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quinta-feira, março 20, 2014

Olhar

Olhar 

por Fábio de Melo 






O medo começa a diminuir quando somos olhados nos olhos. A psicologia nos ensina que quando somos olhados do jeito certo, cresce em nós a crença em nós mesmos. Isso que me fascinava em Jesus. Não era apenas a força de um argumento, de uma pregação, mas a força de um olhar. Ele penetrava na pessoa e vivia o mesmo tempo que ela. Amar é viver o tempo do outro. 

Recebido por email

sábado, janeiro 18, 2014

Deus não tem pressa



"Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão a Davi,
catorze de Davi até o exílio na Babilônia, e catorze do exílio até o Cristo."

(Mateus 1:17)

Ainda sobre a genealogia de Jesus, é interessante observar que ela aponta para um fato: Deus não tem pressa. No propósito de intervir na história de homens e mulheres com suas histórias confusas e complexas, Deus parece se mover, passo a passo, com profunda segurança, no tempo certa e da forma correta.

Deus trabalha na história como um agricultor trabalha em seu campo. Ele prepara o solo, semeia a semente, cuida da plantação e colhe seus frutos. Deus parece considerar os limites da percepção e compreensão humana ao estabelecer o ritmo de seu mover na história na direção de seu propósito.

O mesmo acontece em nossas vidas. Deus demonstra paciência ao esperar o tempo em que nos conscientizamos da necessidade de um Salvador e nos rendemos ao amor. Em seu amover em nossas vidas, muitas outras coisas Deus deseja fazer, mas espera pacientemente pela nossa compreensão de sua sua vontade.



(Devocionário A Jornada - volume 4)

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Entre nomes e histórias, uma verdade



"Abraão gerou Isaque;
Isaque gerou Jacó;
Jacó gerou Judá e seus irmãos."

(Mateus 1:2)


A genealogia de Jesus nos apresenta uma sequência de nomes que a maioria das pessoas tem pouco ou nenhuma familiaridade. No entanto, por detrás de cada nome existe uma história marcada por lutas, adversidades, erros, intrigas, ciúmes, conflitos, traições, medos, desconfianças, entre outras coisas.

por isso, na medida em que lemos a genealogia de Jesus, mais e mais nos convencemos de uma verdade: a humanidade precisa de um Salvador. A história por detrás de cada nome clama por uma intervenção que liberte homem e mulheres desta tendência destrutiva, restaurando neles a conexão com Deus.

Jesus é esta intervenção que vem dos céus. Ele vem para resgatar homens e mulheres de suas histórias confusas e complexas e trazê-los de volta aos braços do Deus Criador e Pai, lugar onde poderão experimentar a transformação de suas vidas e o redimensionamento do rumo de suas histórias.


(Devocionário A Jornada - volume 4)

sexta-feira, setembro 06, 2013

Continuando



Perguntaram por mim?
E o que disse?
Pode dizer.
Se nada sabem, diga que vou bem.
Diga que ainda sonho às vezes.
Que as bandeiras estão rasgadas, puídas, desbotadas, mas que ainda tremulam.
Que voltei lá na Vila esses dias, pra rever os amigos antigos.
Alguns se foram de lá, outros se foram daqui. Cansaram da terra. Eu continuo por aqui.
Diga que ainda acredito nas gentes. Nem um pouco menos. Um pouco mais talvez. Acredito mais em menos gente, mas acredito. Tem gente boa sim. Tem gente má também. Mas gente má dá conta de si.
Acredito em Deus. Oro, rezo, faço promessa. Acredito mais ainda. Se não fosse Deus… Não sei muito dele, mas acredito. Não é possível que as coisas sejam só isso aqui que vejo, que pego, que entendo. É mais que isso. Muito mais. Eu acho. E se não for, só de acreditar já vale.
Fala que comprei uma viola caipira. Mas que não sei mais tocar. Na verdade, nunca soube. Mas só de tê-la ali, me sinto feliz. A gente precisa de símbolos que nos remetam a algum lugar e que nos lembrem de capítulos bonitos, só por estarem ali, encostados n’algum lugar onde consigamos vê-los.
Diz que ainda ouço rock e música caipira, mas que aprendi a gostar de MPB. Que pra gostar, é só ouvir. No começo, dá um sono, mas depois vicia. Diz que ainda ouço Legião do mesmo jeito, ouvindo a letra como se tivesse conversando com o Renato Russo.
Fala que sorrio menos, mas também choro menos. Aprendi o valor das lágrimas. Elas só valem de vez em quando. Mas de vez em quando valem muito. Que se for pra desperdiçar, melhor desperdiçar risadas e esbanjar sorrisos. Que quando a vida endurece, a cara fecha, mas sempre vale guardar um sorriso, mesmo que lá pro fim.
Fala que reencontrei o Vinícius. Que amizade sincera pode congelar um tempo, mas é só requentar que fica boa. O Júnior também tá bem, correndo atrás da vida. Thiagão tá adulto, mas continua legal. Meu irmão dando aula em universidade, acredita?!
Diz que as crianças tão grandes. E que o tempo passa tão rápido. Mesmo. Foge feito vento da mão de quem tenta manipulá-lo. E por isso reclama atenção. Se não der, ele pune com um remorso de doer.
O tempo… Aprendi que o tempo só anda de ida. Que a gente passa tempo demais remoendo o tempo que já foi ou o tempo que ainda não é. E o único tempo que temos, o tempo de agora, se sente órfão da gente mesmo. E daí vai embora.
Mas fala que tô bem.
Que aprendi a namorar a Lua. Que ela é linda, mas não é fácil. Que às vezes brilha cheia, de ofuscar os olhos da gente. Às vezes míngua e suga até o que a gente não tem. Mas volta crescente até se fazer nova, lindamente nova.
Futebol? Continuo fanático, mas não aprendi a jogar. Insisto porque gosto, porque sou de insistir, porque a vida é insistir e insistir. Mas, melhorar, nada…
Diz que viajei por aí, mas que não sou de postar fotos. Que algumas memórias são para os olhos e para o coração. E só.
Fala pra me adicionarem no face, mas que estou esperando pra um café. Não bebo café, mas sei fazer. Café não é uma coisa literal. Café é uma ambiência. Tipo o facebook. Só tem sentido se nos levar ao encontro.
Fala que voltei a ler poesia e a escrever crônicas. Ninguém as lê. Pergunte se posso mandar algumas. Escrevo para mim, pra ler no futuro, pra lembrar como a vida estava, como eu a via, como a sentia. Talvez não leia nunca, mas escrever é tipo saborear uma porção de eternidade. É saber que um dia, mesmo sem estar aqui, isso pode parar nos olhos de alguém. Quiçá num coração. Pode parecer pretensioso, mas escrevo para, n’algum tempo, ser lido.
Diz tudo isso. Ou não diz nada.
Diga só que vou bem e que a vida é continuar.
Que às vezes é viver e em outras, sobreviver.
Mas é continuar, sempre.
Então diz que tô continuando…
Fabricio Cunha

