quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Aprendiz de mim #9: a questão dos pratos dançarinos


Amplamente discute-se  a voracidade da rotina e das demandas que nos cercam. Parece que os dias se tornam cada vez mais curtos diante de tamanhas obrigações. Facilmente nos deparamos até mesmo com crianças estafadas devido a suas inúmeras atividades.

É preciso preparar-se para a “vida lá fora” e o binômio: escola + brincadeira cede lugar à equações mais complexas que englobam turnos e contraturnos, cursos, esportes, idiomas e uma infinidade de afazeres.

Se a vida de nossas crianças já se põe neste compasso insano, o que dizer da vida adulta? Percebemos que não é mais apenas o “fast food” que se põe à nossa mesa. Tudo o que nos apresentam é para ontem, para já! É muito ontem para pouco hoje. Demandas, urgências, carências a serem supridas.

O resultado disto tudo pode ser adoecedor. Vivemos a era em que toma-se um remédio para dormir e outro para acordar. Onde enxaqueca e engarrafamento são itens de série, no qual famílias quase não se reúnem e tampouco dialogam. Era de tranquilizantes, anestesiantes, consumismo, ativismo e, paradoxalmente, passivismo. Muito se recebe de informação, pouco se compreende.  Muito se faz, pouco se vive.

E o que os pratinhos tem a ver com isso?  Logo explico:

Não temos como fugir desta nova ordem mundial que já fincou estacas firmes em nossa sociedade. O desafio é sabermos como reagir diante de tais realidades. É nesta hora então que vem a minha mente os equilibristas de pratos dançarinos nos circos.

Lembro-me deles com suas varetas e vários pratos que vão girando, girando, e deixando a todos com o fôlego suspenso. Fragilidade diante da velocidade, dos giros... A habilidade do artista-equilibrista dá o tom. Podem ser 6, 8 10 pratinhos a girar.

Nós, artistas-equilibristas do palco da existência temos nossos pratinhos e uma plateia que aparentemente imperceptível lança olhares para nós. Dar conta das inúmeras demandas que a vida nos propõe é traduzida de forma simples como a arte de rodar pratinhos. De sabermos manter olhos atentos para que eles continuem a girar. Logicamente acidentes serão inevitáveis. Haverá momentos em que será preciso diminuir o número dos pratos dançantes do espetáculo e até mesmo chegará a hora em que deveremos tirar todos os pratos de cena.

A arte de se movimentar é tão importante quanto a arte de saber parar.

Lembro-me do que disse o salmista quando declara que “[...]o Senhor firma os passos daqueles que confiam Nele.” Acrescento que em minha crença o Senhor firma os passos e as paradas.

Precisamos guardar os pratinhos. Talvez parar o espetáculo para juntar alguns cacos que caíram sem que percebêssemos ou tivéssemos tempo de correr para evitar o estardalhaço.
O importante mesmo é saber que nossa vida é composta pelos pratinhos mas ela não é nenhum deles. Ela não é o pratinho do emprego, do dinheiro, do título, da forma física, da posição social ou intelectual, da religião e até mesmo da família.

Os pratinhos são apenas meios de manifestarmos alguns de nossos dons e habilidades. De forma anônima ou diante de uma grande plateia, uma hora teremos que girá-los, bem como pará-los e, sobretudo, atentarmos para o que disse o sublime poeta Fernando Pessoa "sê todo a cada parte"

Girando alguns pratinhos,
Roberta Lima
Reações:

10 comentários:

  1. Ro,

    seu texto tem o número exato da minha alma.
    Precisava dele.

    Tenha um dia lindo!

    Bjs, de uma equilibrista estabanada e distraída,

    Lu Poulain.

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    1. Lu,

      Que coisa linda ler isto: "seu texto tem o número exato da minha alma", isto é sinal que o que eu aprendo de mim, tu aprendes de ti...nós aprendemos de nós!!!! risos...

      Bjs lindona!

      Ps! Uma hora temos que fazer um infinity-infinito para contarmos uma à outra de nossos pratinhos rodopiantes

      =)

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    2. Concordo super com o 'fazer um infinity-infinito'!

      Sabe, desconfio que nossa alma tem tons parecidos.

      =)

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    3. ' o que eu aprendo de mim, tu aprendes de ti...nós aprendemos de nós!' =)

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  2. Na música "flores" os Titãs cantam que: " As flores de plástico não morrem"... e quando trata-se de pratos dependendo da altura, os de plásticos(por vezes são) tem maior resistência e geralmente estamos mais preocupados em não deixarmos caírem do que com a arte do equilíbrio, rodando os pratos devagar, sorrindo, é que o espetáculo pede beleza.Mas geralmente eles são de vidro (neste caso, não exitemos em olhar para o alto e pedir socorro)rsrsrs e nesse intervalo enquanto juntamos cacos possamos nos lembrar da regra número um de um artista "você tem que praticar,praticar e praticar".
    Eu não me canso de dizer-te Roberta, o quanto cresço a cada post teu e aquela palavra que ainda não encontrei para expressar tudo o que és tem que vir (meu estoque de elogios está pobre) kkkk
    BJUS e obrigada pelo ensino de hoje.
    "Os pratinhos são apenas meios de manifestarmos alguns de nossos dons e habilidades".

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    1. Ô Isa,

      Eu fico até tímida com um comentário como este seu...e confesso que cresço a cada comentário teu em meus textos...aprendo e muito com aquilo que reverbera em teu coração #simples assim

      Beijocas com carinho,

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  3. Ótima reflexão, Roberta! Precisamos constantemente parar e recolher os pratos porque enquanto eles estão girando não dá pra se ver suas imperfeições (apesar de sempre existirem), nem se elas já causaram rachaduras. Alguns pratos provavelmente nem se justificam mais em girar também.

    Pratos se quebram sempre, mas são substituíveis quando é verdadeiramente preciso se ocupar deles.

    Bjo!

    PS: Aposto q vc teve o insight pra este post quando estava lavando os pratos da janta, né não amiga? Posso até imaginar vc ali na pia, flutuando nas pontas dos pés como uma bailarina livre leve e solta, entre um arroto e outro de recordação do mexidão, com uma esponja na mão e uma idéia na cabeça, compenetrada e absoluta, preparando e cozendo em sua unção mais este saboroso alimento espiritual para nossas almas, uma verdadeira Palmirinha do Reino.

    Sorry, já não está mais aqui quem falou... rs...

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  4. Fabiano,

    Eu ri alto...eu chorei de tanto rir, aliás, eu não consigo parar de rir. Me diga o que tu comes para pensar nestas coisas? Palmirinha do Reino foi hilário e a descrição da cena idem. Mas falando sério, a questão dos pratinhos já gira dentro de mim há tempos, uma hora foi preciso deixá-la virar post!

    Beijos maninho,

    =)

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  5. WOW!!! Aplaudindo de pé teu post Anjinha!
    Não é por nada que Deus te deu um talento enorme para equilibrar pratos! Redondos, quadrados, plásticos, ferro, barro, enfim, não importa a matéria que se apresentem, Deus sempre te dará a tonalidade e a frequência certa dos giros.
    Acredito que ELE agora está ensinando-te o momento e que prato precisa de pausa.
    Vejo a evidência do que falo neste texto e em nossos papos via outlook!
    Beijos na alma.
    Te amo mana!

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  6. Nozinha,

    Que comentário lindo e enriquecedor. Obrigada, mana!

    Dependo da graça Dele para tal discernimento de pratos, pausas e afins...

    Abraço e beijo de alma!

    =)

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