segunda-feira, janeiro 09, 2012

Das coisas simples: o cotidiano pode ser bom!

Tenho dedicado um tempo para ler mais e estou numa fase “autores nacionais”. Assim, aproveitando a Máquina do Saber instalada no terminal central da minha cidade, tenho emprestado alguns livros do acervo. Já li Clarice Lispector, Rubem Alves, Cecília Meireles, Caio Fernando Abreu, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Aproveito meus trajetos semanais para ler enquanto me desloco de casa para o trabalho e vice-versa, assim, além de aproveitar esse tempo, faço da literatura um bom alimento, afinal, ler faz um bem enorme.

Hoje é bem comum ver pessoas com fones de ouvidos plugados nos celulares ou aparelhos de áudio, ouvir música é sempre algo agradável. Exceto se a música que sou obrigada a ouvir é aquele pancadão barulhento que alguém no ônibus quer que todos os demais passageiros escutem também. Outro dia um rapaz resolveu compartilhar um desses e então o funk começou com um vocal de voz rasgada que gritou: “Chóóóóóóóóó... chora loirinha, loirinha chora, loirinha, loirinha chóooooo...”, e um pensamento sarcástico veio à minha mente: “Cadê essa loirinha desgraçada que não chora logo pra esse cara parar de gritar?!”.  ¬¬’ . Tem também aquele crente ouvindo um louvor e resolve compartilhar a “bença” com todos os presentes, provavelmente ele acredita que está evangelizando. Sei que somos todos livres para ouvirmos o que gostamos, mas em se tratando de transporte público, acho que “cada um no seu quadrado” é bem melhor. Ouvi dizer de uma cidade no interior que está mobilizando uma campanha para que as pessoas escutem músicas com fones de ouvido e não atrapalhem os demais passageiros. Acho justo.
De qualquer forma, essa coisa toda é até divertida. Gosto de ver mais pessoas lendo nos ônibus, povo das classes menos privilegiadas no nosso país e que tem cada vez mais aproveitado para mergulhar nas aventuras literárias. Esperei por um bom tempo por um exemplar de um livro do Caio Fernando Abreu, por exemplo, que parece ter caído no gosto popular, vê-se a exposição de citações e frases do autor nas redes sociais. É muito bom encontrar pessoas bem educadas, embora pareçam cada vez mais raras no transporte público, tanto que, a cada boa ação, olhares surpresos aos lados e respostas tímidas que sussurram um “muito obrigado”, chamam a atenção. Gosto também de observar as pessoas cantarolando o que estão ouvindo, balançando a cabeça e até o corpo. Música pode ser terapia para um cotidiano que nem sempre é leve e fácil.

Sobre o cotidiano, o Caio Fernando Abreu declarou certa vez: “Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. quero ser diferente. eu sou. e se não for, me farei.”. Assim também vou eu, de um lado para o outro, ora caminhando entre poesias e versos carregados de emoções, percepções e indagações, ora cantarolando também algumas canções. E assim essa parte do meu dia deixa de ser tão mecânica e automática e passa a ter vida. E isso é muito bom.

Lendo, ouvindo e aprendendo...
#2 Andréa Cerqueira
Reações:

8 comentários:

  1. To rindo até agora... kkkk “Cadê essa loirinha desgraçada que não chora logo pra esse cara parar de gritar?!”. Gostaria de ter o habito de ler livros, nunca tive muita paciência para ler. Hoje, com a internet, passei a ler artigos de blogs e sites variados. Mas, com relação a ler livros, nada! PAZ!

    PAZ!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Fabiano!
      Que bom que riu, viu?! hehehe É isso, o cotidiano (mesmo com os pancadões) pode ser bom!

      Isso mesmo, não desista da leitura, mesmo que seja pela internet! Eu adoro livros, como diz um primo meu: nada como o prazer de folhear as páginas!
      =] mas o que importa é lermos e refletirmos sobre tudo! Um abraço!

      Excluir
  2. Ôlas moças,

    Me identifico bastante com este post, pois também retomei a leitura e o tempo de deslocamento entre casa/trabalho/casa, geralmente é o que me resta para distrair a mente com um livro ou outro.

    E ninguém merece aqueles celulares com sons rachados de funk de morro para irritar nossas vidas.

    Um belo post!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Guigo!

      Valeu por comentar aqui! Pois é, nós que usamos o "busão" temos que lidar com essas peças raras né?! Hoje reencontrei o moço do "chóóóra loirinha"!!!! kkkkkkk ela continua teimosa!!!

      =]

      Um abraço!

      Excluir
  3. cadê a loira que não chora?
    kkkkk
    Déia querida, ótimo post!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Falaaaaaaaa Sandro!!!!
      Cara, hoje eu reencontrei o rapaz no busão, o funk era qualquer coisa com "tapa não, tapa não, tapa, tapa, tapa não"... depois sabe quem apareceu?! Pois é, a loirinha!!!! Deve ser carma isso!!! hehehehe

      Mas vamos que vamos, nos divertindo!!!
      Um abraço!

      Excluir
  4. Preciso dizer que tive um ataque de risos com o :
    '“Chóóóóóóóóó... chora loirinha, loirinha chora, loirinha, loirinha chóooooo...”, e um pensamento sarcástico veio à minha mente: “Cadê essa loirinha desgraçada que não chora logo pra esse cara parar de gritar?!”' hahahahahahah


    Amo-te, vizinha!

    ResponderExcluir
  5. Ai Lu, fazer o quê?! kkkkk eu e essa minha mente!!!!
    huahuahuahuaua

    SSF vizinha!
    =]

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, crítica ou observação. Queremos saber o que estamos transmitindo a você.
Mas, deixamos claro que comentários ofensivos não serão publicados.