sexta-feira, julho 05, 2013

CRER É TAMBÉM PENSAR


Anselmo de Cantuária, teólogo e filósofo cristão do século XII, disse que teologia é “fides quaerens intellectum” – fé em busca de entendimento. Especialmente em se tratando da experiência religiosa cristã, essa questão ganha proporções de maior seriedade. A fé cristã é baseada na afirmação de que Deus se revelou aos homens. Algumas pessoas testemunharam suas experiências com um Deus [Yahweh] que se lhes manifestou e com elas falou, como foi o caso de Abraão, Isaque, Jacó, José e Moisés. Os relatos desses homens foram sendo colecionados e transmitidos oralmente, e aos poucos foram formando a identidade de um povo que veio a se tornar a nação de Israel. A tradição oral foi compilada em textos, que gradativamente ganharam status de norma para as crenças e conduta do povo que se estruturou em bases políticas, éticas e religiosas. Vieram os reis, os sacerdotes, os sábios e os profetas, que acrescentaram suas narrativas orais e escritas, até que se consolidou um texto considerado sagrado, que conhecemos como Escrituras, Bíblia Hebraica ou Antigo Testamento.
O Antigo Testamento conta uma história de, aproximadamente, 4 mil anos, até surgir sua personagem central: Jesus de Nazaré, também chamado Cristo, que identificou a si mesmo como o Messias de quem falavam as Escrituras do povo hebreu. O próprio Jesus se compreendia como cumprimento de todo o propósito da revelação de Yahweh, e muitos creram em sua mensagem. Os seguidores de Jesus se ocuparam em registrar sua biografia, que conhecemos como Evangelhos, interpretar as Escrituras hebraicas, e iluminar sua pessoa e obra em textos que ressignificaram todas as crenças antigas a respeito do Deus outrora revelado como Yahweh. Os novos textos - os Evangelhos, Atos dos Apóstolos e Epístolas dos Apóstolos, mais o Apocalipse - foram definidos como sagrados para os cristãos e hoje os conhecemos como Novo Testamento.
A Bíblia Sagrada (Antigo e Novo Testamentos) é o fundamento das crenças cristãs. Mas as crenças não são o objeto da fé, pois a fé se destina à pessoa que revelou a si mesma. Isto é, os cristãos não creem na Bíblia, creem em Deus conforme revelado na Bíblia. É verdade que Deus é sempre maior do que a revelação que faz de si mesmo, e maior ainda do que as interpretações que se façam a respeito de sua revelação. Mas ainda assim é incoerente afirmar que a revelação de Deus está aberta à subjetividade, isto é, livre da lógica intrínseca à Bíblia. Afirmar que a verdade revelada prescinde da lógica é transformar a pessoa revelada numa mancha de teste psicológico: cada um vê o que quer ver, o que implica esvaziar a identidade da pessoa revelada, deixando-a à mercê do intérprete. Afirmar “não importa o que você disse, mas sim o que eu ouvi”, equivale a dissolver você e o que você diz, isto é, você morre como pessoa que fala e eu me afirmo como pessoa que ouve, independentemente de você e do que você diz.
Imagine que você está em viagem, pergunta para que lado fica a cidade de Salvador, e o informante responde que depende de você, de sua percepção e crenças a respeito dos pontos cardeais, e de sua visão do sol: “Salvador fica no seu coração, meu rei, basta segui-lo”. Você desconsideraria o informante em razão de ter recebido uma orientação absolutamente inútil ao seu propósito de alcançar um destino. Podemos dizer o mesmo a respeito da crença em Deus: a Bíblia Sagrada é o universo de referência para quaisquer que sejam as percepções a respeito dEle.
Mais do que simplesmente ter crenças a respeito de Deus, importa confiar em Deus, isto é, ter fé. Mas para confiar em Deus, é necessário acreditar em alguma coisa a respeito dEle, isto é, ter crenças. Crer é também pensar, e pensar respeitando os limites da revelação que Deus faz de si mesmo na Bíblia Sagrada e em Jesus de Nazaré. Sob pena de se tornar mera superstição, crença sem fundamento, a fé e a crença em Deus devem ser articuladas na tensão entre o texto que revela a pessoa e a pessoa revelada no texto: a Bíblia e Deus, Deus e a Bíblia.

sábado, junho 08, 2013

Pazes com o tempo

Uma das mais enriquecedoras tardes havia sido a que conversaram sobre o tempo. Enquanto ele balançava lentamente na cadeira, enrolava na mão a bengala encenando o quanto suas palavras carregavam ritmo e tinham a capacidade de embalar os pensamentos de todos.

