segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Piraicá


Piraicá é uma cidade pequena com muitas ruas de terra. Nem o mapa cita ela.

A cidade é simples; Simples e encantada. Lá, as pessoas acreditam nas estórias contadas por boca de criança. Magia, pra eles, é coisa sagrada.

Na placa de entrada há uma grande placa velha, de cor ferrugem e desenho retrô:

É proibido o desencanto

Eis o primeiro mandamento em forma escrita, sem muitos rodeios.

Na praça principal, em frente à igreja ‘Joana Nos Salve da Tristeza’ tem uma árvore grande e torcida com mais de centenas de anos. Conta-se que fadas moram no primeiro grande tronco.

A primeira (e última) pessoa a ter visto fadas foi Marina. Hoje, mulher crescida e apequenada pela muita idade. Na época tinha cinco anos e, cansada de brincar de correr, se aproximou-se da árvore para descanso.

Observou, com o canto dos olhos, pequenas luzes dançantes; e absorvida pelo inusitado, se aproximou ainda mais.

Ouviu sons.

Era um barulho fino e agudo, como a tecla última do piano tocada muito rápido e muitas vezes.

‘Tinham cores como estrelas' - conta Marina com os olhos em brisa - 'Tinha fada azul e fada vermelha, tinha fadas de todas as cores. Menos roxo! Ninguém é capaz de imaginar o por que...'

Ela conta que depois desse dia seus olhos se abriram para os detalhes; Não havia passeio que fizesse que não procurasse fadas e encontrasse flor.

É fato que, depois disso, nunca mais fadas foram vistas, apenas sonhadas por muitos moradores e turistas.

Alguns juram de pés juntos e dedos soltos que, de madrugada, quando a cidade faz silêncio, é possível ouvir o som agudo das fadas inquietas.

Mas logo explicam:

Só ouve quem acredita!

A história da árvore se tornou sagrada. Mais sagrada que a própria igreja ‘Joana Nos Salve da Tristeza’. Talvez porque o encanto tivesse matado a tristeza e Joana não precisasse mais se preocupar.

Se existe algo encantado naquela árvore? Não sei, mas eu escolhi acreditar.

Pensar que lá moram pequenos seres cheios de luz e cantos deixava Piraicá mais bonita.

Às vezes, a gente acredita só pela beleza...


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Conto contado e escrito por: Luciana Leitão (a Poulain!)
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