terça-feira, fevereiro 15, 2011

Quando o caminhar faz seu próprio caminho



Provavelmente você já conhece uma frase famosa de C.S.Lewis que diz: “Pensava que andávamos por caminhos já feitos, mas parece que não, o nosso ir faz o caminho”. Eu, pelo menos, tenho lido-a sempre em citações no Twitter, Facebook e em blogs por aí. E vira e mexe, ela me faz pensar sobre a minha jornada de fé em Cristo.
Para quem já me conhece um pouco mais, sabe que passei por um esgotamento emocional com a “Igreja Evangélica” há cerca de um ano e meio. Foi um período difícil, trabalhoso no sentido espiritual e emocional, pois me trouxe uma série de questionamentos e decepções decorrentes da situação da chamada “Igreja”. Naqueles dias, desejei nunca mais por meus pés em qualquer denominação, porém eu tinha plena consciência de que precisava de um lugar para congregar e compartilhar a minha fé com outros cristãos. Quando estive perdida, Deus iluminou os meus passos e conduziu-me.
Dificilmente qualquer mudança é simples e fácil. Mas muitas vezes todo o trabalho que ela dá é necessário. Passado um tempo, vi que o desconforto da mudança fez-me aprofundar meu relacionamento com Deus – e principalmente a minha dependência dele. Precisei confiar que encontraria um lugar para estar, que haveria tempo para a cura, que voltaria a me sentir em paz com a opção de ser uma cristã protestante. Lancei-me ao mar quando deixei a minha zona de conforto, construída durante quase doze anos, fortalecida por uma relação saudável com os membros da minha congregação, com os líderes, com os muitos amigos conquistados. Sequer imaginava onde isso tudo daria, mas confiei que Deus jamais me abandonaria em mar aberto.


Terra firme à vista


Tenho encontrado – na internet e na vida fora dela – muita gente [mesmo] arrebentada com a religião [aqui entenda-se descrente das igrejas evangélicas] e desanimadas. Essas pessoas param de congregar e ficam desesperançadas por encontrar um lugar que seja, pelo menos, mais saudável do que o último. Realmente, o quadro não tem sido estimulante. Depois de um tempo de pesquisas, orações e reflexões, vi que, no meu caso, o desgaste aconteceu com a teologia neopentecostal e como encontrei muitos outros como eu, pensei que devia ser esse o motivo do caos espiritual e emocional de tanta gente, até conhecer vários outros cristãos em crise também nas denominações históricas (ou tradicionais) e algumas pós-modernas. Ou seja, há crise em todo lugar.

Ainda assim, tenho acreditado nas exceções, porque sei em Quem tenho crido. Não abandonei uma teologia para substituí-la com outra: tenho me alimentado do Evangelho, buscado compreender a Palavra de Deus em todo o seu contexto, sempre questionando e pesquisando. Nenhuma revelação humana tem sido mais importante do que o que já está revelado na Palavra. Por mais que eu respeite os que são chamados como “homens e mulheres de Deus”, confronto diretamente suas revelações e doutrinas com a Palavra e absorvo aquilo que é fidedigno. Tenho aprendido muito. O meu maior desafio? Estudar e compreender a Palavra sem os óculos da religião. Saiba, se o Espírito de Deus não me auxiliar, minha jornada será um fracasso.
Mas, de tudo isso, o que de mais precioso tenho vivido é: o importante mesmo é não parar. Não deixar de caminhar. O cantor Jeremy Camp disse há alguns anos em seu testemunho sobre a música “Walk by Faith” (Andar por fé): "Caminhe, ainda que em alguns momentos seja preciso dar passos como os de um bebê, porque às vezes isso é necessário, mas caminhe." A vida segue assim, caminhando às vezes com passos maiores, pequenos saltos, mas consciente de que em outros momentos é preciso dar pequenos passos, cambaleantes, mas preciosos.




Caminhando com e no Caminho,
Andréa 
Reações:

Um comentário:

  1. Nesse meu caminhar encontrei o blog ,graças a Deus que nos ajuda na procura por algo que fale a mesma língua e assim não parecemos tão sozinhos na estrada ,gosto muito de vocês meninas!Ontem atendi o telefone de uma moça vendendo um canal de TV a cabo ,o interessante era o sobrenome dela ,conhecido aqui na cidade de Porto Alegre de uma família de crentes ,curiosa , perguntei qual o parentesco dela com o pastor tal ,então abriu o coração ,foi criada nesse meio ,mas quando mais precisou foi descartada dele.Naquele instante , senti a dor dessa moça ,sei muito bem o que é isso ,bem meninas...ta longa essa história ,mas vale dizer que tem muiiiita gente nessa caminhada calejadas pela ingratidão do homem (de Deus).Acabei orando por ela e fortalecendo-a para que não desista de quem nunca nos deixa só.

    Um grande abraço!

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