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sábado, novembro 05, 2011

Vale a pena "ler" de novo: Acorda Igreja, é preciso falar de relacionamentos amorosos!



Tenho a impressão que abordar o assunto sobre relacionamentos amorosos no meio cristão é, muitas vezes, pavoroso. Posso estar enganada, mas considero a Igreja cristã no nosso país no mínimo, atrasada e displicente. Ela deveria ser um porto seguro, um lugar onde os jovens encontrassem respostas para suas dúvidas e direção para a tomada de decisão sobre como conduzir seus relacionamentos românticos. Ao invés disso, o que vejo é uma omissão absurda, um comportamento ignorante para compreender a cultura pós-moderna em que estamos todos inseridos e a mistificação de um assunto que deveria ser tratado com cuidado e seriedade. Afinal, depois da decisão acerca da fé em Cristo como Senhor e Salvador, qual outra seria tão importante? Para mim a resposta é clara: a escolha da pessoa com quem você irá se casar.
Vivenciados pouco mais de dez anos na caminhada de fé cristã no meio protestante posso dizer que já vi de tudo sobre o assunto:

- Vi jovens receberem mensagens de profetas e profetizas anunciando ou confirmando quem eram seus respectivos pares, os escolhidos com quem deveriam namorar e casar com resultados de bênção e maldição.

- Vi jovens que encontraram alguém interessante no meio cristão e, na reciprocidade do interesse, oraram por meses em busca da aprovação de Deus, um sincero interesse em corresponder com a vontade dele nessa área.

- Vi jovens pedirem sinais dos mais diversos para receberem tal confirmação: desde sonhos dados por Deus para os líderes, anunciando a aprovação, como um convite para que a outra pessoa, caso fosse a eleita por Deus, cozinhasse o prato predileto do rapaz.

Não posso afirmar nada sobre o que é certo ou errado em tudo isso. Vi casamentos serem constituídos após três meses de namoro que deram certo – o casal era formado por jovens adultos na faixa dos trinta anos. Vi casamentos constituídos após alguns anos de namoro que fracassaram antes de completarem dois anos de matrimônio. Vi jovens que pediram sinais e formaram um bom casamento, outros que mesmo com todas as confirmações solicitadas, iniciaram namoros que acabam de forma desastrosas.

Minha reflexão hoje é sobre a omissão da Igreja como Corpo de Cristo. Afalta de sensibilidade dos líderes eclesiásticos – de quem se espera o compartilhar de um pouco mais de experiência – para com os jovens. O abandono a que são entregues milhares de rapazes e moças quando se trata das relações amorosas. E não me limito à questão de fazer ou não sexo antes do casamento, pois tratar de relacionamentos românticos é muito mais amplo. Tudo ainda está muito confuso e a Igreja parece ter preguiça de acordar para essa realidade e encarar o problema com franqueza. São insuficientes ainda o número de ministérios que abordam o assunto com coragem, orientando essa geração confusa por uma variedade intensa de conceitos pré-estabelecidos no contexto social pós-moderno! Não é porque são cristãos, que os jovens estão isentos de dúvidas, de medo, de ansiedade ou que não sofram com as escolhas, o tempo, a pressão social, a solidão, ou questionem seus próprios valores, sexualidade e sentimentos.

O problema está aí há muito tempo inserido no contexto da fé cristã.
 E os frutos da covardia da Igreja todos podem ver: não temos testemunhado praticamente nenhuma diferença entre os matrimônios contraídos pelos que têm fé em Cristo e os que não têm. Até quando?

Na esperança de que algo mude,

Andréa Cerqueira

Vale a pena "ler" de novo: Uma história, uma denúncia, um apelo...



Alexandre tinha 23 anos quando foi visitar pela primeira vez, e a convite de um amigo de trabalho, essa nova denominação evangélica neopentecostal. Tinha ouvido muita coisa boa a respeito do pastor, do louvor que tocavam lá e dos testemunhos sobre curas, milagres e grande mover de Deus naquela comunidade. Já caminhava com Cristo há alguns anos, participando ativamente das atividades de um ministério com longa tradição dentre as igrejas pentecostais no Brasil. Ficou curioso e fascinado com a ideia de que o Espírito Santo atuava, nos nossos dias, muito parecido com o que lia na Bíblia: curas, milagres e uma presença tão palpável que as pessoas caíam com a manifestação do próprio Deus.

Era mesmo tudo o que ouviu dizer. Visitou uma, duas, mais vezes e tudo o que experimentava era incrível. Decidiu por mudar para o novo ministério e desligou-se de onde congregara por quase quatro anos. Seu pastor ficou furioso e ele saiu de lá sob pressão pastoral de que seria amaldiçoado porque esse tal novo ministério nasceu a partir de um racha na denominação. Alexandre não se deixou abater e transferiu-se. Fez novos amigos, começou a frequentar as reuniões aos sábados e sentar com uma turma de jovens nas celebrações de domingo. Participou de seminários fantásticos, onde as pessoas recebiam ministérios proféticos, descobriu o que era o tal mover do Espírito quando caiu na unção. Teve sonhos, visões e palavras proféticas. Estava num nível espiritual que jamais havia alcançado antes.

