 de junho, dia dos namorados, se aproxima e muitos ligam o botão carência no modo turbo e acabam atirando para todos os lados. Acho que já disse isso por aqui: quem atira para todos os lados acaba atirando em si mesmo. Dilui-se tentando agradar a alguém que nem sabe se quer, mas que acha que precisa para suprir a carência.

Vejo a carência como um buraco sem fim e buracos sem fim não tapamos. Simplesmente desviamos deles quando os encontramos. O fato é que cedo ou tarde. Muito ou pouco. Sozinhos ou acompanhados nos sentiremos carentes. O que percebo é que é necessário saber lidar com algo que não é novo, mas é comum ao fato de SER humano.
Quando aquele frio no coração bater, quando aquela vontade de viver aquela cena de comédia romântica chegar, quando a imaginação voar pensando em uma festa rodeada de amigos especiais a te alegrar, enfim...quando essas horas chegarem.
Respire fundo. Assuma-se carente. Proteja-se.
Por favor meninos e meninas: não liguem para aquele (a) ex que ainda é apaixonado por você. Não vá vasculhar as redes sociais dele (a) e muito menos vá caçar alguém.
Neste momento você pode estar pensando: “peraí” Roberta, quem procura acha. Concordo. Quem procura SEMPRE acha, mas acredito que a probabilidade de encontrar encrenca, confusão e até mesmo “serpentes falantes” nessas horas é maior.
Protejam-se queridos. Fácil não é.
Há horas em que é preciso desligar o telefone, desconectar-se da internet, evitar certos lugares. Uma oração que recorrentemente faço por mim mesma é muito simples e diz assim: “Senhor, livra-me de mim mesma”. Muitas vezes somos nossos piores algozes. Por isso friso tanto a questão do auto-conhecimento (que por vezes parece mais autoestranhamento). É preciso saber quando levantar os muros de proteção. Carência dá dor de cabeça, escraviza, oprime, tiraniza e cega para aquilo que realmente pode ser bom e pode estar te esperando na próxima esquina. A esquina que cruza com o descanso, com o bem estar consigo mesmo, com a alegria de se saber boa companhia para si próprio.
Enfim...Não estou aqui para dar receitas prontas, pois como disse uma das minhas escritoras preferidas: “não me deem fórmulas prontas, pois não espero acertar sempre.” É só um pequeno alerta, numa semana em que talvez mais pessoas se tornem suscetíveis à carência diante de tantas propagandas e vitrines coloridas. Relaxem queridos e queridas. Como diz uma piada recorrente nas mídias sociais:
Por que tenho que passar o dia do namorado (a) com um namorado (a)? Eu não passo o dia do índio com um índio e nem o dia da árvore com uma árvore”
A pressão sempre vai existir para que tenhamos alguém para chamarmos de “nosso”. E quando o “nosso” vier a existir, haverá a pressão para ter  filhos com o “nosso” e por aí vai...
Não fique refém da opinião alheia, não fique refém da sua carência.
Termino com uma frase que é quase mantra para mim (depois de usar a expressão mantra, talvez queiram me apedrejar, é só licença gospel poética pessoal...rs). Mas vamos ao meu mantra, ops, frase que assim diz:

“Não procure por ninguém, não se deixe escravizar pela carência e você será achado por aquilo que é bom” [Caio Fábio]

Descansem e aquietem-se, sabendo que o Senhor é aquele que cuida de cada detalhe de nossas vidas e se tão bem trata as aves do céu e os lírios do campo, quão melhor de nós cuidará, se valemos tão mais do que as aves?

