terça-feira, janeiro 04, 2011

Deus não é enfadonho


Uma das maiores tarefas da mente cristã é a imaginação. A mente observa, analisa, organiza e memoriza... A imaginação, entretanto, é diferente. Ela não observa ou analisa o que nós vemos; no entanto representa o que não vemos, mas que pode realmente estar ali. Assim, ela é bastante útil à ciência, porque ajuda a encontrar explicações para coisas que nós ainda não compreendemos, levando a todo tipo de descoberta. Ou vislumbra novas formas de expressar coisas de forma nunca ditas antes, como no caso da literatura, da música e das artes.

Digo que a imaginação é uma tarefa cristã por duas razões. Primeiro, porque sem ela não se consegue aplicar a regra de ouro de Jesus. Ele disse: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles" (Mt 7:12). Devemos nos imaginar no lugar dos outros e imaginar o que gostaríamos que nos fizessem. Compaixão, empatia, amor solidário apóiam-se muito na imaginação daquele que ama.

Há milhares de formas para se dizer coisas estúpidas e inúteis numa situação tensa, trágica ou alegre. "Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo" (Pv 25:11). De que forma podemos dizer palavras que sejam "adequadamente escolhidas"? Uma resposta é que o Espírito de Deus nos dá uma "imaginação empática". "Empatia" significa que nos sentimos como o outro. Quando abrimos os lábios, espontaneamente, com pouca reflexão, imaginamos a coisa certa a dizer — ou não dizer — por causa dos outros. Sem imaginação, seremos socialmente inadequados.

A outra razão para a imaginação ser uma tarefa cristã é que quando alguém fala, escreve, canta ou pinta a respeito de uma verdade empolgante, porém de forma enfadonha, provavelmente é um pecado. A supremacia de Deus sobre a mente não é honrada quando ele e seu mundo maravilhoso são observados de forma correta, mas comunicados de forma enfadonha. A imaginação é a chave para matar o tédio. Devemos imaginar formas de dizer a verdade pelo que ela realmente é. Isso não é enfadonho.

O mundo de Deus, e tudo que há nele, é cercado de maravilhas. A imaginação evoca novas palavras, imagens, analogias, metáforas, ilustrações e conexões para expressar a antiga e gloriosa verdade. Deus nos dá a faculdade da imaginação para tornar a comunicação de sua beleza realmente bela.

Poetas, pintores e pregadores não tornam a beleza de Deus mais bela,mas a tornam mais visível. Eles removem a neblina entorpecida de nossa percepção finita, falível, pecaminosamente distorcida, e nos ajudam a ver a beleza de Deus por aquilo que ela realmente é. A imaginação age como um telescópio em relação às estrelas: ele não as torna grandes, elas o são sem ele, mas permite que sejam vistas como realmente são.

A imaginação pode ser a tarefa mais difícil para a mente humana e, talvez, a mais relacionada com Deus. É a atitude mais próxima que podemos ter dessa criação feita a partir do nada. Quando falamos sobre a beleza da verdade, devemos pensar num arranjo de palavras, talvez um poema. Devemos pensar em uma analogia, metáfora ou ilustração que ainda não tenha sido inventada. A imaginação deve manifestar-se em nossa mente trazendo aquilo que ainda não existe ali. Criar combinações de palavras e sons jamais criados é o que podemos fazer. Tudo isso porque somos como Deus e porque ele é infinitamente digno de novas palavras, canções e imagens.

Uma instituição comprometida com a supremacia de Deus sobre a mente, cultivará imaginações férteis. O mundo precisa de mentes impregnadas de Deus! Mentes que possam dizer, cantar, representar e retratar as grandes obras de Deus da forma como nunca o foram antes.

A imaginação é como um músculo, torna-se mais forte à medida que você a exercita. Então, exercite-a, pois ela não costuma colocar-se sozinha em ação. Isso exige vontade. A imaginação também é contagiante. Quando você está em companhia de pessoas que usam muito a imaginação, tende a ser tomado por isso. Sugiro que você passe algum tempo com algumas pessoas cheias de imaginação (principalmente os poetas já mortos) e então, exercite-se ao pensar numa nova forma de dizer a velha verdade. Deus é digno. "Cantai ao SENHOR um cântico novo" (SI 96:1; 98:1; Is 42:10), ou lhe dê um filme, um poema, uma frase, uma pintura.

Querido Deus, Criador e Pai. Louvo-te por tua imaginação infinitamente sábia! Prostro-me com admiração diante do teu poder de criar o Universo, assim, tão cheio de maravilhas para nossa alegria. Oro pela graça da imaginação, para que eu falhe menos em amar meu próximo e em expressar tua glória pelo que ela realmente é, a maior de todas as coisas belas. Através de Cristo, oro. Amém.
- John Piper
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