Alexandre não demorou a interessar-se por trabalhar no ministério. Com grande habilidade para as artes, especialmente teatro, entrou para o grupo já existente e começou a ajudar nos trabalhos. Fez o papel de Jesus numa das peças de grande produção da comunidade. Tudo ia muito bem. Então, com paixão pelo ministério de intercessão, decidiu ingressar também. Foi informado de que era necessário marcar um aconselhamento com o pastor presidente do ministério e levar, já preenchida, uma ficha de libertação e que no dia deveria estar em jejum. Passou na secretaria, pegou a extensa ficha e agendou o aconselhamento. Em casa, sozinho no quarto, pegou uma caneta e passou a ler a tal ficha, ficou surpreso com as perguntas que iam desde a origem religiosa de seus antepassados quanto si próprio. Com coração disposto, ainda que receoso, foi sincero como jamais o tinha sido e anotou toda a verdade. Guardou a ficha no envelope de papel pardo e aguardou o dia do aconselhamento.

Chegou dez minutos mais cedo e entregou a ficha nas mãos da secretária que imediatamente levou até o escritório do pastor, pedindo que aguardasse um pouco. Vinte minutos se passaram e ele sentiu-se desconfortável. Logo depois a secretária anunciou que podia entrar. Ao chegar na porta, pediu licença e entrou e do outro lado da mesa o pastor levantou os olhos da ficha, sorriu levemente e o cumprimentou, pedindo que se sentasse. Conversaram um pouco sobre a vontade de Alexandre de participar do ministério de intercessão e o pastor falou sobre as responsabilidades dos intercessores, dos riscos e um pouco de batalha espiritual. Então, faltava apenas ministrar a “libertação”, afim de que toda maldição fosse quebrada, os pecados confessados e as brechas restauradas. Começaram então uma série de renúncias sobre todos os envolvimentos espirituais anteriores à fé cristã, seus e de seus antepassados. Passaram para as questões emocionais referentes aos vícios e pecados e então, o choque. O pastor arregalou os olhos ao ler sobre a área sexual e num impulso disse em alta voz: Você é gay?! Já teve relações com outro homem?! Como é que pôde ter feito algo tão abominável aos olhos de Deus?! Quando foi isso?! Mas você não estava namorando uma moça quando veio pra cá?! Que vergonha!

Alexandre sentiu suas pernas tremerem e, por um instante, parecia que o ar não entraria de novo por suas narinas para dar novo fôlego aos seus pulmões. A sala ficou pequena, o ar rarefeito, parecia pisar num lugar frio, escuro, úmido e muito estreito. Assustado, não soube o que dizer, os sentimentos furtaram seu raciocínio e aquela onda de rejeição que já sentira tantas vezes antes ao longo de sua vida, invadiu-o subitamente. Com os olhos marejados, só balançou instintivamente a cabeça em posição afirmativa. Era gay, o que o “mundo” classificaria como bissexual, na verdade. Mas o que importava era que sim, ele teve relações com outra pessoa do mesmo sexo. Daí em diante, respondeu uma série de questões: Sim, fui abusado por um primo dois anos mais velho quando era pré-adolescente; Sim, me envolvi algumas vezes com rapazes; Sim, namorei uma moça; Não, não tive relações sexuais com ela por causa da nossa fé cristã; Sim, estou disposto a viver para Cristo e buscar a santidade sexual... Mas ele não estava mais ali. As palavras ecoavam de um lado para outro da sala e repetiu, sem sentir nenhuma paz e ânimo mais, as orações de renúncia.

Alexandre sumiu por uns dias. Faltou na reunião de jovens no sábado seguinte e na reunião do domingo. Alguns amigos sentiram falta e o que outro crente que trabalhava com ele foi logo perguntando por que tinha faltado nos cultos do fim de semana. Deu uma desculpa e concentrou-se em trabalhar, evitando qualquer conversa. Mais uns dias se passaram e ele se manteve distante. Duas semanas depois, voltou. Depois sumiu novamente. Os meses seguintes foram de aproximação e afastamento. De erguer-se e cair. Não resistiu às investidas de um cara com quem dividia o mesmo ônibus todos os dias para o trabalho. Cedeu. Envolveu-se. Parou de congregar. Os amigos souberam, tentaram ajudar. Mas as feridas abertas pareciam piores. Onde esperava misericórdia e apoio, encontrou rejeição. Não conseguia estar lá e ouvir a pregação daquele pastor. Que "homem de Deus", afinal, era aquele?

Alexandre, por fim, cansou de precisar liberar perdão, de orar, de jejuar e de clamar a Deus que mudasse sua condição. Dependia o tempo todo de que os amigos crentes estivessem com ele para que não fosse para a balada e se lançasse à promiscuidade e relações ilícitas. Não conseguiu. Mudou de emprego, de casa, assumiu a homossexualidade como opção para toda a família e começou uma vida nova com outro cara.

De vez em quando ele liga, pergunta sobre os antigos amigos e sobre o ministério. Águas passadas, que  parecem não voltar mais.

Infelizmente, isso tudo, eu tenho visto...

(Alexandre é o nome fictício de alguém que conheci...)

Andréa Cerqueira

sexta-feira, novembro 04, 2011




É dificil lidar com as cicatrizes da vida não é mesmo? Mais difícil ainda  é quando elas ainda não são cicatrizes, são feridas abertas e purulentas...


Assisti a um filme em que  a mulher havia passado pela horrível experiência de perder seus seios por causa de uma doença e o que me chamou a atenção foi a forma como o "marido"dela encarou a situação... na primeira noite deles, ela ficou sem graça e com muita vergonha e claro com muito medo de mais uma vez ser rejeitada, mas para seu espanto, ele disse para ela que a amava mesmo assim, e em um dos momentos de maior intimidade, ela lhe  disse: que queria reconstituir os seios. Ele a interrompeu e falou: Não, não faça isso, isso é uma prova de quão mulher tu és, quer dizer que você LUTOU COM A MORTE E VENCEU, e ela APENAS DEIXOU UMA CICATRIZ EM VOCÊ, para te lembrar que  passou por ti, MAS VOCÊ A VENCEU!
- Que lindo eu pensei e que maneira legal de se encarar uma cicatriz dessas.


