quinta-feira, novembro 15, 2012

Não sei, só sei que é assim.



Por Emanuel Vitor
A nossa cadela aqui em casa é muito obediente, até quando não precisa ela entende nosso tom de voz. Um exemplo disso é que, quando ela esta latindo pela noite, fazendo um estardalhaço, eu grito com um tom de voz agressivo e ela para com a bagunça. Mas, se eu gritar da mesma forma, só que dizendo “Continua fazendo barulho Preta”, ela também se silencia. 

Outro exemplo é quando alguém precisa prendê-la, hoje em dia basta-se apontar para o canil e fazer uma cara feia que ela já entende, porém, se você fizer a mesma cara feia e disser “não entre no canil”, ela ainda sim vai entrar. Ou seja, nosso pastor alemão tem a capacidade de entender nossas expressões faciais, ler nossos gestos e até mesmo obedecer ao nosso tom de voz, mas nunca entenderá o que estamos dizendo.

Isso exemplifica alguns pregadores, e principalmente a comunidade pentecostal de hoje em dia. Depois de certo tempo (como todo ser humano), os pregadores deslizaram e pecaram, e por algum motivo, logo esqueceram-se de jejuar, orar e estudar, não se consagrando mais. Ainda sim, alguns perceberam que as expressões faciais, os gestos bem ensaiados, e até mesmo os gritos característicos ainda funcionavam. Logo a moda pegou, e para todo grande “pregador” meia palavra basta, qualquer teologia funciona, toda cara feia é válida, toda apontada de dedo também serve, e um bom grito no microfone sempre é bom, assim como um pouco de glossolalia aqui e ali. Apenas a boa e velha encenação, líderes que agitam a torcida. Somente essas coisas são necessárias para a “galera ir à loucura”.

Assim segue-se a cultura legada, ninguém sabe o que faz e porque faz, mas todo mundo faz porque sempre foi assim. Alguém sobe aos púlpitos, ensina e fala qualquer coisa, mais o que público entende (ou quer ver) não é isso. O que todos levam em consideração são os gritos, os pulos e etc., E ninguém se lembra de onde veio isso. Se perguntarem de onde vem isso, responderão (entre muita alienação e fideísmo) da mesma forma que o Chicó, amigo do João Grilo, “Não sei, só sei que é assim”.
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