segunda-feira, setembro 03, 2012

Lágrimas para refrescar...


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É uma terça-feira chuvosa e tive que chegar antes a uma reunião na faculdade, resolvi dar uma parada na biblioteca, acessar emails e ir trabalhando um pouco. É um pouco depois do horário do almoço, a imensidão de mesas  e cadeiras está longe de ser preenchida. Percorro os olhos e escolho o meu canto, uma mesa enorme só para mim. Quero o sossego, a possibilidade de não permitir conversas. Sento-me e mais uma vez deixo meus olhos percorrerem rápida e livremente a pequena vastidão do espaço que agora me contém. É então que, de repente, meus olhos são atraídos a uma cena.

Do lado oposto e transversal ao meu, há aproximadamente uns 100 metros, uma moça fala e chora. A cena capta minha atenção imediatamente. As lágrimas rolam enquanto ela gesticula conversando com outro rapaz que não sei identificar se é amigo, namorado ou ambos. Ela para a gesticulação e vai enxugando o rosto, tenta se recompor. Mas parece que tocar nas lágrimas fornecem a ela o efeito totalmente oposto. Parece que o toque as alimenta e elas continuam a verter, a moça continua a falar e eu discretamente a olhar.

Começo então a divagar sobre as lágrimas. Já me disseram que quando as coisas se acaloram por dentro, seriam elas o sistema de refrigeração da alma. Me pego tentando adivinhar a razão das lágrimas da moça desconhecida: seria desilusão amorosa? Falta de dinheiro? Problemas com as notas no curso? Confusões familiares? Conflitos existenciais?

Percebo então que lágrimas podem ou não ter razão, mas que elas fazem bem ao coração. Seja para aliviar a tensão ou para extravasar a emoção.

Reconheço-me nas lágrimas daquela moça. Reconheço-me nas lágrimas do Deus que se fez carne e chorou (João 11: 35; Lucas 19: 41)...reconheço-me na leveza e grandeza de quem chora, de quem ainda se dói por inteiro ao recusar-se estar apenas na margem da vida e não sentir.

Vivo e choro.

Vivo e oro

Vivo e (re)vivo choros e alegrias

Quando lembro de acontecimentos marcantes de minha vida, sei que lá estavam as lágrimas.

Até já avisei ao meu namorado: se acostume, eu choro!

Quero sempre ter a força para chorar, ainda que seja até perder as forças de tantas lágrimas derramar.

Quanto à moça, olho novamente e verifico que parou o choro, ela já conversa normalmente...lembro-me que esqueci de levantar a hipótese de TPM , ela nos faz chorar horrores. Mas não importa a motivação, é bom ver humanidade jorrando em frente aos nossos olhos. 

Paro e confiro o relógio, está quase na hora de minha reunião. Foi bom ter o automatismo quebrado por tão simples cena. Mais uma vez  lembro-me do Mestre de Nazaré que parou e chorou. Lágrimas e fé o moviam e comoviam. Faço disso uma pequena prece: “que não me faltem as lágrimas, que não me falte a fé. Que eu me mova e comova, assim como Tu, nobre carpinteiro de Nazaré”.

Roberta Lima

"Pessoas às vezes adoecem da razão / De gostar de palavra presa. / Palavra boa é palavra líquida / Escorrendo em estado de lágrima" Viviane Mosé
Reações:

2 comentários:

  1. Uma das coisas de ser uma Menina do Reino, é ler o que as manas escrevem antes de todo mundo!
    No dia que li esse texto no Rascunho, chorei. E eram essas lágrimas refrescantes a que tú te referes em teu texto!
    Mana obrigada por tocar-me a alma e renovar-me o espírito com tão sublime texto!!
    Beijos nesse coração mais mole que manteiga!

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  2. Nozinha,

    É verdade, esse nosso privilégio é um dos mais caros e raros que nos foram ofertados, nos ler antes, passar emails comentando em como os textos falaram...

    Pois é...choramos para refrescar, para externar, para deixar a lágriama simplesmente jorrar!

    Bjs mana-anja!

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