Sei queridas que não é tão simples assim e muito menos fácil, mas a vida é o maior de todos os DONS de Deus é por ela que o AMOR se instala em nós...

Minha vó guardou todos os umbigos de seus filhos! (éca..rs.), foi um jeito dela guardar um momento especial pra ela e por outras crenças, graças a Deus que um dia ela resolveu jogar fora....




O Pai também guarda algo muito especial dos seus filhos e filhas, Ele está tão presente na nossa dor que é o único que consegue guardar nossas lágrimas no  SEU ODRE e anota cada uma no SEU LIVRO.




Contaste os MEUS PASSOS quando SOFRI PERSIGUIÇÕES; RECOLHESTE AS MINHAS LÁGRIMAS NO TEU ODRE; NÃO ESTÃO ELAS INSCRITAS NO TEU LIVRO? Sl:56:08


O Salmista fala de uma presença tão real de Deus que Ele contou-lhe os passos. Enquanto o salmista corria dos seus perseguidores, o Senhor contava até quantos passos lhe foram necessários para fugir. O mais interessante e misterioso para mim é que odre é onde se guardavam líquidos, Jesus o usa como um local onde se guardava o vinho, uma expressão grega, segundo o dicionario Wikipédia..


Fico me questionando: - Será que Ele guarda nossas tristezas para transformá-las em ALEGRIAS ?  

Filme: Rainha Vitória

EU CREIO!!! 
2 CO 4: 8-10

    Nesta passagem o apóstolo Paulo diz: Em tudo somos atribulados,mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos.

N'Ele que sabe o que é padecer!

Di Luz Pockrandt

Vale a pena "ler" de novo: O segredo é o AMOR!



Como essa ilustração falou ao meu coração desde a primeira vez em que a vi...  Eu sou uma pessoa com uma boa percepção das coisas e das circunstâncias, logo, figuras como essa trazem sensações muitas vezes não sentida por outras, assim como também quando converso com alguém, ouço muitas vezes o que ela não me fala.  E também sou ludibriada com a maior facilidade, tá eu sei, isso é antagônico e muito paradoxal. Mas eu acho ótimo, porque assim lembro que sou humana e preciso depender de Deus para muitas coisas, inclusive para ser esperta como serpente e simples como a pomba.
As pessoas são únicas! Sempre bato nessa tecla e até sou chata muitas vezes nessa questão. Mas nem sempre foi assim, antigamente eu achava que todos eram iguais, inclusive eu, até me ver diante de receitas prontas para vida, mas elas já não se encaixavam em mim, ou eu nelas, tive que sair atrás de quem eu era e minhas questões pessoais e profundas e encontrar respostas para minhas crises existenciais.

Nesse caminho descobri e encontrei muitas pessoas as quais vou descrever a seguir. 

O primeiro grupo tinha um pé de cabra. Quiseram abrir meu interior na marra, colocando sentimentos e palavras na minha vida que nunca existiram, me sentia em pleno drama mexicano, então minha concha foi quebrada e a pérola que estava em formação foi lançada pra fora num golpe violento e amargurado... Demorou pra colar meus pedaços e juntar os grãos da pérola... com muito esforço colei novamente minha concha... 

Estava então habituada a confrontos de alma e mais uma vez, não discernindo os tempos e as estações, entreguei minha alma agora ao segundo grupo, os religiosos. Fui mais uma vez violentada com as melhores das intenções, foi debaixo de gritaria e líderes que muitas vezes mais pareciam generais do que outra coisa e mais uma vez minha concha quebrou, a minha pérola foi exposta novamente... só que agora a pérola rachou, estava feia e sem brilho! 

Então veio um terceiro encontro. No início não dei muito crédito, mas no auge do desespero de encontrar uma palavra de conforto e encorajamento tentei mais uma vez, e preocupada com minha concha quebrada, estilhaçada e minha pérola que precisava voltar ao centro da alma que era a minha vida, fui a esse encontro. Ele foi chegando de mansinho, primeiro me estendeu a sua mão e me disse que entendia a minha vergonha e dor. Depois Ele passou um remédio, um óleo nas minhas feridas, abaixou-se para ficar na mesma estatura que  a minha e me olhou nos olhos, seus olhos eram de uma cor que nunca pude desvendar, mas eles sorriam pra mim com uma aceitação fora do comum, por nenhum momento me senti julgada ou condenada. Ele levantou-se, tomou minhas mãos, mostrei a Ele minha concha  e, com lágrimas nos meus olhos, lhe falei que não havia mais conserto porque ela estava estilhaçada.  Ele apenas olhou para mim,  sorriu e me perguntou: Posso ajudar? Se você confiar e entregá-la a mim, poderei cuidar dela pra você e inclusive poderei colá-la. Eu recolhi ela pra junto do meu peito, afinal confiara tantas vezes, a tantas pessoas, mas elas não tiveram cuidado... como confiaria agora? Ele percebendo minha hesitação, segurou a minha mão e olhando nos meus olhos disse: Filha, confie em Mim! . Diante de tal beleza entreguei a Ele. Ele a segurou com muito cuidado e a pôs no seu bolso, dizendo-me: Querida, falta a pérola aqui, onde está? Respondi-lhe: Está guardada, ela está toda arranhada, razurada, foi pisoteada, esmagada, sobrou muito pouco, certamente você não vai querer vê-la... Ele, estendendo-me suas mãos, fez sinal para eu depositá-la, mesmo temerosa, estendi minha mão e depositei minha pérola ali...  Ele não olhou para a pérola, olhou nos meus olhos e sorrindo disse-me: - Vem caminhar comigo. Estendi minhas mãos e entrelacei meus dedos aos dedos dEle e fomos caminhando... o jardim era lindo, havia muitas flores, cascatas, haviam pássaros e borboletas mil, eu fiquei encantada com tamanha beleza.
Um belo dia de manhã, Ele me chamou em minha tenda e disse que era para  eu ir com Ele, pois tinha uma surpresa! Segui-o, apenas segui-o.