Falava com autoridade de quem já tinha vivido muito tempo e, mais que isso, tinha vivido muito em cada tempo. Seus olhos transmitiam a densidade de quem não aceitou vir à passeio, mas decidiu protagonizar cada momento.
Dizia que o tempo é implacável, não perdoa e cumpre tudo o que promete. É a realidade mais leal à vida, não se perde, não atrasa, não falha.
Roçando a barba farta e esbranquiçada, fechava os olhos como quem buscava a melhor maneira de explicar seu ponto de vista. Satisfeito com a ideia, se debruçou no apoio sempre presente, inclinou pra frente o corpo, esperando a atenção redobrada de todos, dizendo:
- O tempo é grande amigo, sim grande amigo.
Desfez de uma vez o olhar ansioso de quem imaginava que um velho só poderia dizer que o tempo é ardiloso.
- Todas as sementes que plantei, ele esperou brotar, como uma testemunha de minha existência. É um amigo atento e companheiro.
Riu de si mesmo. Lembrou de muita coisa. Viu a impaciência da infância, a urgência da juventude, o desnorteamento da primeira idade adulta, as pazes feitas com o amigo na velhice. Paciência é a celebração das pazes com o amigo tempo.
- Acontece que eu nem sempre plantei as melhores sementes, brotos precisaram ser arrancados depois. Algumas vezes o trauma da terra foi tão grande que espaços do terreno precisaram ser desprezados no próximo plantio.
Lembrou-se também com ternura do quanto o tempo o ajudou a perdoar. Uma decisão é como uma semente que o tempo faz crescer.
Ninguém deve esperar o tempo passar para resolver alguma coisa que pensa não poder dar conta de resolver. Ele, por si só nada pode realizar, ele é apenas o amigo, grande companheiro, que testemunha e legitima cada uma de nossas escolhas.
Alexandre Robles

sábado, abril 06, 2013

:: Sobre (in)Feliciano, a mídia e os missionários brasileiros no Senegal ::





Um homem e uma mulher, ambos brasileiros e cristãos, estavam presos no Senegal há 5 meses em condições humilhantes. A acusação? Uma inventada formação de quadrilha somada a um falacioso tráfico de menores. Na prática? Ajuda a crianças carentes e ensino da Palavra de Deus. Na realidade, perseguição religiosa institucionalizada, deflagrada por um pai que viu seu filho se converter do Islã ao Cristianismo.

Você viu a mídia se engajar na luta pela libertação desses dois missionários? Eu não. O que vi - e continuo vendo - são manchetes e mais manchetes sobre o (in)Feliciano, o beijo gay e a Daniela Mercury assumindo que “Malu agora é minha esposa”. O que li - e continuo lendo - são notícias e mais notícias sobre torcedores do Corinthians presos na Bolívia há 2 meses pelo disparo de um rojão no estádio que acabou tirando a vida de um jovem inocente. Não me impressiona mais a mídia explorar em excesso temas sensacionalistas e ofuscar temas legítimos e de suma importância de verdadeiros cristãos.

Você viu o governo brasileiro defender e intervir efetivamente em âmbito internacional em prol desses dois missionários brasileiros? Eu não. Na verdade, o que vi foi o governo se empenhando muito mais efetivamente pela libertação dos torcedores corintianos. Não me impressiona muito a falta de interesse do governo brasileiro em proteger seus nacionais das mãos de violadores de direitos humanos - principalmente quando esses nacionais são cristãos.

Não fosse a união e o empenho internacional do corpo de Cristo - inclusive da ONG Rio de Paz -, esses dois irmãos ainda estariam confinados lá naquele martírio legalizado.

Hoje, cinco meses depois e pela graça de Deus, José Dilson e Zeneide foram libertos temporariamente por um habeas corpus, até o julgamento final em 30 dias.

Continue orando e atento à verdadeira realidade; não à realidade publicada. Porque daqui a 30 dias, o (in)Feliciano continuará sendo notícia nos jornais e com certeza ainda haverá outros beijos gays para entreter o circo. Afinal, o palhaço jornalístico brasileiro clama sempre carente por atenção e aplausos. Não existem muitas notícias mais importantes do que essas para serem divulgadas. A verdadeira realidade dos verdadeiros cristãos não vende jornal. 



Por Fernando Khoury

*Se quiser saber mais: http://portugues.christianpost.com/news/missionarios-brasileiros-presos-no-senegal-conseguem-a-liberdade-provisoria-15636/

