quarta-feira, janeiro 05, 2011

A chuva e a Tempestade







Gotas d´água caem lá fora,


Partículas da chuva que o dia molha,


Enchendo de preguiça o ar...


Gotas d´água caem lá fora,


Mas o que não se pode perceber


É a tempestade que em minha alma se forma,


E se eu apenas pudesse te ver,


Sei que tudo ficaria bem,


E a tempestade que outrora se erguia,


Do céu do meu interior daria adeus.


Hoje o dia está com aquele ar preguiçoso, quando sentimos vontade de estar em casa, deitados no sofá ou na cama, cobertos por um edredon, ou um velho cobertor, assistindo um filme desses que, ou nos fazem rir, ou apenas nos deixam uma mensagem de que há coisas mais importantes na vida do que a correria do dia a dia que nos remete sempre à: trabalho e tarefas, trabalho e responsabilidades, trabalho e trabalho.

Há gotas de água caindo lá fora. São as partículas da chuva que o dia molha. Observo na varanda algumas andorinhas que parecem brincar no ar. É certo que não se preocupam com a chuva que cai molhando as árvores, os telhados, as ruas, não se importam com o pousar sobre os galhos encharcados. Não somente molham seus pés, mas molham-se inteiramente, doando-se a si mesmas para a chuva, completamente. Observo-as enquanto alçam voos e giros de um lado para o outro. Observo também o parque com seu lago. O dia chuvoso espantou os bravos praticantes das aulas de canoagem e também a pista de caminhada encontra-se vazia. Somente as andorinhas e chuva estão presentes.

O dia, parece, vai ser todo assim, chuvoso. Lá fora há só uma chuva. Mas o que mal pude perceber era a tempestade que agitava a minha alma. Gotas muito maiores e mais pesadas, carregadas de angústias pela incerteza de como serão os próximos dias. Nuvens negras carregadas de ansiedade e inquietude e um lamaçal grosseiro formado pela vontade de tomar o controle e o curso da minha vida. Ah, se ao menos me fosse concedido o privilégio de vê-lo e de, através de seus olhos, sondar um pouco do futuro que se aproxima. Então me lembro do salmista que cantava: “Protege-me ó Deus, pois em ti me refugio”... E em outro verso reconhecia: “Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice, és tu que garantes o meu futuro”.

Respiro fundo e resmungo as palavras que saem dificultosamente de meus lábios, desafiando a minha fé: “Proteja-me de mim mesma ó Deus, da ansiedade que tantas vezes suga minhas energias, assombrando-me com incertezas sobre o meu futuro. Nada posso fazer pelo amanhã, ajuda-me então a viver o hoje, pois é você quem garante os meus dias”.

Observo novamente as andorinhas, rodopiando pelo ar através das gotas de chuva que caem generosamente lá fora. Elas parecem rir e brincar com sua condição. E desejo isso também para mim.

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Abraços,

Andréa Cerqueira
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