Ele entrou em um jardim regado, era novo para mim e mais uma vez seus olhos eram  de aceitação. Ele me fez assentar-me junto às águas e ficamos horas ouvindo os sons das cascatas e o gorjear dos pássaros, em seguida Ele me passou uma caixinha e disse: Abre. Obedeci. Ao abrir vi lá dentro minha concha intacta, linda e brilhante, espantada, olhei pra Ele, que nesse momento apenas sorriu para mim.... A tomei em minhas mãos, a abri e vi que dentro dela estava minha pérola... Não acreditei que seria a mesma, fiquei estupefata com tamanho brilho e beleza e, ao contemplá-lo, ele continuava sorrindo para mim... Perguntei lhe: É a minha concha que lhe entreguei, é a mesma? Ele assentiu com a cabeça sem dizer uma só palavra, apenas continuava a sorrir... Então lhe perguntei novamente em meio a lágrimas: -Mestre como tu conseguiste fazer isso, não havia conserto mais pra minha alma, como tu fizeste isso, qual o teu SEGREDO?  E num sorriso que parecia não ter fim, ele me disse: Filha o SEGREDO É O AMOR! 


Di Luz Pockrandt

quinta-feira, novembro 03, 2011

Vale a pena "ler" de novo: Vestir-se de mulher às vezes é preciso



Eu sou apenas uma menina. Digo uma, duas, três vezes, mas ninguém parece me ouvir , ninguém parece se importar, não aqui nesse lugar caído da graça, nesse lugar destituído do amor. 

O mundo não para de girar por mim, nem por você.

Mas eu faço parte de um reino, e nesse reino eu sou apenas uma menina, que adora correr entre os jardins, brincar com os animais, olhar o lago, sentir o vento nos cabelos, sonhar com o futuro sem pressa, sem cobranças, sem medo, sem terrorismo, apenas sonhar e  ouvir o Rei, meu pai querido, dizer o quanto sou preciosa, o quanto Ele me ama, o quanto eu sou importante para Ele, tudo o que Ele planejou para mim. Ah, eu amo ser apenas uma menina do reino !

Mas infelizmente não posso ser apenas uma menina o tempo inteiro, não aqui. Não gosto, mas tenho que me vestir de mulher e algumas situações por aqui  exigem ter que vestir-me de mulher, para que eu possa zelar pela menina que eu sou no reino, somente assim eu me permito ser acordada desse belo sonho...

O reino de Deus ainda não está estabelecido aqui, ele ainda não pode ser desfrutado em sua totalidade pelo menos por enquanto, infelizmente aqui nem todos querem o Reino de Deus, e sim um reino particular e algumas regalias e honras como a coroa de rei.

Lembro-me do que Jesus disse, e guardo sempre comigo :
"Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas." Mateus 10-16
Algumas vezes nos custa muito caro confiar nas pessoas erradas, um lobo então não deixa por menos, o prazer dele é abusar da inocência e fragilidade da ovelha. Ovelhas no meio de lobos foi a expressão de Jesus, eu acho que já vi lobos pelo caminho, alguns eu trombei, outros eu caminhei junto por um tempo achando serem ovelhas, mas o melhor de tudo é saber que Ele nos enviou no meio deles, não é algo que poderíamos evitar, muitas vezes pensamos, porque? A pergunta certa não seria talvez "porque" mas para que? Para que fossemos treinadas, para que tivéssemos a oportunidade de reagir da forma certa. Ou não, simplesmente como aprendizado, experiência.  Porque aqui, não podemos ser meninas o tempo todo, porque aqui, devemos nos vestir de mulher porque é preciso, mas sem perder a sensibilidade e o brilho nos olhos da menina que somos no reino eterno do nosso Deus.

Confesso que sinto saudades de casa, confesso que às vezes não tenho mais lágrimas, confesso que às vezes queria ser apenas uma menina sem me preocupar com nada... mas por enquanto não. Não posso me enganar. Não podemos nos enganar. Ainda existem ameaças eminentes rondando o nosso aprisco, e tentando nos tirar bruscamente os sonhos, a paz, a fé, e a certeza de que o nosso Rei está assentado no trono, nos olhando e acompanhando nossa volta para casa.  
"Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele." Mateus 11-12
Mas eu continuo sendo apenas uma menina, me visto de mulher apenas quando é preciso. Mas apenas quando é preciso. 
Roupa de mulher coração de menina, e esperança de uma guerreira é o que carrego comigo.


Vamos  lutar meninas-mulheres guerreiras do reino, a luta ainda não acabou. 