segunda-feira, abril 01, 2013

Nos deram espelhos


- Tá bom, eu conto, deixa eu falar como foi. A gente estava na cozinha.
- Todo mundo?
- Todo mundo não, né tia, vocês estavam dormindo.
- Para! Você sabe que ela está perguntando se todas as crianças.
- Isso, quero saber se estavam todos aqui
- Estávamos – disseram cantando.
- Deixa eu contar.
- Não, eu falo.
- Chega. Fale você.
- Tá. Assim, a gente estava brincando de TV, era um programa que tem comida, aí o Fe, a Lu, e o Mi eram o auditório, a Pri era a cozinheira.
- Cozinheira não! Chef.
- Tá, tá bom, Chef, que seja. Então, a Pri era a Chef. A Vaní era a apresentadora e o Samuca era o câmera.
- Ok, mas eu só quero saber quem foi que pegou o espelho que estava lá na sala, trouxe pra cozinha e deixou cair. Poxa! A tia sempre disse pra vocês que esse espelho era muito importante, eu deixo vocês brincarem na casa toda, só peço pra não mexerem nele.
- Mas não fomos nós! Falaram desorganizados, mas quase todos juntos.
- Como não? Então quem foi? Aliás cadê o Gui?
- Ele foi dormir antes de brincarmos.
- Chama ele pra mim.
- Pode deixar que eu vou.
- Eu vou perguntar, um por um. Foi você?
E assim, tia e sobrinhos deram início ao interrogatório, ela queria mais era ensinar a importância de assumirem seus erros que qualquer outra coisa. O espelho era sim importante, lembrança da bisavó, mas o mais importante, por ora, era a lição.
Todos negavam, com caras angelicais e olhar puro, estavam com as mãos pra trás e evitavam mira-la até quando podiam, baixavam a cabeça e faziam beicinho de quem se sentia injustiçado por estar naquela situação.
Ninguém assumia a culpa. Até que um deles resolveu apontar pro lado e culpar alguém.
- Foi ele, interrompeu.
- Eu não, seu mentiroso! Foi ela.
Estava armada a confusão, para fugir da responsabilidade, desde que o mundo é mundo, ainda naquele primeiro Éden, toda vez que uma pessoa se vê acuada, a primeira saída é apontar o dedo pra alguém.
- Oi tia, o que foi? Nossa! Quem quebrou?
- É o que queremos saber, Gui, você foi dormir a que horas?
- Logo depois da senhora, quando a senhora pediu pra apagar as luzes.
- É tia, ele não estava brincando com a gente não!
- Bom, então você não foi, né?
- Pode ter sido eu sim. Interrompeu o menino pra surpresa de todos.
- Mas você não estava dormindo? Perguntou a tia.
- Estava, mas é que eu sou bem capaz de fazer essas coisas, já quebrei o relógio da vovó, o quadro da mãe do meu amigo, o prato de parede da minha mãe. Vixe, já apanhei muito por conta disso.
Todos riram numa descontração momentânea, mas sabiam que não era ele.
- Mas por que você está dizendo que pode ter sido você? Ou foi, ou não foi.
- É que não lembro. Eu sou sonâmbulo tia, uma vez eu saí correndo pela rua, de madrugada, porque sonhei que tinham roubado minha bicicleta. Então, eu posso bem ter quebrado o espelho.
- Mas se você estava dormindo, se não estava brincando e fazendo bagunça, se poderia ter dito apenas que não tinha nada a ver com isso, por que está dizendo que pode ter sido você? A tia perguntou com óbvia curiosidade ao ver uma criança tão segura e franca.
- Ah, sei lá. É que eu me conheço, sei que posso fazer isso, sou criança né tia, a gente faz essas coisas mesmo.
Nesse momento, o espelho, as intrigas e a dedodurice de cada um, a cena teatral e pedagógica, tudo foi perdendo força diante da demonstração de maturidade que o menino dava. E suas palavras fizeram eco em sua alma. Ela disse que amanhã falariam sobre aquilo, disse para irem dormir e enquanto ia atrás de todos, apagando as luzes de cada cômodo no caminho, pensava consigo.
O menino havia ensinado mais do que ela planejara pro momento. E ensinou especialmente a ela, revelou profundezas de sua alma. De fato é assim mesmo que é.
Enquanto passamos a maior parte da vida dedicando esforços para fugir das responsabilidades e utilizamos a culpa do outro para nos fazermos e nos sentirmos isentos, o bom mesmo é quando assumimos que se não fizemos aquilo, poderíamos ter feito.
Isso é profundo, porque devemos olhar para as pessoas com a consciência de que poderíamos ter feito o que fizeram. É autoconsciência, é maturidade.
Não somente assumir o que faz, que já é louvável numa sociedade em que a maioria acusa o do lado ou diz que não sabia de nada, mas assumir que poderia ter feito, isso nos faz solidários e quem se coloca como igual, passível das mesmas fraquezas, não pode julgar, pode apenas compreender o outro.
Apagou as luzes, deitou-se na cama, virou pra apagar o abajur e viu a si mesma como nunca antes, percebeu uma luz acendendo dentro de si mesma e com a alma iluminada, viu. E ver a si mesmo é muito bom!
©2013 Alexandre Robles

domingo, setembro 16, 2012

Escolho o amor...


Nenhum fato justifica o ódio; não há injustiça que justifique amargura. Escolho o amor. Hoje amarei a Deus e o que Ele ama.

Escolho a alegria...

Convidarei o meu Deus para que seja o Deus da circunstancia. Recusarei a tentação de ser cínico... a ferramenta do pensador preguiçoso. Recusar-me-ei a ver as pessoas como nada menos que seres humanos, criados por Deus. Recusar-me-ei a ver qualquer problema como nada menos que uma oportunidade de ver Deus.

Escolho a paz...

Viverei o perdão. Perdoarei para que possa viver.

Escolho a paciência... Negligenciarei as inconveniências do mundo. Ao invés de amaldiçoar aquela que tenta tomar o meu lugar, convidá-lo-ei a fazer isto. Não reclamarei a longa espera, mas agradecerei a Deus pelo momento de oração. Ao invés de cerrar meus punhos face a novas designações, enfrentá-las-ei com alegria e coragem.

Escolho a generosidade...

Serei generoso para com os pobres, por estarem solitários. Generoso para com os ricos, por estarem temerosos. E generoso para com o mau, pois é assim que Deus tem tratado a mim.

Escolho a virtude...

Prefiro ficar sem um tostão a ganhar algum desonestamente. Serei negligenciado para não ser jactante. Confessarei antes que seja acusado. Prefiro a virtude.

Escolho a fidelidade...

Hoje cumprirei minhas promessas. Meus devedores não lastimarão sua confiança. Meus associados não questionarão minha palavra. Minha esposa não questionará meu amor. E meus filhos nunca temerão que seu pai possa não retornar ao lar.

Escolho a mansidão...

Nada pode ser vencido à força. Escolho a mansidão. Se levantar a minha voz, que ela possa ser apenas em louvor. Caso cerre meus punhos, que seja em oração. Caso dê uma ordem, que seja apenas para mim mesmo.

Escolho o autocontrole...

Sou um ser espiritual. Após a morte desde corpo, meu espírito subirá. Recuso-me a permitir que a podridão domine o que é eterno. Escolho o autocontrole. Ficarei embriagado apenas pela alegria. Comovido apenas pela minha fé. Serei influenciado apenas por Deus. Serei ensinado apenas por Cristo. Escolho o autocontrole.

Amor, alegria, paz, paciência, generosidade, virtude, fidelidade, mansidão, autocontrole. A estes submeto meu dia. Caso seja bem-sucedido, louvarei a Deus. Se falhar, buscarei sua graça. E então, ao anoitecer, colocarei minhas cabeça sobre o travesseiro e descansarei.


Max Lucado

sexta-feira, agosto 10, 2012

Compreendendo a Felicidade


- O que é a felicidade? É um estado de espírito? Ela é temporal ou atemporal?
Podemos encontrar inúmeras definições para essa palavra; mas com certeza, sempre ficarão lacunas.

