terça-feira, setembro 20, 2011

A Bíblia não nos bajula


Alguns também ficam surpresos que a leitura da bíblia não nos conduza a um mundo "melhor". O mundo bíblico definitivamente não é um mundo ideal, do tipo que vemos em propagandas comerciais. O sofrimento, a injustiça e a feiura não são retirados do mundo no qual Deus age, ama e salva. Nada é deixado de lado. Deus trabalha de maneira paciente e profunda, mas frequentemente, de maneira oculta, na confusão da nossa humanidade e da nossa história. Nosso mundo não é organizado e limpo, no qual temos a garantia de que tudo estará sob controle. É difícil acostumar-se a isso - há mistérios em toda a parte. A Bíblia não nos dá um mundo previsível de causa e efeito no qual podemos viver nossa carreira e assegurar nosso futuro. Não é um mundo de sonho, no qual tudo acontece conforme nossas expectativas adolescentes - há dor, pobreza e abuso, pelos quais gritamos indignados: "você não poderia ter deixado isso acontecer". Para muitos de nós, são necessários anos e anos para trocar nosso mundo de sonho por este mundo real de graça e misericórdia, sacrifício e amor, liberdade e alegria - o mundo salvo por Deus.

Outras surpresas ainda é que a Bíblia não nos bajula. Não há uma tentativa de nos vender algo com a promessa de tornar a vida mais fácil. A Bíblia não nos oferece segredos, que frequentemente imaginamos, para prosperidade, prazer ou aventuras. A realidade que surge quando lemos a Bíblia tem a ver com o que Deus está fazendo por meio de um amor salvador que nos inclui e a tudo quanto fazemos. Isso é algo totalmente diferente daquilo que imaginou nossa mente atrofiada pelo pecado e culturalmente confusa.

Mas a nossa leitura da Bíblia não nos dá acesso a um catálogo para encomendas de ídolos que podemos escolher e satisfazer nossa fantasia. A Bíblia começa com Deus trazendo a criação e a nós à existência por sua palavra. E continua com Deus entrando em relações pessoais e complexas conosco, ajudando-nos e abençoando-nos, ensinando-nos, corrigindo-nos e disciplinando-nos, amando-nos e salvando-nos. Isso não é fuga da realidade, mas o mergulho na própria realidade - uma vida sacrificial, mas no fim das contas melhor.

Eugene Peterson - The Message

(*) grifos nosso
Meninas do Reino
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