Simone Caetano 

Vale a pena "ler" de novo: Separados, mas não da graça


Assuntos complexos a serem tratado nos meios religiosos são aqueles assuntos em que existe sempre a pergunta pode ou não pode? A questão da separação conjugal é um desses assuntos. Falar sobre separação é falar sobre sexualidade, sobre família, sobre religiosidade, sobre relacionamentos, sobre leis (espirituais ou não). Mas o mais importante é lembrar que quando se fala sobre separação, na teoria falamos sobre o ideal , sobre o que seria melhor mas na maioria dos casos não pensamos na prática, nas vidas que estão envolvidas e nas incoerências que cercam as relações humanas. Falar sobre separação para quem nunca experimentou tal experiência é fácil, é mole, da até um ar de "legalidade", digo isso á aquelas pessoas que permanecem casadas e por isso acham que podem dar "lições de moral" naqueles que hoje se encontram separados matrimonialmente de seus parceiros, digo matrimonialmente porque alguns permanecem casados no papel, moram na mesma casa mas de fato nunca casaram, são estranhos ao seus parceiros e a si mesmos, apenas estão ali formalmente mas se não tivessem tanto medo do inferno, já estavam longe.


Como lidar com pessoas que passaram por tais experiências na vida? Como dizer a essas pessoas o que elas precisam ouvir? Como direcionar essas vidas após essa experiência tão profunda, tão intensa e ao mesmo tempo tão marcante ?

O que tem acontecido no meio evangélico? Bom, vejo líderes querendo abafar escândalos, querendo livrar pessoas do inferno, querendo dar respostas bíblicas coerentes mas, sinceramente não conseguimos enxergar cuidado, cura, restauração e muito e muito menos amor. Estou generalizando sim. Mas aqueles que sabem que não são parte da maioria, Deus sabe quem são. 

Quero contar especialmente um caso muito familiar para que possam pensar. Imaginemos um casal jovem, cheios de planos e sonhos... este casal tinham objetivos ministeriais comuns, a vontade de ser útil para Deus era tamanha que queriam se dispor integralmente ao "ministério" e claro, não queriam "cair em pecado"  então eles decidiram casar muito rápido, em menos de 1 ano =  namoro, noivado e casamento. "Perfeito". 

Sim, era tudo muito perfeito aos olhos religiosos da moça que não se enxergava de outra forma a não ser casada, servindo a Deus no seu ministério familiar e/ou na igreja institucional. Belissima visão do casal, porém eles se fecharam demais de uma forma superficial e negligenciaram as coisas mais profundas da vida , eram novos demais e com isso ao passar do tempo como todo relacionamento, veio o desgaste. O rapaz aos poucos foi se afastando da sua esposa foi amadurencendo um pouco fora daquela redoma, e  sem o amor necessário  os dois criaram um buraco intransponível entre eles, brigas eram comuns.  A moça embora não se desse conta do tamanho do buraco que havia entre ela e seu marido, orava , jejuava, ungia , gritava,clamava (sempre que ele não estava em casa) "consagrava" o leito imaculado á Deus e nada resolvia. Ela se perguntava o que fazer? mas separação nunca foi uma opção para ela. Era uma palavra riscada do seu vocabulário. Até que um belo dia, depois de algumas brigas o rapaz toma a iniciativa e volta para casa da mãe, oficialmente se separou da moça, a deixou em casa sozinha. Não precisa dizer como a moça ficou né? Arrasada, inconsolável, se sentindo a própria Maria Madalena, repudiada, rejeitada, ferida, e pior se martelava o tempo inteiro pensando nas pessoas a sua volta, nos irmãos , em Deus, em sua vida dali em diante, o que seria dela? 

Disseram para essa moça várias coisas, dentre elas que ela teria que esperar seu ex-marido voltar se não ela seria a pessoa mais infeliz do mundo e nunca mais ela poderia ter uma vida feliz, casar novamente então nem pensar. Esperar o ex-marido voltar sempre foi a primeira opção da moça , porque ela realmente sempre esteve disposta a manter a aliança que ela tinha feito porém dizer á ela que a vida dela iria depender da decisão de uma outra pessoa foi algo que pesou muito na vida dessa moça que teve sérios problemas posteriores, inclusive teve questionamentos seríssimos em relação ao amor de Deus sobre sua vida, pois passados alguns meses o rapaz não voltou atrás, e ainda arrumou uma outra pessoa, e ela? bem , ela continuou lá, esperando, passaram-se alguns anos e o rapaz já teve uma série de outros relacionamentos. Então... e aí? São casos como esse que quando destrinchamos, não nos cabe mais pensar no : pode ou não pode, mas em : Senhor, cuida dessas vidas!

Aquele versículo que diz que o homem que se casar com uma mulher repudiada comete adultério com ela? Agora imagine que você é uma mulher  de 23 anos sem filhos, separada cujo sonho era ter uma família, como se sentiria em saber que não poderia mais se casar ? como você se sentiria se isso te fosse imposto como regra para ser salva ? Pois foi essa situação que a moça da história acima esteve,  pensava que para ela não teria perdão, e ai a primeira coisa que foi questionada foi : porque Deus não mudou o coração do fulano ? Esse tipo de questão nos leva a questionar Deus, pois estamos sendo confrontados.

O que Deus uniu, que o homem não separe.  Marcos 10:2-16

Mas será que o homem consegue mesmo separar aquilo que Deus (amor) uniu? Penso eu : que aquilo que o amor une , nem todas as divergências conseguem separar. Penso eu que : se separou é porque não foi Deus quem uniu e se Deus não uniu em amor, nunca houve uma verdadeira aliança.
  