Comumente, defini-se felicidade como: um estado afetivo ou emocional de sentir-se bem ou sentir prazer, associado a: bem estar, alegria, prazer sexual, contentamento, saúde, segurança, deleite, amor, etc.
Felicidade é geralmente correlacionada com a presença de eventos favoráveis (como uma promoção, um casamento, ganhar na loteria, etc) e ausência de problemas ou má sorte (como acidentes, ser demitido, divórcio, conflitos, etc).

Será que não existe ai uma grande confusão entre felicidade e alegria?

Apesar das mais variadas interpretações a cerca da felicidade, algo é certo e real; todos buscam a felicidade!
Vamos analisar alguns pontos acerca da felicidade, para que tenhamos discernimento a respeito dela.

- Felicidade: do grego "phelis", diz que uma pessoa é feliz quando possui o ar da graça, ou em total estado de euforia. Uma pessoa feliz é capaz de muitas coisas.
- Felicidade eufórica dentro de uma visão da ciência da psicologia, Phelis Xiddad Croniccus é uma doença que afeta pessoas que acham graça em tudo, possuem desvio de caráter e isso deve ser tratado por profissionais: psiquiatras.
- Felicidade para os romanos era uma divindade alegórica, representada na figura de uma rainha no seu trono, tendo em uma das mãos um caduceu (bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas) e na outra mão uma cornucópia (na mitologia era um vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele saíam em abundância e expressa um antigo símbolo da fertilidade e riqueza).
- Para Budah a felicidade acontece quando a pessoa enxerga seus defeitos e pode se transformar em algo melhor que ela queira. Toda vez que a pessoa reconhece um erro e se corrige, ela transforma a sua personalidade em algo melhor. E consequentemente está se afastando do que traz dor e vazio e juntamente com isso se aproximando da plenitude, da iluminação.
- No velho testamento um personagem bíblico de nome Jó, faz a seguinte referência: "Sobrevieram-me pavores; como vento perseguem a minha honra, e como nuvem passou a minha felicidade." (Jó 30:15) Na verdade Jó lamenta a sua situação de pobreza e de doenças, principalmente, a falta de proteção de Yavêh (Deus). Quando em sua mocidade vivia em plena abundância material, familiar e satisfação emocional.
- O apostolo Paulo era perseguido pelos judeus por expandir a fé cristã aos gentios, e mesmo assim estava feliz, veja o que ele diz diante de seus acusadores: "Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus;" (Atos 26:2)
- O salmista David também tem sua definição de felicidade, para ele ser feliz é estár debaixo da dependência de Deus: "Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e tudo lhe irá bem." (Salmos 128:1-2)

Porém, cada pessoa tem sua forma de ver a felicidade! Necessariamente, a felicidade não se resume a bens materiais ou a satisfações emotivas; não podemos conjugá-la, apenas, como a alegria de realizações de nossos desejos, muito menos a nossa resignação em favor dos outros, pois felicidade é também senso de justiça própria.
Felicidade é antes de tudo a relação de amor que mantemos com Deus; mas também a consciência das nossas limitações e a aceitação da nossa condição real.

Ser feliz é poder olhar para dentro de nós mesmos e nos sentir bem com quem nós verdadeiramente somos, é amar os nossos semelhantes com o mesmo amor que gostaríamos de ser amado; é ter discernimento da nossa responsabilidade na construção de um mundo melhor e mais justo para todos; é a certeza de estarmos sempre aptos e encorajados a ajudar aos necessitados; é manter acesa a chama da esperança e da fé diante do niilismo que nos envolve; é se sentir confiante ao expressar uma vida verdadeira e transparente; é gerar nos outros esperança e bem estar; é saber que pode se doar sem pedir nada em troca; é ter segurança diante das adversidades; é irradiar a luz de Deus para que possa dirigir os caminhos daqueles que se encontram perdidos; é antes de tudo, estar debaixo da graça e do amor de Deus.

Fonte: http://www.paralerepensar.com.br

domingo, junho 24, 2012

Não sois deuses, homens é que sois

A partir do momento em que você tem um “eu”, surge a possibilidade de colocá-lo em primeiro lugar, de querer ser o centro – de querer, na verdade, ser Deus. 

Foi esse o pecado de Satanás; e esse também o pecado que ele ensinou à raça humana. Algumas pessoas pensam que a queda do homem está relacionada ao sexo, mas isso é um erro. (O livro de Gênesis na verdade sugere que a depravação da nossa natureza sexual foi resultado da queda, e não sua causa).
O que Satanás colocou na cabeça dos nossos ancestrais mais remotos foi a ideia de que eles poderiam ser “como deuses” – que poderiam depender de si mesmos como se tivessem sido seus próprios criadores. “Sejam seus próprios mestres”, dizia ele, “Inventem o tipo de felicidade que vocês desejam para si mesmos, fora de Deus”.

E foi dessa tentativa desesperada que surgiu praticamente tudo o que se relaciona ao que chamamos de história humana: dinheiro, pobreza, ambições, guerras, prostituição, classes, impérios, escravidão.

A longa e terrível história do homem à procura de algo diferente de Deus para lhe trazer felicidade.
[C. S. Lewis, Mero Cristianismo. São Paulo: Martins Fontes, 2005]
Lido em:Ed René Kivitz

