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quarta-feira, janeiro 01, 2014

No ritmo da Vida



Um ano todo novo começa hoje e de repente temos aquela sensação de que recebemos uma nova chance de reescrever a nossa história, como se mais uma página do livro fosse virada no livro do ciclo da vida. Uma página em branco. E então uma pergunta surge: O que vamos escrever nela?

É provável que ainda estejamos processando as informações do “balanço” do fim de ano, período muito comum para coisas assim. Avaliamos o ano que passou, tantas vezes como num piscar de olhos diante de nós, talvez percebamos que aquela lista de objetivos para o ano não foi concluída (“Mas de que lista ela está falando?! Sequer fiz uma!). Ou nos conscientizamos de que abandonamos alguns objetivos quando os primeiros obstáculos surgiram, ou ainda, tenhamos nos desviado deles por razões diversas. Avaliamo-nos em relação ao que queríamos e ao que nos foi proposto durante o ano, como reagimos e do que tiramos algum proveito diante de tudo o que foi surgindo nos mais de trezentos e sessenta dias que se passaram. Como resultado, podemos encontrar uma série de desculpas para nossa falta de foco, desistência ou insuficiência em realizar tudo o que planejamos no início do ano passado. Podemos também nos dar por satisfeitos com alguns resultados obtidos, ainda que não tenhamos sido os melhores do ano no que nos propusemos a ser ou, por algo que nem saibamos realmente definir, fomos agraciados de tal forma que superamos todas as nossas expectativas. Sinceramente eu não sei em qual dessas três possibilidades você se encaixa. Eu desconfio que faço parte de uma maioria que conseguiu lidar com o ano que passou assim: ganhando e perdendo, conquistando e cedendo, realizando algumas coisas importantes e engavetando outros planos (que no início pareciam também essenciais). O resultado final? Ganhei e perdi e a balança se equilibrou. Estou aprendendo com isso e deixando a gratidão soar mais alta a sua voz, como uma forma de consolo e inspiração para mudar um pouco mais esse ano.

A verdade é que, a menos que algo inesperado aconteça, a vida costuma ter sua cadência, seu ritmo, sua forma de se desenvolver para cada pessoa. Talvez seja algo como uma dança. Mas uma dança particular, feita para cada indivíduo, com música, ritmo e letra que envolva toda a sua cultura, sua experiência e interaja com cada um em movimentos de ações e reações com tudo o que nos envolve. E é justamente por isso, por esse movimento da vida, que eu acredito que Deus existe e age em nós. Sinto-me segura ao observar que tudo o que existe tem seu ritmo, seu ciclo que se desenvolve e se completa, para crer em Deus e em sua Palavra. E já que temos essa sensação de que uma folha do livro foi virada e ela está em branco, esperando-nos para os próximos registros, que tal começarmos o ano um pouco mais próximos do nosso Criador? E não estou falando de frequência nos cultos ou missas, em grupos de oração, grupos de estudo caseiro (sou favorável a todas essas formas de reuniões), tampouco de tudo o que já pensamos conhecer sobre Deus. Falo de permitir que a Luz ilumine o nosso conhecimento. De desafiarmo-nos a experimentar uma vida com Deus totalmente nova nesse ano, a estarmos dispostos a sermos mudados, a ter nossos paradigmas quebrados, a conhecermos profundamente o Evangelho, a permitir que nosso caráter seja moldado pela Palavra, a colocarmos em prática tudo o que nossos lábios professam sobre Cristo.

A versão “A Mensagem” da Bíblia inicia o Evangelho de João introduzindo Jesus de forma brilhante:
“Antes de tudo, havia a Palavra, a Palavra presente em Deus, Deus presente na Palavra. A Palavra era Deus, desde o princípio à disposição de Deus. Tudo foi criado por meio dele; nada – nada mesmo! – veio a existir sem ele. O que veio à existência foi a Vida, e a Vida era a Luz pela qual se devia viver. A Luz da Vida brilhou nas trevas; as trevas nada puderam fazer contra a Luz.” (João 1:1-5).

Não poucas vezes, a Palavra afirma que Jesus é a razão pela qual tudo subsiste. Essa mesma harmonia que houve desde o princípio no relacionamento de Deus consigo e a criação está disponível para nós através do Deus Filho encarnado, Jesus, como nos explicou o apóstolo João: “o Filho é como o Pai, sempre generoso, autêntico do início ao fim.” (v. 14), ele afirmou: “tudo veio por meio de Jesus, o Messias. Ninguém jamais viu Deus, no máximo fora um vislumbre. Foi, então, que essa Expressão única de Deus, que existe no próprio coração do Pai, se revelou, com a clareza do dia.” (v. 18).

Acredito que a “dança” da vida será muito melhor executada por nós se aquele que a fez estiver, efetivamente, dançando conosco. Está na hora de sermos aqueles que fomos chamados para ser, de deixarmos que a Luz brilhe em nós e ilumine nosso conhecimento, gerando mais vida para que tudo isso, de forma harmoniosa, seja transmitido para todas as pessoas que passarão por nós, está na hora de preenchermos as páginas em branco em harmonia com o nosso Deus durante os próximos trezentos e sessenta e cinco dias do novo ano. Se vamos dançar ao ritmo da vida, que seja uma dança harmoniosa e cheia de Luz e Vida. Que seja irresistível para quem ouvir o som e nos ver dançando!

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Um Feliz Ano Novo, cheio de ritmo e Vida para todos nós! 


