domingo, março 06, 2011

A parábola do Capitão Nascimento


Essa é minha “tradução” para a parábola “do joio e do trigo” (Mateus 13: 24-30).

Sucesso extraordinário do cinema nacional, o filme Tropa de Elite me serviu de inspiração para ilustrar uma das mais famosas estórias de Jesus. Entendo que se contasse essa parábola hoje, diria o seguinte:

“O reino dos céus é semelhante ao comandante do BOPE, que tenta orientarseus soldados a serem dignos e cumprirem seu dever. Entretanto, todos sabemos, há a banda podre da polícia, que tira proveito da ilegalidade e compactua com criminosos. Os soldados do capitão Nascimento, cientes disso, perguntam ao chefe se podem “dar um jeito” nos maus elementos. No que respondeu o oficial: Não, pois vocês podem pegar um inocente, sem querer. Deixem o serviço de eliminar os policiais ruins para a Corregedoria, pois é função deles separar o joio do trigo.”

Moral da estória: a tarefa de separar dignos e indignos compete a Deus, não aos homens.

Fico impressionado como Jesus conhece o ser humano. A parábola “do joio  e do trigo” é prova inconteste disso: não nos contentamos com nosso papel, e sempre pensamos ser capazes de ajudar Deus a fazer o dele. Somos chamados a participar do Reino para ser policiais honestos (trigo), mas estamos mais preocupados com os maus policiais (joio). Pior ainda, queremos eliminá-los de qualquer jeito, pois não são “bons”, nem“dignos”, como nós achamos que deveriam ser.

Estamos prontos para disciplinar, julgar e até condenar aqueles irmãos, geralmente os mais simples ou“pecadores”, que vivem situações complicadas. Atitude típica de fariseu. Se a filha dos outros engravida, ela é“biscate”, mas se é da turma dos influentes da igreja, a garotinha foi “seduzida”. Se o filho do irmãozinho humilde não trabalha é“vagabundo”, se é o filho do empresário está “disponível para o mercado de trabalho”, e por aí vai.

Não nego que há pessoas mal intencionadas e que mereceriam ser retiradas do convívio social, mas quando essa tarefa fica nas mãos humanas, outros fatores influenciam as decisões: ‘fulano tem rixa com o dr. Marcondes (nome hipotético)?’ ‘A igreja consegue ficar sem o dízimo do dr. Marcondes?’ ‘A filha do dr. Marcondes é noiva do filho do pastor, então deixa pra lá…’ Compreende onde quero chegar? Não somos justos, nem imparciais o suficiente para executar bons julgamentos, por isso, salvo raras e evidentes exceções, devemos deixar essa tarefa para o “justo juiz” (Hb 12:23) ou corremos o risco de cometer graves injustiças. Até a próxima!

William Mazza é engenheiro, cristão e colaborador do Bereia Blog

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Reações:

2 comentários:

  1. Esse negócio de julgar dá pano pra manga, principalmente por que não estamos capacitados para separar o joio do trigo (isso por que essa função não é nossa).
    E o que pode ser joio pra você, pra mim pode ser trigo. Digo isso por que também acredito que esse reconhecimento seja feito por dentro, olhando o coração, sei há casos que se revelam claramente, mas não falo de exceção a regra.
    Pra falar a verdade a nossa boca é quase do tamanho da maldade do nosso coração, e nós nos colocamos sempre acima do outro, por isso fazemos vistas grossas ao que pode nos dar alguma vantagem ou não nos prejudicar, sabe o lance de puxar a farinha pro nosso lado?
    Mas eu queria mesmo é alguns pedissem "pra sair", por que a coisa tá feia!!!

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  2. Seguindo as Meninas do Reino.. Perfect Blog!!!

    Bjss

    Att. Confissões Insanas

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