É claro que a separação é algo que Deus abomina, mas pensar nela como apenas um ato judicial e pecaminoso, além de ser um pensamento raso é um pensamento que nos afasta daqueles que passam por essa situação e precisam do apoio dos amigos e das pessoas que se dizem próximas. Pois é aí que a maioria se afasta ainda mais da comunhão.

Se somos realmente habitados por Deus, ao invés de apenas exteriorizar o que a lei diz teoricamente, devemos primeiro amar como Jesus fez na prática. Parece que as pessoas que se separaram e hoje (ainda) se encontram em alguma comunidade cristã , sofrem inúmeros preconceitos, julgamentos, são tratados com hotilidades, parecem leprosos, enfrentam olhares atravessados pois são tidos como "menos dignos" de falar da palavra de Deus que os demais, alguns se entregam a promiscuidade como forma de suprir o vazio que ficou dessa relação frustrada e então essa distância entre eles e Deus fica cada vez maior também. 

Deus ama incondicionalmente você. Não duvide disso. Em amor á ele espere até que ele te diga o que fazer.

Conheço casais que separaram e se reconciliaram, conheço casais que separaram e casaram novamente e são muito felizes, conheço mulheres separadas e que ainda não se resolveram sentimentalmente, conheço todo tipo de pessoa  e digo, separados sim, mas não da graça de Deus.

Simone Caetano

terça-feira, novembro 01, 2011

Vale a pena "ler" de novo: Por favor... não me chame!




Não me chame para participar de campanhas, atos proféticos, mapeamentos territoriais, propósitos ou coisas similares a esta, cujo objetivo é barganhar e não adorar;

Não me chame para fazer orações determinando e ordenando a benção em “o nome de Jesus” e que não fazem Dele Senhor, mas FORNECEDOR;

Não me chame para falar mal de pastores, ministérios, zombar ou criticar, sem, no entanto, nada acrescentar;

Não me chame para fazer parte de grupos religiosos sectários;

Não me chame para correr de lá para cá atrás de moveres, conferencistas e inúmeros ventos de doutrina;

Não me chame para crer mas não pensar;

Não me chame para ser massa de manobra ou curral eleitoral para eleger pessoas interessadas em proteger seus feudos e não expandir o Reino;

Não me chame para coar o mosquito e engolir o camelo;

Não me chame para fazer de usos e costumes regras de fé e prática;

Não me chame para validar coisas que tão somente a “igreja” proíbe, mas a Bíblia permite;

Não me chame para estender a mão e dar o pão ao próximo com o único intuito de praticar proselitismo e não exercitar o puro e simples amor ao próximo;

Não me chame para viver minha fé como se estivesse num gueto e não no Reino que é Dele e permeia todas as coisas;

Não me chame para julgar, sentenciar, reprovar e excluir os pecadores do Reino que a eles foi dada preferência; [Mateus 21:31]

Não me chame para mostrar a superioridade dos “ungidos” do Senhor;

Não me chame para praticar bibliomancia ou consultar “profetas” que mais parecem cartomantes gospel;

Não me chame para aplaudir manifestações espirituais caricatas – em bom evangeliquês: retetés e riplaplás – mas que em nada transformam;

Não me chame para falar evangeliquês;

Não me chame para falar em nome Dele, brigar em nome Dele, mas nem sequer tentar amar como Ele;

Não me chame para reformar o irreformável;

Não me chame para restaurar o irrestaurável;

Não me chame para recuperar o irrecuperável;

Por favor, não me chame!

Mas se for para tentar viver a simplicidade do evangelho puro e verdadeiro, cristocêntrico e sobretudo relacional, por favor ME CHAME!

Roberta Lima

Vale a pena "ler" de novo: Hoje tem espetáculo? Tem sim, pastor!



Fico me lembrando dos circos da época de criança nos quais o animador de auditório ou algum palhaço dirigia-se ao público perguntando a célebre frase: “Hoje tem espetáculo?” ao que o coro respondia: “Tem sim senhor”.


Se transmitirmos nossa imaginação para os cenários de muitas de nossas instituições religiosas, talvez ouçamos a mesma pergunta sendo a nós dirigida por um animador, ops, pastor ou ministro de louvor.

Quantos de nós não estamos acostumados a proclamar aos nossos irmãos sentados ao lado (é preciso sempre interagir não é mesmo? Nada de ficar quietinho – isso é coisa de “crente iceberg” diz um famoso pregador e conferencista internacional)... enfim, precisamos proclamar ao nosso irmão do lado que o culto, ou seria espetáculo? Será sobrenatural, se prepare meu irmão(a), depois dessa noite sua vida NUNCA mais será a mesma, após a oração forte de nossos ungidos TODA maldição estará quebrada (esqueceram de contar isso para Jesus que se esvaziou na cruz, carregando TODA a nossa DOR e MALDIÇÃO)

Prossigamos com o espetáculo, ops, perdoe-me novamente, culto.

Após a interação com os irmãos e algumas repetições do jargão evangeliquês, chega a hora da coreografia (todos juntos, por favor! E se você não faz direito – ai, ai, ai irmão; é sinal que não está sendo frequente em nossos cultos).

Assim se passa o tempo do “louvor” e agora que a platéia, ops novamente, as ovelhas estão bem receptivas, é hora da palavra ou dos testemunhos.