#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

segunda-feira, novembro 25, 2013

Minha alma de joelhos



Há algum tempo tenho orado e refletido mais do que o habitual nos últimos meses. Sou alguém que acredita que para orar não é necessário estar de joelhos, nem a sós, tampouco num local recluso (embora creia que esses elementos sejam importantes e necessários em determinadas ocasiões), e por isso muito comumente oro não somente quando estou em meu quarto, ou após fazer a leitura e meditação das Escrituras, mas acabo por recorrer ao Paizão em vários pequenos intervalos ao longo do meu dia, como já disse o grande Victor Hugo, “Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos”.

Sinceramente acredito que há momentos na jornada da vida em que a alma está de joelhos e pouco importa se estamos realmente ajoelhados orando a Deus ou não, porque é o estado da nossa alma que se apresenta diante dele: esperançosa, rendida, aflita, sedenta. O mesmo ocorre com nossa mente, transformando pequenos pensamentos em orações, prolongando uma conexão entre a criatura que anseia pela presença de seu Criador. E se fizermos da maneira como deveríamos, a forma de conexão que Jesus demonstrou, relatada nos Evangelhos, saberemos que essa conexão é possível, pois é real, é mais do que mencionar palavras ou frases prontas, pois tem a ver com momentos de reflexão e de postura diante da vida. Orar tem relação íntima com refletir sobre como estamos nos sentindo e encararmos sinceramente a nós mesmos. E mais do que isso, em admitirmos diante do nosso Deus quem somos, como estamos e do que carecemos. Orar é um exercício de humildade. E porque estamos em busca de orientações, orar requer quietude e uma predisposição a escutar, compreender e obedecer a vontade de Deus quando essa nos for revelada. Acredito que Deus aja em nosso meio através de seus filhos (mesmo que de modo algum haja em nós mérito para isso) e isso se dá através da nossa participação da obra de Deus na terra. Ele nos faz participantes de seu Reino.

Ouvi certa vez um pastor dizer que orar faz de nós pessoas melhores, o que devo concordar, porque sempre que me entrego à oração, minha perspectiva muda, pois orar me lembra o quanto sou humana, limitada e bastante incapaz, mas fortalece a minha fé em Jesus que venceu tudo o que havia para ser vencido e me recorda da graça imensurável de Deus, o que me é suficiente. Orar acaba por mudar o meu foco, do problema, passo a mirar possíveis soluções, de mim, passo a focar o outro quando estou orando pelas pessoas. Orar amplia o meu sentido de comunidade e me lembra que nunca estou só, que meus problemas não são únicos, que há muita escassez ao meu redor. Orar pode e efetivamente muda as circunstâncias, mas antes, muda a mim. E quanto mais simples, mais francas e mais constantes são minhas orações, maior a minha consciência de que sou pó e do quanto careço de Deus.


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Caminhando, aprendendo, orando...
#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

segunda-feira, setembro 23, 2013

Oração da alma abatida













Meu Amado Senhor,

Hoje estou aqui, nesse lugar em que podes me ver.
Com esse coração, o qual tu podes sondar.
Carregando em minha alma esses sentimentos, que tu conheces tão bem.
E meus pés hoje estão exaustos.
Minha alma está abatida.
Minhas emoções estão turbulentas.
Contudo, como uma extensão de meu coração hoje minhas mãos rogam a ti.
Meus lábios confessam a razão da minha fé e declaram as palavras da minha esperança:
Amado Deus, abra meus olhos para ver todas as coisas que fizeste.
Conceda a minha alma o privilégio de conhecer a tua bondade e saber de teu cuidado.
Lembra-me de tua fidelidade e ensina-me neste dia.
Que a consciência de que a tua vontade pode não ser a minha não me abandone.
Que a confiança em teu infalível amor seja sempre maior que minhas preocupações.
E estando consciente de tua vontade eu confie sempre em teu amor.
Lembra-te, Deus meu, de que não sou nada sem ti.
Um grão de areia na imensidão do Universo.
Sem tua Palavra meu caminho se torna escuridão.
Sem tua misericórdia sou consumida.
Sem tua graça tudo é desperdício.
Sem teu amor nada faz sentido.
Sem tua Salvação a esperança se desfaz.
A ti, a quem entreguei a minha alma, recorro ó Deus.
Aquele que é, desde o princípio.
Que não conhece o fim, nem a derrota.
Que termina a obra que começou.
Que me conhece profundamente e ainda assim, me ama.
Que se importa o suficiente para me resgatar.
Ilumina a minha mente e aquieta a minha alma.
Lança tua luz e guia-me para seguir exatamente os teus passos, pois não quero outro caminho.
E por fim, que eu não perca muito tempo comigo mesma, meu Senhor.
Porque sei que a vida fora da minha alma pulsa fortemente.
E que há tanta gente lá fora carente de ti.
Que então as minhas mãos sejam uma extensão do teu amor e que se estendam ao meu próximo.
Que meus pés caminhem na direção da comunhão.
Que meus lábios compartilhem da tua alegria e das boas notícias da tua Salvação.
Que meu abraço seja de conforto e meu riso sirva de ânimo.
Que meu olhar para o outro seja sempre de compaixão, jamais de condenação.
Que meu coração seja para servir e, servindo, que toda a glória seja somente para o teu Santo Nome.

Em Cristo Jesus, amém.