domingo, junho 17, 2012

AOS QUE AINDA [...] SERVEM AO LOUCO DO AMOR ETERNO!‏


A fim de manter a integridade do Evangelho nesta existência, paradoxalmente tem-se que cair em estado de loucura.
Leio as Escrituras, nelas vejo aqueles e aquelas que singraram a História com a quilha da eternidade, e percebo a loucura inescapável de cada um deles.
Sim, temos que admitir que todos os nossos heróis foram e são loucos...
Dizendo isto não nego que existam também aqueles que cultuem a média [...] e se alimentem apenas daquilo que exista em estado de total paralisia [...] ou de medianidade confortável...
Quanto a mim, devo confessar que tudo no que creio e que vale a vida nesta existência é loucura!...
Afinal, Abraão é meu pai na fé... O mesmo que em obediência [...] saiu para sacrificar seu maior amor, seu filho, no altar que a Voz lhe indicara...
Antes de Abraão todos os que lhe antecederam em fé, foram loucos também [...] e os que lhe sucederam foram igualmente loucos...
Que juiz, profeta ou visionário mencionado nas Escrituras não foi completamente louco e não se deu por causas totalmente perdidas ante o olhar da História?...
Quem pode ler os evangelhos e, sem divinizar Jesus de modo romântico, chegar à conclusão de que ali está o Caminho da Vida?...
Sim, com um Líder que não quer liderar [...], que só quer servir e dar a Sua vida por todos, inclusive por todos os que Lhe odiarem, e que morre pedindo aos Céus que não haja Vingança, e completa tudo dizendo que Sua vitória era a Sua morte?...
Que sanidade mental existe em tal projeto?...
Sim, quem pode ler os evangelhos e não achar que aceitar o seu convite, o chamado de Jesus, não é exatamente a opção dos fracos, dos desesperançados, dos incompetentes, dos sem coragem para socar a cara do inimigo, do frouxo existencial que transfere sua decisão de provar a vida apenas depois da morte?...
E para piorar não se vê no Líder nenhuma ambição, nenhum senso de “estratégia”, nenhuma média ou busca de ser agradável, nenhuma predileção especial pelos prediletos e nenhuma rejeição para com os rejeitados; e nenhuma fé nos poderes deste mundo [...]; ao contrário, vê-se uma rejeição total de Sua parte quanto a ser Líder deste mundo; que, segundo Ele, já tem seu próprio Príncipe... — e acerca de quem Ele diz: “Ele nada tem em mim!...”.
Sim, qualquer leitura dos evangelhos nos mostrará que somente loucos e desarvorados podem aceitar o Convite de Jesus!
Sim, pois...
É convite para negar-se a si mesmo, tomar a crua e seguir a Ele, ao Líder... — sim, o líder que somente vê poder no servir e no se dar...
É convite para morrer todos os dias; para se arrepender e mudar todos os dias; para não buscar segurança humana que se ponha acima do amor; para confiar mesmo quando não há razões para confiar; para amar até ao que nos odeie; para viver por um código que diz que aquilo que é elevado diante dos homens é abominação diante de Deus...
É convite para salgar o mundo pelo desaparecimento nele, como acontece com o sal que dá gosto às coisas...
É convite para ser uma luz que não faz outra coisa senão iluminar na direção da própria Luz...
É o convite da Esperança que diz que a primeira esperança é reconhecer que tudo está perdido...
É convite à loucura sim!... Pois, nos manda esperar uma salvação que vem dos céus, que vem de outro mundo ou dimensão, e que nos visitará como milhões de sóis cercando a Terra de uma só vez...
É convite à loucura sim!... Pois nos diz que os mortos ressuscitarão e que os vivos que forem loucos em Deus serão capturados por anjos para a Glória que invadirá este Planeta, mundo e dimensão...
Ora, esta é uma pilulazinha da loucura que de fato existe no Evangelho...
Quem diz que crê em tais coisas, se existir de modo normal [...], saiba: não crê em nenhuma delas; pois, quem nelas crê [...] de fato é louco e vive bem-aventuradamente como tal [...]; sem desejo de cura; sem cura; e sem possibilidade de recuperação; conforme se viu em gente como um pescador surtado chamado Pedro, ou um outro chamado Paulo, ou ainda um velho insano exilado em uma ilha, tendo visões do futuro da História e da Eternidade, e que atendia pelo nome de João...
A alternativa de maquiagem sem vida [...], mas que imita a loucura do Evangelho [...] é a vidinha morta que se pode ter no Cristianismo, que é a vitória de Roma [do mundo] sobre a loucura da Cruz.
Escrevo isto aos que esqueceram que o Evangelho é Loucura!...
Benditos os que não se envergonham de tal tamanha Loucura de Sanidade Eterna, mas que diante dos homens é total surto e irrealidade!

Nele, o Louco do Amor Eterno,

Caio
24 de novembro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

quinta-feira, junho 07, 2012

Pureza e estabilidade




“Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.”

(Salmo 51:10)

Ao suplicar pelo milagre de um coração puro, Davi usa a mesma palavra de Gênesis 1 no registro da criação onde Deus cria o universo e os seres humanos. Deus criando a partir do nada, dando forma e preenchendo o vazio.

Precisamos ter consciência do poder destrutivo da doença congênita e autoimune que está em nosso DNA. O cristianismo chama essa patologia de pecado. Essa disfunção consegue trânsito livre, entre outras coisas, porque inicialmente gera prazer. Esse sentimento pode travar a nossa consciência por um longo período como aconteceu com o rei Davi, autor desse salmo.

Ao pedir a Deus por um coração puto Davi está reconhecendo a sua limitação e a sua dependência de Deus. É um pedido para começar de novo, para Deus escrever um capítulo novo na sua história. Um coração íntegro e confiável só é possível através de um milagre, o milagre da vida.

