segunda-feira, janeiro 06, 2014

Como ver a dor e não se comover?


Como ver a dor e não se comover?
Como ver?
Como viver?
Como conviver?
Como não se ver no outro?
No semelhante tão diferente?

O grito silencioso dos desvalidos.
O tormento dos incompreendidos.
O choro sufocado e reprimido de tantos perdidos.
Perdidos de si.
Perdidos em si.
Perdidos aqui e ali.
Alheios às dores do humano.
Estranhos à frágil humanidade.
Vazios de sentido.
Vazios no sentir.
Na sofreguidão de possuir, as mais variadas injustiças tendem a consentir.
Como não sentir?
Como não se ressentir?

Como não esmorecer diante do vago mundo?
Vasto mundo por vezes tão vagabundo.
Como ser interrogação em meio a tantos pontos finais?
Como ver tantas perguntas sem respostas?
Como viver com tantas inquietações?
Como conviver com tudo isso que lacerantemente dói?
Vida que dói e corrói.

Como viver com paixão?
Como exercer compaixão?
Como ver e não se comover?

Como conviver?
Como viver?
Como simplesmente ser?

Roberta Lima

Poesia do dia:

...Meu Deus, por que o mundo me comove tanto? É só dar dois, três passos, ver o olho do cavalo, o olho da vaca, ver o homem meu Deus, o homem, esse abismo mais fundo que me come, meu Deus, a memória tristíssima de tanta inocência, como  eu gostaria de arrancar a minha pele sem medo e mostrar meu todo para o outro.(Hilda Hist)

Oração do dia:

Que possamos ver a dor, nos comover e assim nos mover, como o Mestre, que movido por íntima compaixão tocava ao seu próximo.

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