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#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

quarta-feira, setembro 11, 2013

A casa caiu

“Tem sempre o dia em que a casa cai”, dizia o poeta. Já na Bíblia tá escrito que “nada há encoberto que não venha a ser revelado”, palavras de Jesus. Dizem também que foi Abraham Lincoln quem ensinou que “você pode enganar a todos por algum tempo, alguns o tempo todo, mas jamais enganará todos por todo o tempo”. Na minha juventude ouvia meu pastor aterrorizando a rapaziada: “O diabo ajuda a fazer, mas não ajuda a esconder”. Depois de algum tempo, fiquei com a opção positiva: “Deus repreende os filhos a quem ama”, e nesse caso, quem gosta mesmo de trazer as coisas para a luz é Deus, que tem absoluto interesse em interromper caminhos de destruição e dar novas oportunidades a quem quer que seja.

Infelizmente já vi a casa de muita gente cair. Aprendi que na hora da crise, do desmascaramento, do flagrante ou da denúncia, quando o pecado é revelado e os esqueletos do armário passam a desfilar na calçada, as pessoas se revelam de fato. Algumas poucas bem aventuradas escolhem o caminho da confissão sem justificativas, racionalizações ou transferências de responsabilidades, e simplesmente exclamam “minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”. E depois se entregam a atitudes como pedir perdão, promover reparações e restituições, se humilhar em silêncio diante das vítimas que agridem em revolta vingativa, buscar conselheiros sábios, se submeter à disciplina dos justos (antes de reagir leia o Salmo 141.5), não apressar o tempo de sua própria restauração, vestir saco e cinzas, e calar todas as reivindicações de eventuais direitos que julga possuir. Tudo isso, evidente e muito provavelmentemente, regado a muitas lágrimas e noites em claro.

Os anos me ensinaram que quando a casa cai, o caminho mais curto e o prazo mais breve da restauração implica seguir o conselho do apóstolo (1Pedro 5.6 – AMensagem): “Contentem-se com o que são (digo, admitam o que são) e não empinem o nariz. A mão de Deus é forte e está sobre vocês. Ele os exaltará no tempo certo. Vivam sem preocupação na presença de Deus: ele toma conta de vocês”.

Ed Rene Kivitz - http://edrenekivitz.com/blog/

quinta-feira, setembro 05, 2013

Pequenos passos...



Há períodos em que a jornada na fé cristã é trilhada 

lentamente. Dia após dia, quase sem perceber 

avanços. Um pequeno passo após outro. Embora 

pequenino, sempre um precioso passo.


"Bendito sejas, ó Eterno!

Treina-me nos teus caminhos da vida sábia."

(Salmo 119:12 - A Mensagem)

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#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

segunda-feira, setembro 02, 2013

Eu queria respostas


Eu queria respostas e gostaria ainda que algumas delas, tu me respondesses prontamente.
Anseio compreender teus caminhos, mas eles ainda parecem-me tantas vezes misteriosos.
Mas sei que tu podes escolher o silêncio.

Tentando encontrar meu caminho, algumas vezes me perdi.
Outras vezes perdi a crença em todas as respostas que pensava já serem certas.
E eu sei que tu tens todas elas.

Tentando fazer o meu melhor, algumas vezes me frustrei.
Outras vezes perdi o rumo entre quem deveria ser e quem os outros queriam que eu fosse.
E eu sei quem sou em ti.

Então me mostra o que fazer quando eu estiver em dúvida.
Vivifica a tua Palavra em mim e dá-me a direção.
Conduz-me por entre a tua perfeita vontade.
E ensina meu coração a caminhar na tua verdade.

Revela-me o tempo de caminhar e toma-me pela mão pela jornada da vida.
Repousa tua mão sobre meu ombro quando for preciso parar.
Deixa-me ouvir tua voz e fala-me de teus planos.
Inspira-me a sonhar os teus sonhos e a te ouvir e ver no que é simples e belo.


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Caminhando,

#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)



segunda-feira, agosto 19, 2013

Eles precisam saber, alguém precisa falar.



Eles Precisam Saber
(Resgate)

Eles só querem saber como é possível viver
Só querem aprender pra poder decidir
Eles só querem entender
Eles só querem sentir a fé que pode existir
Que podem descansar, que podem esperar
E não desfalecer

Alguém precisa falar, eles precisam saber
Que não se vende fé
Saber que Deus não é o que se vê na TV
E eles precisam ouvir só o que Deus quer dizer
Será que ninguém vê que é preciso amar
Eles precisam saber

E eles precisam saber o que é a graça de Deus
Que aquilo que Deus faz, aquilo que Deus tem
Não se pode comprar
Eles precisam saber que Deus pode se mover
Por aquilo que são, por compaixão
E não pelo o que podem dar

Alguém precisa dizer, alguém precisa pregar
Que Ele veio pagar, que Ele veio morrer
Pra que possam viver
Eles precisam de amor, eles precisam ver
Que a inocência traz o risco de pagar
Pelo o que não vão ter

Eles precisam de Deus, eles precisam de paz
Eles não querem pais, não querem faraós
Nem um capataz
Eles precisam saber que agora podem pensar
Que aquilo que Deus vê,
O pregador não vê, o predador não dá

Eles precisam de Deus, eles precisam de mais
Eles não podem ver, eles precisam luz
Precisam enxergar
Eles precisam andar, precisam se libertar
Eles só querem Deus, eles só querem paz
Eles só querem amar

Eles precisam saber que eles não são de ninguém
Que ninguém pode dar e nem manipular
Aquilo que Deus tem
Precisam ver o céu, precisam ver a cruz
Precisam se entregar,
Precisam confessar o Nome de Jesus

quarta-feira, agosto 14, 2013

Eu queria saber cantar...