(Devocionário A Jornada 2)

domingo, abril 01, 2012

Deus é simplesmente incrível

sábado, março 31, 2012

Guiados pelas crianças





Nota: Esse é um trecho do cap. 3 do livro "O Mistério das Crianças" de Mike Mason - Ed. Mundo Cristão
Naquele dia o lobo e a ovelha morarão juntos;
o leopardo e o cabrito viverão em paz.
Os bezerros e os bois andarão junto com os
leões, guiados por uma criança.
ISAÍAS 11.6 (BV)


Grace, minha vizinha de três anos de idade, tem síndrome de Down e, além disso, já teve leucemia. É um bocado de coisas para enfrentar em três anos.
Enquanto eu estava escrevendo este livro, Bob, um outro vizinho meu, passava por uma fase difícil. Ele havia desenvolvido um problema cardíaco que tinha limitado muito seu modo de viver.
Bob tentou de tudo: médicos, dietas, livros, oração e meditação.
Procurou eliminar todo e qualquer traço de estresse da sua vida, mas a dor continuava.
Frustrado e confuso, Bob implorou a Deus pela cura e por sabedoria, por algum insight que o ajudasse a lidar com tudo aquilo.
Semanas e meses se passaram sem qualquer palavra, qualquer mudança. Silêncio absoluto.
Uma tarde ensolarada de setembro, estava conversando com Bob do lado de fora da casa dele quando, com o canto do olho, vi a pequena Grace ao longe. De repente, ela começou a correr em nossa direção, pernas rechonchudas trabalhando a todo vapor, braços estendidos. Será que estava indo atrás de uma bola? A julgar por sua velocidade, pretendia passar batido por nós. Então. com seu rostinho redondo brilhando, voltado para o alto numa expressão de êxtase, ela colidiu em cheio com Bob e o envolveu com seus braços.
Um abraço! Tudo o que ela queria era dar um abraço em Bob.
Caramba! Não fazia idéia de que meu vizinho havia desenvolvido um relacionamento tão maravilhoso com a pequena Grace. Fiquei impressionado.
Num instante, Bob perdeu todo o interesse em nossa conversa e, com um olhar meio espantado, estirou-se de costas na grama. Era um daqueles lindo dias de outono em que o sol ainda tem o calor do verão. A impressão era de que Bob só queria tomar um pouco de sol, mas Grace ainda estava lá e não tinha intenção de lhe dar sossego. Deitou-se em cima dele, beijou-lhe as bochechas e depois ficou pulando sobre sua barriga.
Ao ver a cena, o pai de Grace veio até onde estávamos com uma expressão preocupada.
"O que é isso, Gracie? Deixe o Bob em paz", disse ele. "Ele não quer que você fique pulando em cima dele."
"Tudo bem, não tem problema", balbuciou ele.
Quando saí, Grace ainda estava pulando enquanto Bob fitava o céu ensolarado, parecendo ao mesmo tempo aturdido e absolutamente feliz.
Alguns dias depois, Bob me contou o que, de fato, havia acontecido naquele dia. A verdade é que antes daquela tarde, ele mal sabia quem era Grace. Para ele, não passava de mais uma das crianças da vizinhança. Ela nunca o havia abraçado nem lhe dado atenção.
No entanto, havia semanas que Bob vinha pedindo a Deus desesperadamente por uma palavra, uma mensagem.
De repente, uma criança chamada Grace aparece do nada, corre até ele e o abraça. Ela o cobre de beijos, pula em cima dele e se recusa a deixá-lo em paz, como se estivesse loucamente apaixonada por ele ou algo do gênero.
"Naquele momento", disse Bob, "Deus falou comigo. Ele me disse Eu amo você. Falou bem dentro do meu coração. Foi simples, mas profundo. Essa mensagem teve um impacto tão qrande que cheguei a estremecer. Não consegui mais ficar em pé. Tive de me deitar na grama. Mas aí vieram as dúvidas: Será que é mesmo Deus? Será que Ele está mesmo falando comigo? Então a mensagem se repetiu sem parar. Mais abraços, mais beijos. Amo você, amo você, amo você..."
Grace.
Graça.
Amor.
Uma mensagem de Deus.
Vinda de uma garotinha.
Com síndrome de Down.
Que sobreviveu à leucemia.
Três anos de idade.
Bob captou a mensagem?
Pode crer que sim.
Mas ainda é difícil.
Vários meses depois desse episódio, Bob ainda sofre de problemas cardíacos.
Mas está sendo guiado por uma criança.

quinta-feira, março 22, 2012

ERA PARA SER BOM

Por: Mário Fernandez

"Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia." (Gênesis 1:31 ARA)

Deus não criou nada para não ser bom. É inadequado culpá-lo por algo que não funcione bem, não seja agradável ou nos prejudique. Conheci um homem que dizia que pernilongo não poderia ter sido criado por Deus, pois não servia pra nada.

O conceito de bom certamente vai ser diferente entre uma pessoa e outra, mas aos olhos de Deus bom é bom mesmo. Bom para Deus é quando tem qualidade, tem serventia, funciona direito, é bonito, atinge o objetivo, e assim por diante. Deus criou o mundo para ser bom, a natureza para ser boa, os anjos para serem bons e criou a mim e a você para sermos bons. Mais do que eventualmente bondosos, Deus nos criou para sermos bons.

Se para você só é bom o que você gosta, me permita ensinar uma coisa. Nos meus negócios, se um concorrente meu vender implica em eu não vender. Isso é bom para ele mas não é bom para mim. Até um certo ponto, pois me deixa livre para fazer outra coisa, o que é bom. Me ensina a dividir e a não querer ganhar sempre, o que é bom. Me permite olhar para alguém que teve sucesso onde eu não tive, o que pode me ensinar alguma coisa. Tenho agradecido a Deus por alguns contratos que não ganhei, ao ver como se comportaram.

Bom não é quando tudo sai do jeito que nós queremos, mas quando tudo caminha da forma como Deus idealizou ou imaginou que deveria ser. Bom é chover, quando Deus quer chuva, ainda que seja dia de seu casamento ou formatura. Bom é ter sol, se Deus não quiser chuva, mesmo que na sua cidade esteja muito seco. Bom é quando fica do jeito de Deus.

Temos coisas que não podemos aceitar como boas pelo lado natural, somente pela fé. Exemplifico: doença, fraquezas, dores, crise financeira, problema conjugal, morte. O que tem de bom nisso tudo? Talvez aos seus olhos nada, mas se for o que Deus colocou no seu caminho para aquele momento, não será apenas bom, será o melhor. É duro de entender e aceitar, mas Deus é soberano.