Os testemunhos são um caso à parte no show gospel, ops, perdoe-me, não sei o que está acontecendo comigo, fico confusa às vezes. São todos autocentrados, antropocêntricos, valorizam a mentalidade de gueto, somos os melhores, os intocáveis, outro dia ouvi um tristemunho, ops, testemunho, em que a senhora estava toda feliz por ter ido trabalhar numa empresa onde só trabalham crentes.

Sugiro que alguns desses irmãos ungidos e separados que não querem se contaminar com as coisas deste mundo planejem um protótipo de “foguete de Noé” e escolham algum planeta desabitado para lá dominarem como sacerdócio real e nação santa. Teremos a gospelândia pura e imaculada.

Após os testemunhos, você poderá ouvir uma ameaçadora palavra sobre dízimos e ofertas e se sentirá muitas vezes num assalto à bíblia armada com versículos vetero-testamentários obviamente.

Depois de lidas todas as maldições e proclamadas todas as bençãos aos fiéis não roubadores de Deus, vem o show-man, ops, pastor, com a GRANDE REVELAÇÃO da noite.

Logicamente a grande revelação não pertence ao NOVO TESTAMENTO, é envolta em rituais, sacrifícios, correntes, propósitos, TUDO para garantir que “determinando com fé” sua benção será garantida (caso não venha, não prometemos seu R$ de volta, a incredulidade do seu coração é que lhe roubou o agir do Senhor – penso no pobre Jesus na cruz novamente).

E assim rola a palestra motivacional, quer dizer, a pregação, cheia de textos fora de seus contextos, regada a muitos “aleluias” e “glórias à Deus”, algo que deixa consumidores, ops, ouvintes arrebatados e verdadeiros discípulos nauseados.

O ápice de tudo é o “apelo” ou seria APELAÇÃO? Emocionalismo barato, promessas de soluções imediatistas, tem horas que penso que vão esfregar a bíblia e de lá sairá o gênio da lâmpada mágica.

Venha e receba: TUDO! TODA A SOLUÇÃO! NESTA NOITE! COM ESTA CHAVE DA VITÓRIA! COM ESTA ROSA BRANCA! COM ESTE LENÇO UNGIDO!

Paro por aqui, preciso me levantar... o espetáculo é demais para mim!!!!

Me perdoem a acidez, mas estou farta desse pseudo-evangelho sem cruz, sem Cristo e sem GRAÇA (em todos os sentidos).

Cansei da barganha, cansei do entretenimento, cansei das campanhas, cansei de só ouvir velho testamento.

Faço um apelo aos irmãos sinceramente enganados pelo espetáculo gospel: leiam a bíblia, estudem a palavra, tenham intimidade com o ABA.

Finalizo com um pensamento do incrível John Stott:

“Quando vou à igreja, tiro o chapéu, não a cabeça".


No amor Daquele que nos ensina em TODAS as coisas:

Roberta Lima 

segunda-feira, outubro 31, 2011

Vale a pena "ler" de novo: Eu, sabotador de mim




Se sou o maior interessado em promover minha felicidade e satisfazer meus desejos, POR QUE vivo esperando que isso seja realizado por meio de coisas, situações e pessoas?! Por que dou a outro uma procuração assinada em meu nome de promover minha FELICIDADE?! Algo que deveria ser e estar apenas comigo?! Controverso não é?! Todos esses dias temos tratado de relacionamentos focando várias vertentes e diversas temáticas.

Eu, sabotador de mim, nasceu de um conversa com uma amiga com quem fiquei horas conversando ao celular no dia de ontem.

Um resumo: Jovem, loira, linda, estudante de Jornalismo, morando sozinha - sonho de muita gente por aí – cheia de amigos, também de pretendentes, mas total e completamente insatisfeita consigo.
E aí?! Como fica?!
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. Marcos 12:31

Deu pra traçar algum paralelo com esse texto?! Nãããããoooo?! Tá legal! Explico:

O MESTRE coloca amar o próximo como o segundo maior mandamento, porém não é um simples amar, precisa amar como a si mesmo! Então se não consigo me amar da forma que sou, se não me basto e preciso que outro me complete a coisa vai ficar feia, vai que o outro também está no mesmo estado?! Vai que ele tá pensando que você é a metade que falta nele?! E se essas duas metades estiverem faltando?!?!

OH MEU DEUS! Caos instalado.

Pessoas sabotadoras de si mesmas deveriam andar com uma placa: PERIGO AMBULANTE.

Falamos sobre Deus não unir metades e sim dois inteiros. É injusto e desumano aprisionar a mente de alguém com ideias de falta de competência em nos fazer felizes.

Sócrates disse: Conhece-te a ti mesmo, e para eu me relacionar com outra pessoa, além de me conhecer, preciso estar amadurecido para mim. Nossa relação com o mundo e com nosso parceiro depende desse conhecimento e da aceitação de quem somos. 

Nos frustramos e nos sabotamos quando nossas necessidades estão baseadas em algo ou em alguém. Essa sabotagem acaba atingindo várias esferas do nosso ser.

Não sou profissional no quesito psicologia, muito menos uma assumidade no que tange a alma humana, mas te garanto, quando coloco na responsabilidade de outro a satisfação de meus desejos e dou-lhe carta branca para me fazer feliz, o risco dessa satisfação me frustrar é enorme, com letras bem grandes.

Já tive meus momentos de baixa auto-estima e de querer me firmar como pessoa por meio de um elogio, por meio de ser notada, mas ter momentos e passar a existência assim além de sabotagem é suicídio, e autoflagelo.