Eu queria saber cantar

Cantando, iria compor uma canção para Ti

Cantaria o mais alto que eu pudesse

Para que todos pudessem ouvir


Eu queria saber cantar

Cantando, contaria sobre aquele dia

Quando finalmente ouvi tua voz

Em que convenceu-me de teu infinito amor


Eu queria saber cantar

Cantando, falaria sobre tua fidelidade

Sobre cada uma de tuas verdades

Que iluminaram os meus passos

E libertaram-me de minhas prisões


Eu queria saber cantar

Cantando, anunciaria a tua graça

E como estremeci ao ler-te anunciar

Que tudo estava consumado

E nenhum sacrifício era mais necessário


Eu queria saber cantar

Cantando, anunciaria a tua bondade

Teu jeito simples e tua plenitude

E como somos perdoados e aceitos por Ti


Eu queria saber cantar

Uma canção sobre um Deus amoroso

Uma canção sobre a dolorosa cruz

Uma canção sobre redenção

Uma canção sobre esperança

Uma canção sobre possibilidades

Uma canção sobre um amor que não tem fim.


Sim, eu queria saber cantar, para elevar minha voz aos céus todos os dias e com toda a criação, glorificar o teu santo nome, Deus meu.
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#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

terça-feira, agosto 06, 2013

Santilóides!



Como há "santos" na igreja! Sim, "santos" entre aspas mesmo. Você deve conhecer alguns e eu também os conheço. São inúmeros, tem crescido e produzem uma mistura de nojo, asco e medo.

Eu não gosto de "santos", e espero que você não goste e muito menos seja um.

Vou tentar explicar.

Os "santos" a quem me refiro são os patrulhadores chatos dos bons costumes não necessariamente arraigados na Palavra. São aqueles que buscam doutrinas espúrias e absurdas a serem cumpridas com o único fim de se sentirem mais espirituais que outros e mais merecedores da benevolência divida. São "santos" que buscam a auto-promoção cristã-evangélica e o louvor de seus guetos deturbados e alienados.

São doentes de "santidade".

Possuem uma espiritualidade repulsiva, cheia de atitudes neojudaizantes, onde shofar, arca, bandeira de Israel, correntes,  promessas e outras mandingas evangélicas são parte integrante da busca de tal "santidade" baseada na profecia do irmão fulano, na revelação da geralmente mal casada irmã sicrana e dos desvaneios exegéticos do pastor beltrano.

Quando são mais "tradicionais" geralmente se tornam defensores da "sã doutrina" e dos "bons costumes". Claro que tais "doutrinas e costumes" são determinados pela própria visão do movimento histórico evangélico a ser defendido. Estes, diante do novo, posicionam-se contrários, pois o novo geralmente representa perda de poder (and money, of course). Eles não assumem, mas tem uma quedinha e até compreendem o lado de uns tais fariseus contra um tal Jesus de Nazaré (e de Nazaré vem coisa boa?).

Esse tipo de gente é tão "santa" que não se mistura aos desvalidos, pobres, miseráveis e demais pecadores, pois estes são apenas "vítimas da maldição ainda não quebrada", e por isso instrumentos do diabo a serem evitados. O contato com eles diminuiria a posição no ranking dos mais "santos" na denominação a qual pertencem. Assim, ao sair de um culto muito "abençoado" são capazes de pisar sem misericórdia, de julgar sem escrúpulos e a orar sem a graça.

Aliás, para estes a graça não é algo muito pregado e nem mesmo necessário, pois a graça só é necessária prá quem nada é ou tem, e eles tem e são muito. Eles tem tantas "bênçãos" e são tão "santos" que Jesus é apenas um ajudador do tipo que deu o primeiro passo numa caminhada que caminham sozinhos e confiados em si mesmos.

Estes, enfim, são doentes.

Não são santos, são santilóides.

Marquito - (@marquito_pira)  - é pastor da Comunidade Cristã Ajuntamento - Piracicaba/SP - e você pode ler mais textos dele aqui: www.ajuntamento.com.br

domingo, agosto 04, 2013

Poder



"A verdadeira sabedoria e o poder
legítimo pertencem a Deus:
com ele aprendemos a viver
e por que viver."

(Jó 12:13 - A Mensagem)

quarta-feira, julho 24, 2013

Em busca de um sábio conselho



Sê generoso comigo, e viverei uma vida plena;
nem por um minuto tirarei os olhos do teu caminho.
Abre meus olhos, para que eu possa ver
o que me mostrares das coisas maravilhosas que fazes.
Sou inexperiente nesses assuntos:
dá-me direções claras.
Minha alma está faminta e ansiosa,
insaciável dos teus comandos que me fortalecem.
E aqueles que pensam que sabem muito,
ignorando o que tu dizes - deixa-os pensar assim!
Não permitas que eles zombem de mim e me humilhem,
pois tenho sido cuidadoso em fazer apenas o que em aconselhas.
Enquanto meus maus vizinhos fazem fofoca de mim,
estou ocupado em ponderar sobre teu sábio conselho.
Sim, tuas palavras sobre a vida são o que me dá prazer:
eu as escuto, como a bons conselheiros!