"Senhor, ensina-me a entender que o bom não é segundo meu critério mas segundo o Teu. Ajuda-me a olhar mais adiante e temer a Tua presença para me sujeitar ao Teu desígnio para mim."
(*) ICHTUS, vem do grego ixtus, que significa peixe. Era o símbolo dos cristãos primitivos perseguidos pelo poder romano. As letras eram as iniciais das palavras Iesus Xristos Theos Huios Sopter (Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador). 
Visite: http://www.ichtus.com.br/dev/ 
Edição e grifos: Meninas do Reino



































ICHTUS, vem do grego ixtus, que significa peixe. Era o símbolo dos cristãos primitivos perseguidos pelo poder romano. As letras eram as iniciais das palavras Iesus Xristos Theos Huios Sopter (Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador).

sexta-feira, novembro 18, 2011

Lançando luz



Convém que ele cresça e que eu diminua.
(João 3:30)


Na infância somos ensinados a receber aplausos pelas primeiras palavras, passos, sorrisos e caretas que divertem a todos. Assim crescemos, e com o tempo o reconhecimento deixa de ser algo tão constante. 

Destacar-se no meio de tantas pessoas torna-se tarefa extremamente desgastante. O reconhecimento se traduz em notas altas na escola e o famoso vestibular. Na vida profissional os títulos e os prêmios na parede completam o ciclo que se iniciou na infância. Muitos traumas surgem no coração de quem vive atrás do aplauso eterno daqueles que o cercam.

A sede pelo reconhecimento do outro pode levar à desidratação da alma.

João Batista lançou toda luz sobre Cristo quando compararam seu ministério com o de Jesus. Ele nos ensinou a fonte de uma alma completamente leve e livre de todo e qualquer trauma existencial ou armadilha egocêntrica!

A Deus toda a glória!

(A Jornada)

sexta-feira, setembro 16, 2011

Como Evangelizar Evangélicos


Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! - Mateus 7.22-23

O meio evangélico é um dos campos missionários mais vastos do nosso país. Alguém duvida? Então fique atento ao modo de pensar e viver dos milhões de “crentes” que andam por aí e ficará surpreso. A maior parte dessa gente não demonstra nenhuma transformação de caráter, nenhuma alteração em seus valores, nenhum compromisso com a santificação e nenhum grau de discernimento espiritual. Parece que a estratégia principal do diabo para destruir a obra de Deus nas últimas décadas deixou de ser debilitar igrejas verdadeiras com os atrativos da apostasia. Agora, ele cria igrejas falsas compostas por cadáveres espirituais apodrecidos com o objetivo de emporcalhar o santo nome de cristão diante do mundo.

Esse método tem dado certo. Com efeito, não é difícil encontrar “crentes” de todos os tipos. Há evangélicos que formam blocos de carnaval e mulheres “cristãs” que falam e se comportam como prostitutas desavergonhadas. Há ainda “pastores” gays casados entre si e missionários e evangelistas hábeis na “arte” do estelionato, além de uma massa enorme de gente de péssima qualidade moral que, às vezes, sai em passeata pela rua gritando o nome de Jesus com a mesma boca com que fala palavrões.

Isso mostra que, de fato, o meio evangélico é um vasto campo missionário. Crentes de verdade, pessoas que conheceram o real poder do evangelho de Cristo, devem testemunhar a esse povo acerca da graça salvadora de Deus, evitando acreditar na piada de que eles são irmãos na fé que precisam apenas de algumas correções. Não. O problema básico da maioria dos neo-evangélicos não é falta de doutrina, mas sim falta de novo nascimento, sendo dever do cristão genuíno apresentar-lhes o evangelho da cruz.

Como isso pode ser feito de forma inteligente, sem deixar que a discussão se perca em meio a opiniões religiosas sem importância? Bom, não acredito em métodos infalíveis do tipo “Doze passos para ganhar um evangélico para Cristo”. Como pastor reformado, penso que só o convencimento do Espírito Santo pode conduzir alguém aos pés da cruz. Creio, contudo, que no trato com crentes falsos, o mensageiro do Senhor pode evitar perder tempo com tolices se agir da forma descrita a seguir.

Primeiro, pergunte se o “irmão” é crente. Não se assuste. A reação dele vai ser mais ou menos assim: “É claro que sou! Eu já não lhe falei que faço parte da Comunidade Evangélica Fogo da Sarça – Sede Mundial?” É nesse ponto que você vai fazer a pergunta fatal. Diga-lhe mais ou menos o seguinte: “Ah, é verdade! Você havia dito... E como foi sua conversão?” Pronto. É aqui que tudo desaba. O neo-evangélico não sabe o que é conversão. Ele vai ficar confuso, vai perguntar o que você quis dizer com essa pergunta, vai contar como foi batizado, como Jesus curou a dor que ele tinha no braço, como o pastor profetizou que ele ia achar emprego, enfim, vai dizer uma tonelada de sandices.

Então você deverá responder: “Amigo, eu tenho certeza de que todos esses episódios foram importantes para você, mas eu perguntei outra coisa. Eu perguntei quando foi que você, após ouvir ou ler a Palavra de Deus, descobriu apavorado que era um pecador perdido, separado da glória de Deus e caminhando para a perdição eterna; quando foi que, ouvindo o Evangelho, você aprendeu que Cristo veio a este mundo como substituto perfeito, a fim de sofrer a punição pelo nosso pecado; quando você entendeu o sentido de sua morte e ressurreição e quando, enfim, com essas informações em mente, você se lançou humilhado aos pés da cruz, dizendo: “Senhor, concede-me os benefícios da tua obra redentora. Lava-me, purifica-me, perdoa-me, salva-me. Eu te recebo, pela fé, como Deus e Salvador.’ Quando foi que isso aconteceu em sua vida?”

Não estranhe. O “irmão” vai olhar para você como se estivesse diante de um ET falando mandarim. Tenha, então, compaixão dele e, pacientemente, passe a explicar-lhe todas as coisas que disse.

Bom, espero que essas “dicas” ajudem. Ainda mais considerando que temos evangélicos incrédulos por toda parte, “revelando” que há muito trabalho a fazer. Realmente temos de aceitar esse fato: o nosso quintal também está branco para a ceifa.

Soli Deo gloria!

Por: Pr. Marcos Granconato