Em Amor,

Roberta Lima 
Reações:

14 comentários:

  1. Vale aqui limbrar essa linda música:

    Solidão
    Resgate

    A solidão é uma rachadura que progride na sala
    Sentado olhando para as paredes esperando que caiam
    Cair o teto sobre a cabeça pra matar as idéias
    Pensamentos rodam na mente de quem vive só
    A solidão e um velho relógio que ta fora do tempo
    Sentado olhando para os ponteiros quem não rodam
    Cair o "big ben" na cabeça pra matar as idéias
    O tempo não caminha na mente de quem vive só
    O Filho de Deus
    Amigo em todo tempo
    Faz a morada dentro de nós
    O Filho de Deus
    O Verbo que tem vida
    Presente mais que perfeito pra quem vive só!

    http://www.youtube.com/watch?v=8338UxCZTZM

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  2. Belíssimo texto, Roberta. Tomei a liberdade de republicá-lo em meu blog amanhã, ok? Espero que não se incomode...

    Prabéns pelo sucesso do blog.

    www.hermesfernandes.com

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  3. Olá Hermes,

    Claro que não...super honra para nós ter texto nosso em seu blog!

    Obrigada!

    =)

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  4. Branco,

    Boa lembrança de música...vale ouvir de trilha pessoal =)

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  5. Muito bom Roberta!
    Ri muito com o "modo turbo" e com a "licença gospel poética pessoal", rs.
    Deus te abençoe mais e mais!
    =D

    Dayana

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  6. Olá!
    Quero parabenizar pelo excelente texto! Converso muito sobre isso com as pessoas, dessa perspectiva de, antes de tudo, ser-mos felizes com Deus e com nós mesmos... E não depositar-mos nossa carência em pessoas falhas e usá-las como muletas. Por isso tanta decepção, uma vez que, em certos sentidos, depositamos no ser humano um papel que não é nosso. Só quem pode nos dar a água que mata definitivamente nossa sede é Jesus. O resto é pura consequencia desse relacionamento com Ele!
    Encaminhei o link desse texto pra muita gente querida!
    Novamente parabéns!

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  7. Day,

    Se deu para rir e refletir está ótimo...obrigada por comentar querida!

    Facundo,

    Estás certíssimo e muito obrigada por divulgar, aquilo que é para a vida e pela VIDA deve ser multiplicado...Obrigada por comentar! Já espiei seu blog e só não estou seguindo pq não está dando essa opção aqui, mas é muito bacana, tento passar lá com mais calma depois!

    Abraços querido =)

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  8. Lindo Roberta, amei seu texto e a sua sabedoria. Jesus é contigo mana. Beijos

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  9. Mana, postei no meu blog com os devidos créditos. Abraços.

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  10. Precisava ler isto, mana! DTA!

    Carência e solidão é uma m....
    Entendo quem se deixa entorpecer por alguma droga, promiscuidade, ou até mesmo por uma relação vazia ou destrutiva...

    Bjo.

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  11. Ola!!
    em liberdade postei no nosso blog, pois achei legal.
    se nao gostar é só pedir que retiramos
    obrigado

    http://igrejaverbovivo.blogspot.com/

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  12. Claudio e Luis,

    Fiquem à vontade para replicar, é só postar a fonte, como manda a ética internética...rs

    Fabiano,

    Que bom q te abençoou...é para isso que estamos aqui...abençoarmos uns aos outros...

    Abraços queridos!

    =)

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  13. Nooossa! o seu texto é ótimo...sou bem casada há 22 anos, graças ao nosso bom Deus...mas, casados ou solteiros, estamos todos sujeitos à solidão e carência, o q não podemos é nos deixar levar e nos entregar e pior, sair por aí, abrindo nosso coração prá primeira pessoa que aparecer...inda mais se confessamos ter um Deus que sempre está pronto a nos ouvir...

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  14. to vendo que já faz mais de um mês postado, mas eita coisa boa! eu já tive crises de carência federais!! hehehe maaaaaaaas aí que vem o saber LIDAR com isso. Ma-ra-vi-lho-so texto! Tem que ser pregado em todo lugar onde há a necessidade de sabedoria e sensatez.

    Beijo, moças!
    Obrigada, Roberta

    May

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