(Salmo 119:17-24 - A Mensagem)

quinta-feira, julho 04, 2013

Criação de igreja é negociada até em anúncio de classificados


(Jailton de Carvalho)

BRASÍLIA - Se abrir uma empresa é sonho de consumo de todo empreendedor, montar sua própria igreja virou sinônimo de um bom negócio. No último fim de semana, a seção de classificados de um jornal de Brasília tornou público o desejo de um certo Francisco. "Procuro 2 pessoas p/ juntos abrirmos uma igreja", diz a curta mensagem na área destinada a recados, logo abaixo de outros outros anúncios em que homens e mulheres procuram parceiros para relacionamentos sinceros.
A mensagem de Francisco vem acompanhada do número do celular para contato. Quem se atreve a ligar para o telefone indicado, rapidamente esclarece qualquer dúvida sobre o motivo do negócio. Na segunda-feira, o autor do anúncio, que se apresenta como Francisco, foi direto ao ponto:
- Eu não sei qual é o seu objetivo. O meu eu sei. É espiritual e financeiro. Sou bastante objetivo nos meus negócios - avisa.
Ele diz que prefere ser franco porque não quer perder tempo com discussões sobre ortodoxia religiosa. Sem contestação do outro lado da linha, Francisco se sente à vontade para expor seus planos. Ele quer fundar uma igreja pentecostal como muitas outras que existem por aí e ganhar muito, muito dinheiro. Basta usar técnicas de hipnose coletiva, simular milagres e recolher dízimo.
- Não tem limite. É muita grana. Dois milhões. Dez milhões. Ou até mais. O negócio é um rio correndo para o mar - profetiza.
Francisco tem como espelho pastores de outras igrejas que surgiram no nada e, de repente, se tornaram um império. Ele diz que não quer exatamente ser uma estrela de TV. Não é um grande orador e nem faz questão de demonstrar conhecimento profundo de textos sagrados. Para o mais novo candidato a pastor, basta uma sala num barraco qualquer, de preferência numa área bem pobre e algumas cadeiras de plástico.
- As igrejas não estão procurando pastores. Eles querem um sujeito que tenha noção de hipnose. Que é uma coisa muito mais rápida. Você vai chegar numa sessão, vai hipnotizar o povo. A pessoa vai ficar hipnotizada. Vai te dar 10% hoje. Amanhã da mais 10% e conta o milagre para os outros - explica.
Segundo ele, as pessoas mais simples querem milagres e estão dispostas acreditar em qualquer situação que pareça extraordinária. O futuro pastor diz ainda que os riscos do negócio são mínimos. O aluguel de uma sala num bairro pobre fica em torno de R$ 500. As cadeiras de plástico podem ser compradas a medida em que o número de fiéis for aumentando. Ele até sugere um lugar para começar:a Vila Estrutural, uma das favelas mais pobres do Distrito Federal. Não importa se outras igrejas chegaram primeiro.
- Quanto mais, melhor - diz.
Em seguida convida o interlocutor para uma conversa particular para acertar os detalhes do negócio. No primeiro contato não pediu investimento inicial dos sócios, nem disse como o negócio será rateado.
A fé pode render muito. Exemplos não faltam. E, então, ele começa a citar nomes de outros aventureiros que se tornaram ricos, muito ricos, vendendo ilusões. Francisco é de uma sinceridade quase religiosa.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/criacao-de-igreja-negociada-ate-em-anuncio-de-classificados-8883673 - Publicado por O Globo em 02/07/2013

domingo, junho 30, 2013

Salmodiando

Se o Eterno não construir a casa, a obra dos construtores não passará de frágeis cabanas.
Se o Eterno não guardar a cidade, o vigia noturno não servirá pra nada.
Salmos 127: 1 e 2 
[versão A Mensagem]

quarta-feira, junho 19, 2013

Proteste!

Foto vista em Melhor que Bacon


Sim, vou falar sobre as ondas de protesto que estão invadindo muitas cidades do Brasil e mobilizando multidões compostas, em sua maioria, por jovens. Vou me posicionar como pastor e, como você pode imaginar pelo próprio título do texto, defender os protestos e incentivar você a participar deles. Gostaria, para isso, de fazer algumas considerações.

1 - A Igreja Protestante tem no seu DNA o protesto contra a injustiça, o erro, a opressão e a corrupção. Sei que isso foi muitas vezes negado e rejeitado (pela própria igreja) como um ser que tenta lutar contra si mesmo e suas características, o que pode ser possível por um tempo, mas não é possível para sempre (esse gigante também pode acordar). Se você é protestante então é filho de uma tradição de homens que se levantaram contra o status quo, muitos deles pagando com a vida por isto.

2 - Não nego que há excessos de todos os lados, mas o fato de haver excessos não pode tirar do movimento a sua legitimidade. Há excessos cometidos em praticamente todas as igrejas e nem por isso somos incentivados a não fazer parte de uma comunidade. O que precisamos é de uma postura cristã mesmo em meio ao erro. Assim, o protesto não é o erro, o que me permite como cristão participar dele.

3 - O Mestre da Igreja, Jesus Cristo, quando necessário, demonstrou a sua ira e indignação no caso conhecido dos vendilhões do templo. Muitos argumentam que a sua ira não era ligada a um movimento político, mas religioso, o que não é verdade, pois na época de Jesus a religião e a política estavam intimamente ligados. Ao protestar contra um sistema religioso corrupto e corruptor ele também estava protestando contra uma política que fazia a mesma coisa.

4 - A Bíblia não demoniza aqueles que protestam, pelo contrário! Há muitas recomendações bíblicas para que levantemos a voz contra a opressão e em favor dos oprimidos. A agenda do Reino de Deus contempla, ou deveria contemplar, a luta contra aqueles que oprimem. A igreja deveria ser a voz dos que não tem como falar e os braços de quem não tem como lutar.