As pessoas amam quem se ama e querem estar, permanecer o maior tempo possível com quem tem esse amadurecimento emocional. 

Não preciso de psicólogo para me dizer isso, mas sugiro essa opção a quem se notar num estado semelhante de auto sabotagem.

Seguindo o conselho de Sócrates – CONHECE-TE A TI MESMO – a probabilidade de encontrar alguém inteiro que te complete é muito maior, porque não vai buscar o que você não tem para te completar, pelo contrário, atrairá um inteiro que sonhe caminhar ao seu lado.

Além do que somos obra não das palavras do PAI, somos arte de suas mãos. ELE não faria nada medíocre, olhe toda a sua criação ao seu redor e perceba que um DEUS tão grande e multifacetado em amor, fez de você a EXCELÊNCIA DE SUA OBRA!


nELE que é TUDO em todos,

Noh Oliveira

Vale a pena "ler" de novo: Minha imersão no mundo gay




Não. Não virei lésbica, bi ou qualquer outra coisa. Apenas quero informar que fiquei uns bons e deliciosos anos no meio desse pessoal maravilhoso! Isso mesmo pessoal maravilhoso.

Não quero fazer apologia a Homossexualidade, também não vou levantar nenhuma cruz para eles. Preciso e quero apenas compartilhar uma experiência que tive.

Era um domingo e igreja lotada de gente, lá estava eu na frente da igreja onde ministraria o louvor. Ele entrou com seu irmão e sentou-se desconfiado olhando desconcertadamente para os lados. Cumprimentei seu irmão que logo o apresentou. Todos foram cumprimentá-lo na tentativa de fazer aquele “visitante” sentir-se a vontade. Foi uma reunião muito abençoada.

Algum tempo depois ele voltou acompanhado de seu “amigo”, como foi bom vê-lo novamente e melhor ainda, trazendo mais alguém consigo. Passou a freqüentar todas as reuniões, sempre com muita curiosidade e interesse em aprender. Ficamos amigos éramos um trio muito alegre e divertido, eles estavam extasiados porque até então não haviam recebido tanta atenção de pessoas evangélicas.



Apesar de fazermos quase tudo juntos havia maior proximidade entre eu e Wagner*. Íamos aos shoppings, a boates a barzinhos! Lembro como se fosse hoje minha entrada em um bar gay da região da República. Não foi tão aterrorizante como pensei que seria, mas também não foi uma maravilha! De um lado minha tradição religiosa me questionava "o que eu fazia ali?!", do outro, meu amor por aquela pessoa me trazia serenidade e me orientava em como entrar e sair.

Conheci pessoas fantásticas, inteligentes, esclarecidas, mas conheci também muita gente que não havia se encontrado ainda – há pessoas assim em todos os lugares – Fui encantada e encantei – modéstia a parte – a muitos vi seres apaixonados e apaixonantes! Percebi nesse período que ninguém jamais havia me ensinado amar o GAY, ou o diferente, pelo contrário, todos me ensinavam que tínhamos que “consertá-los”.

Certo dia senti um forte desejo de ligar pra o Wagner, quem atendeu foi sua mãe que logo perguntou se eu poderia dar uma passadinha em sua casa. Disse que tão logo desligasse eu iria. Foi o que fiz. Encontrei um rapaz deitado na escuridão do seu quarto gemendo de dor – eles haviam terminado o relacionamento – Soube que isso ocorrera muitos anos mais tarde. Olhei aquele homem sofrendo de amor, como jamais vi uma mulher sofrendo e me compadeci, minha alma se compadeceu.

Oramos apenas. Ele chorou muito e muitas outras vezes chorou por esse amor. Passados mais de três anos, indo de bar em bar, de boate a boate, nos pegamos enjoados daquela badalação. Ficamos mais igrejeiros. Ele também entrou para o louvor. Hoje ainda somos como unha e carne. Falo sempre que ele é minha metade homem, por pensarmos e sentirmos da mesma forma.

Sei que na sua língua deve estar coçando um pergunta: Mas e aí ele “desvirou” de ser GAY?! Te respondo: Não sei e nem me importo com isso. Sei que continuamos.

Jesus escolheu doze homens falhos e “inaptos” para serem seus discípulos, e mais adiante serem apóstolos, sabemos suas características, sabemos de suas condutas, tinha até um com desvio de caráter – Judas. Ele simplesmente os separou e começou a ensinar-lhes durante o caminho e, apenas um, Judas, interrompeu a caminhada por não querer que o ensinamento do MESTRE fizesse diferença em sua vida.

Não pedi pra ele mudar. E não pediria para qualquer pessoa mudar. Minha missão é ensinar a VERDADE sabendo que essa liberta, orienta e transforma. Se eu colocar meu dedo nesse processo de transformação criarei um SER DEFICIENTE.

Somos mesmos capazes de amar sem interferir no livre arbítrio do outro?! Será mesmo que temos ensinado as pessoas amarem como o MESTRE amou? Não li nenhuma passagem onde ele manda os discípulos mudarem, caso contrário não seriam discípulos.

Teria muito mais a falar, teria muito mais a informar, mas paro por aqui e peço um reflexão, não sob o prisma da cultura religiosa, mas uma reflexão sob a ótica do MESTRE.

Eu digo que por essas e outras amo a loucura do EVANGELHO, por essas e outras amo a loucura do AMOR DE DEUS!

Cresçam e Floresçam

Noh Olive

 Obs.: (*) Wagner nome fictício.