5 - Essa é uma chance da igreja, enfim, deixar de ser um espaço alienante, de fuga da realidade da vida, para um organismo vivo que sente a dor do próximo, solidariza com ele e levanta a voz como um ato de amor. A defesa da não participação com o argumento de que não somos cidadãos do mundo, mas dos céus, é fruto de uma eclesiologia completamente antibíblica.

6 - Quando nossos filhos olharem para o passado e nos perguntarem, poderemos afirmar que fizemos alguma coisa além de ver tudo pela TV. Quando perguntarem onde estava a igreja poderemos mostrar as nossas fotos, contar os fatos e dizer que a igreja, enfim, estava lá!


Marquito - @marquito_pira
Pastor da Comunidade Cristã Ajuntamento e você pode ler mais textos dele no site: www.ajuntamento.com.br

quinta-feira, junho 06, 2013

Jesus propõe o estilo: “Ser Sal e Luz”

Num contexto social da Ação do Evangelho, Jesus propõe o estilo: “Ser Sal e Luz”; E como tudo o que disse, Jesus exemplificou a orientação em vida. 

Seu estilo foi discreto, mas marcante.
Seu jeito foi desafiador, porém simples.
Abriu mão de discussões sem sentido, mas não se furtou de posicionar-se.
Diante da glória dos homens, simplesmente fugiu.
Diante de uma mãe que buscava a cura da filha, mudou de idéia e abriu mão do descanso.
Não se furtou de elogiar um Centurião nem de eleger um Samaritano como herói.
Diante da cúria religiosa Judaica, foi duro ao denunciar a hipocrisia classificando-a como: “Filhos do diabo”.
Poucos ouviram.
Poucos creram.
Poucos seguiram.

Com o passar do tempo, reinventaram Jesus. Ele passou a ser o “fundador” de um sistema religioso. Sistema este que bancou reis e imperadores. Sistema que “doutrinou” povos e “matou” culturas. Sistema que organizou exércitos e conquistas em que milhões de pessoas foram mortas. Basta uma simples leitura nos livros de história que tais afirmações podem ser confirmadas.

O tempo continuou folheando a saga da humanidade e a figura criada de Jesus continuou a se adequar de acordo com o sistema. Hoje o “jesus criado” é capitalista e muitas de suas “igrejas” são fontes de pregações em que a figura do homem se impõe como “legítimo ungido” e o importante é “conquistar”.

Mas, assim como foi naqueles dias em Israel, a Mensagem de Jesus continua hoje. Levada pelo Vento e encontrando pouso em corações simples que não se deixam levar pelos muitos “jesuses”. Tais corações simples, absorvem na vida o exemplo do Carpinteiro que continua a ensinar onde quer que haja um ouvido para ouvir.

Discreto.
Marcante.
Desafiador.
Sal.
Luz. 

E os que assim crêem, vivem e falam; pensam e multiplicam;  num ciclo constante de Amor à Deus e ao próximo. E assim, longe dos holofotes, seguem o Caminho. Agradecendo pelo pão de cada dia e crendo que há um Sentido Maior Naquele que o convidou e fez de cada um: Sal e Luz; ainda que poucos ouçam; creiam ou sigam. 

Ubirajara de Oliveira Santana contribuindo por email

segunda-feira, junho 03, 2013

O suficiente nosso de cada dia nos dai hoje

Andando pela rua, me vieram a mente os versos da oração do Pai Nosso que assim dizem: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.  Fiquei pensando: Por que Jesus, ao nos ensinar a única oração realmente intitulada como sua nos evangelhos, escolheu o pão? Por que não o boi nosso? O rebanho nosso? A floresta nossa? Enfim, coisas mais abundantes e grandiosas e que nos levariam automaticamente a uma maior serenidade.

Grifo o automaticamente porque é hoje assim que vivemos muitas vezes, “no automático”, sem muita reflexão, sem muita indagação, apenas no afã de termos bem mais do que sermos (jargão batido) e não termos apenas o suficiente, mas o acúmulo. A era pós-moderna ou seja lá como a queiram definir sociologicamente, nos leva  à sofreguidão do acúmulo, o que torna a própria oração do “Pai Nosso” obsoleta. Só pão? Não!

Não queremos o suficiente, queremos muito mais. Queremos nossas despensas transbordando, queremos consumir seja ao custo do planeta, ao custo de nossas saúdes, de nossas famílias e o que mais vier incluso no pacote chamado “vida”.

A própria teologia arrebatadora de corações e mentes informa que sinal da “benção de Deus” é ter. Mais uma vez o consumismo tomando centralidade onde deveria haver cristocentricidade.

Reflito em muitas de minhas inquietações e de muitos companheiros de jornada e percebo que muitas delas revelam contornos da ausência do “ter”, da cobrança por às vezes não querer mas “dever-ter”. Engraçado que aprendi nas aulinhas da faculdade de Direito dobre o “dever-ser” e hoje me pego pensando em tantos quantos vivem a ansiedade do “dever-ter” e todo o caos existencial que daí advém.

Ansiedade, medo, culpa, descontrole, pânico, bipolaridade, é a humanidade sendo levada aos limites da resiliência não por condições climáticas adversas, não por guerras (não daqueles moldes que conhecíamos antigamente), mas pelo afã de consumir.

Olho para esse quadro trágico-patético do qual não me retiro e deixo as palavras do Mestre reverberarem em meu coração: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Lembro ainda do “famoso-esquecido” Salmo que diz: “O Senhor é meu Pastor e NADA me faltará”. Ele nos trará o suficiente e muitas vezes o mais do que suficiente. Por que não? Não nego a generosidade, afinal Ele é o Abba-Pai que entrega o melhor aos seus filhos.

E o melhor, não é necessariamente o mais numeroso quantitativamente. Não confundamos quantidade com qualidade.

O filho de Deus viveu como carpinteiro, nos declarou que muitas vezes não tinha onde reclinar a cabeça e ainda assim produziu a grandiosidade de ser falado e lembrado até os dias de hoje.

Que a volatilidade das riquezas, a ilusão dos bens materiais e a transitoriedade de todas as coisas possam aquietar os nossos corações, que não sejamos como os que correm atrás dos ventos, ou como o homem da parábola, que após juntar muito em seus celeiros, achou que TUDO estaria resolvido e o que ele ouviu? “Louco, esta noite te pedirão tua alma!” (Evangelho de Lucas, capítulo 12)

O que daríamos em troca de nossa alma?

Que não nos falte o suficiente para calma em nossa alma e que ao final de cada dia agradeçamos ao Pai Celeste não pelo que ainda não temos, mas pelo que já temos e que com toda a certeza é o suficiente, pois “basta a cada dia o seu próprio mal” e acrescento “o seu próprio bem também”.

Roberta Lima


quarta-feira, maio 29, 2013

Inteligência (e bom testemunho) na madrugada

Rubinho Pirola
Nada forçado, apesar do entrevistado ser um artista, músico, e... crente.
Assim vi a entrevista do ex-Paquito Alexandre Canhoni, ou Xand, no programa Agora é Tarde do comediante Danilo Gentili na Band.
O que podia ser mais do mesmo, aquela do ex-artista fracassado que se converte e nem bem esquentou já está desfiando uma pregação repleta de chavões e frases-feitas. 
Não que seja tarefa fácil tapar a boca de um novo convertido, cheio de gás, de paixão por Cristo... mas infelizmente não é disso que estou falando. Geralmente, alguém assim, desfaz qualquer má impressão por um testemunho convincente. A paixão não é algo bem comportado e com modos.
Infelizmente, temos visto mais do primeiro exemplo.
O que temos assistido nas nossas TVs é uma teologia de buteco, pregações rasas e geralmente imbecis  e pregadores sem modos (entendamos: sem educação, que não ouve, não respeita o outro), presunçosos e de uma vaidade que beira ao ridículo.
Fui premiado ontem ficando até tarde.
O assunto principal foi a solidariedade (do ax-artista que largou tudo, vive com a esposa no Níger, segundo país mais pobre do planeta, com 15 filhos adotivos e mais de um milhar de abrigados no seu projeto humanitário)...
A fonte desse trabalho, o que o motivou a fazer o que faz e a sua conversão dos valores e princípios, vieram puxados pelo microfone do entrevistador, abertamente – e sinceramente – interessado nas obras que sinalizavam algo maior. A raiz estava na fé do entrevistado, fruto do seu encontro com Jesus.
Nada mal para quem já começa a acreditar na estúpida mania de perseguição – quase esquizofrênica dos crentes de hoje. Só têm sido atacados e perseguidos os que teimam em parecerem-se, em apresentarem-se idiotas (não estou sendo juiz, só digo que aparentam ser, rsrsrsrs).
Com esse tipo – idiota – de pregação, de testemunho, ou o que queiramos chamar no alto do nosso exercício do “evangeliquês” – temos mais é que levar pau. E sermos perseguidos.
E que saudade do tempo em que éramos perseguidos pelo nome de Cristo...
Quem desejar conhecer o trabalho, deve acessar: http://guerreirosdedeus.com.br/

quinta-feira, maio 23, 2013

Fácil X Difícil




É fácil criticar a paixão que muitos crentes expressam por seus times de futebol.

Difícil é discursar que a vida que muitos crentes perdem em busca da prosperidade financeira é que é verdadeiramente demoníaca.

É fácil convocar o povo crente em Jesus para a Marcha.

Difícil é marchar verdadeiramente para Jesus num evento em que tantas vezes nomes de pastores, de denominações e de organizações pastorais é que são exaltados.

É fácil orar pela unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja e pela rendição da cidade ao senhorio de Jesus Cristo.

Difícil é planejar ações sociais, de impacto transformador na vida da comunidade em parceria com outras denominações que não exaltem o nome de uma só e andar em unidade o restante do ano.

É fácil fazer eventos gospel.

Difícil é apresentar as boas novas do Evangelho para a transformação de vida num evento onde a maioria dos participantes já são crentes.

É fácil dizer “amém”, “louvado seja” e “glória a Deus” a tudo quanto o pastor diz.

Difícil é ler, estudar e meditar na Palavra de Deus sob a presença do Espírito Santo para lhe revelar as Escrituras Sagradas.

É fácil rotular e se afastar.

Difícil é caminhar junto e compreender a jornada do outro.

É fácil repetir os clichês gospel e as frases deterministas.

Difícil é compreender as contingências da vida e continuar a crer na majestade e soberania do Deus vivo.

É fácil viver sob a Lei e confiar que, no que não for possível, que Deus terá misericórdia.

Difícil é viver sob a Graça e viver como justificado por Jesus Cristo.


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Com Jesus na Jornada,
#2 Andréa Cerqueira
(@acspira)

segunda-feira, maio 13, 2013

Testemunho





















Talvez o mundo esteja


cansado de ouvir as

nossas palavras, 


mas esteja sedento para

enxergar a nossa vida. 




(Marquito Lopes Ribeiro Junior  >>> @marquito_pira)

sexta-feira, abril 26, 2013

As duas virtudes que abandonei


Outro dia recebi um email da Rosicler, de resto muito amigável, em que ela dá a entender que sou, de alguma forma e de uns tempos para cá, um “novo Paulo” – não exatamente aquele do qual ela se recorda. A Rosi não chega a dizer que isso é uma coisa negativa, mas achei significativo porque ela não é a primeira pessoa a sugerir a mesma coisa.

É um comentário inquietante de se ouvir porque sinto-me, basicamente, o mesmo. Os temas que povoam a Bacia me assombram, em maior ou menor grau, desde que tenho dez ou doze anos de idade – indicação de que, do meu ponto de vista privilegiado, de dentro, pouca coisa mudou.
Porém quando pressionado dessa forma consigo ver que, sim, para os outros, alguma coisa deve ter necessariamente mudado no que se esperava de mim e em mim.

A resposta mais curta que posso fornecer aos perplexos é que, dentro de um processo iniciado há mais ou menos quinze anos, abandonei duas virtudes que eu antes considerava de importância fundamental. A ausência dessas virtudes é, com toda a probabilidade, a mudança que os outros enxergam em mim.

Tenho de confessar que essas virtudes pareciam, a mim também, parte essencial do que sou. Eu lutava com todas as forças para exprimi-las de todas as formas. Por isso, de certo modo, não é de estranhar que sem elas eu pareça para os outros definitivamente outro – o Novo Paulo, para eles não necessariamente superior ao Velho.

Sobre o processo que desencadeou essa mudança posso explicar pouco. É fundamental, no entanto, que eu diga que nesses dez últimos anos estudei o Novo Testamento mais apaixonadamente do que jamais havia feito. Minha admiração pelo conteúdo da mensagem do evangelho é hoje muito pessoal e muito mais intensa. Há também, é claro, pessoas-chave que serviram de poderosos gatilhos de auto-conhecimento – especialmente o Néviton, a Olívia Garcia, o Ivan. Todos esses, no entanto, ajudaram-me apenas na medida em que apontaram para a mesma fonte e para o mesmo Mestre.

Se abandonei definitivamente algumas virtudes é porque fui convencido pelas palavras, pelo exemplo e pelos seguidores de Jesus de que essas atitudes em particular não eram realmente virtudes, mas vícios – falhas de caráter que eu teria de abandonar para o meu próprio bem e do meu próximo.

A primeira virtude falha de caráter que abandonei foi minha obsessão em agradar os outos.
Os outros sempre me interessaram mais do que a mim mesmo. Desde que me conheço por gente e no processo fundamental de definir o que sou, decidi que viveria para os outros, muito mais do que para mim. Ou: descobri e decidi que eu só faria sentido diante de mim mesmo na minha relação com os outros – especialmente por eles. Alguém que não tivesse paixão pelos outros, percebi, não seria eu.

Minha decisão não mudou, é claro, por isso não é correto dizer que mudei. Meu erro fundamental foi crer que para amar os outros eu deveria lutar pela aprovação deles e que para ajudá-los eu deveria agradá-los – o que fiz, como se sabe, com toda a diligência.
Hoje me parece muito evidente que amar as pessoas não é o mesmo que agradá-las ou ganhar a aprovação delas, mas sou um sujeito teimoso. Foi necessário um processo de quase duas décadas para que eu me convencesse do contrário – processo durante o qual lutei teimosamente contra a evidência da vida e das Escrituras.

Hoje o contrário é que me parece evidente. É claro, vejo agora, que o modo mais desonesto de amar as pessoas é agir deliberadamente de modo a ganhar a aprovação delas. É evidente que a forma mais certeira de não ajudar uma pessoa é dizer aquilo que ela quer ouvir.

Como permaneço eu mesmo, não me arrependo de forma alguma de todo o tempo, recursos e dinheiro que gastei no serviço dos outros. Não me arrependo da companhia, da comunhão, das esmolas, dos favores, dos empréstimos, dos abraços, dos passeios. Eu faria tudo novamente, e muitas vezes. Faria muito mais e de forma mais radical – e espero de fato fazer.

Arrependo-me profundamente, sim, de ter feito essas coisas acreditando que as outras pessoas estavam sendo beneficiadas pela magnanimidade dos meus esforços. Arrependo-me de ter acreditado que para os outros o mero fato de gostarem de mim tornava-os automaticamente pessoas melhores. Arrependo-me de ter dito o que as pessoas queriam ouvir quando o que poderia salvá-las era a verdade da qual elas prefeririam fugir. Arrependo-me de não ter amado como convém.

Abandonei a virtude/obsessão de agradar os outros porque fui finalmente forçado a engolir a terrível sentença de Jesus em Lucas 6:26: “Ai de vocês quando todos falarem bem de vocês, porque os seus antepassados tratavam os falsos profetas da mesma forma”.

Os falsos profetas, naturalmente, fazem com que você se sinta bem. Eles dizem o que você quer ouvir por que querem te conquistar a todo custo – até mesmo ao custo da verdade.

Minha paixão pelos outros apenas aumenta, mas não tenho qualquer ambição de profeta – especialmente de falso.

Paulo Brabo - A Bacia das Almas