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segunda-feira, junho 30, 2014

Antigas vitórias


Há um poder destrutivo nas antigas vitórias. Algo que nos faz pensar que que são eternas e que podemos revivê-las sempre que as lembrarmos.

Nos aquecemos pensando em como aconteceram, como se  ainda existissem e merecessem total atenção e respeito.

Infelizmente, as conquistas têm curto prazo de validade; esfarelam-se após alguns poucos meses.
Se venceste há cinco meses em algo, hoje já não as possui mais.
Essa é a regra.

Não. Por favor, não pense que isso é cruel ou rude. A vida tem seus motivos de ser assim.
Precisamos de novas conquistas, novos assuntos, novas maneiras de ser nós mesmos sempre. Precisamos ter conosco desafios que nos impulsionem a fazer mais e melhor. É por isso que deprecia-se quem vive os tempos passados somente.

O antigo provérbio iídiche tem suas razões em dizer:

'O homem é o que é, não o que foi.'

Então seja.
Seja, na conjugação mais presente do verbo.
Seja o seu melhor todos os dias.
Pois viver pode até parecer, mas não é atemporal.


Um beijo,
Lu.

sábado, março 08, 2014

O tal 'Dia Internacional Da Mulher'



Hoje é o Dia Internacional da Mulher e, embora eu não seja muito chegada em datas e comemorações, compreendo o calendário como uma nota de 'memória' para as coisas que nos importam; e, hoje, a festa é para o ato de 'ser mulher'.

Penso que, ser mulher não é apenas a identificação de sexo, mas um comportamento interno, profundo e absoluto. Disse alguém - e não me lembro quem! - de modo certeiro: 'Ninguém nasce mulher', e isso é fato, nascemos meninas e com o tempo nos tornamos mulheres.

Apesar do ciclo natural ser essa transformação, há muitas 'mulheres' que envelhecem ainda em estado de menina, outras deixam que as características femininas se diluam em pedaços tão miúdos que sequer são percebidos; ainda outras amargam e estragam sua própria essência.

Apesar de pensar assim, sei que o 'ser mulher' pode ser resgatado em qualquer uma de nós que se proponha a isso, mesmo depois de muitos anos, pois, wsses atributos são nossos, por natureza.

A sensibilidade, a delicadeza e a força são alguns deles, assim como a coragem e a beleza. Há tantos e todos comportamentos que são nossos e nunca utilizamos! Falo por mim, que hora e outra abandono minhas necessidades de poesia e descanso para outras conquistas e necessidades.

Em suma, diferente dos outros anos em que desejei apenas um 'Feliz dia das mulheres' para as minhas amigas, hoje, eu gostaria de desejar, para muitas de nós, a restauração do 'ser mulher' e dessa essência quase perdida num mundo que exige que sejamos 'muitas' e que façamos milhares de coisas; nesse tempo em que exigem de nós posturas diversas e que desenvolvemos multiplas tarefas para podermos cumprir nossas metas e sermos respeitadas.

Desejo, de todo o meu coração, que a nossa natureza feminina tenha destaque em nossos comportamentos, nas nossas palavras e no nosso olhar.
Que sejamos mulheres na NOSSA mais pura essência.

Um beijo da 'menina',

Lu!

quinta-feira, março 06, 2014

A moça empurrada nos trilhos da Sé e a nossa contribuição diária para a desgraça generalizada.





Não tenho mais aquela velha e rasa mentalidade de quem acredita na existência de pessoas boas, e pessoas más. Basta uma auto reflexão para eu entender que, como humana sou má e boa. Depende do momento, da minha motivação, daquilo que me estimula, daquilo que me é vital, daquilo que me toca e me domina, daquilo que eu alimento a alma. Mesmo sabendo disso, tento não fazer de um momento ruim, uma maldade que vire um eco e uma desgraça real para além dos meus pensamentos viciosos. Consigo não atingir outros, nem punir outras pessoas por isso, as vezes só eu mesma tomo do meu veneno. Saber do que a gente é capaz quando contrariados, já é castigo suficiente quando temos consciência. 
            A nossa ação é estimulada por pensamentos.  É dentro da nossa cabeça que começamos a criar o nossos fantasmas, reis, rainhas, nosso mundo encantado ou desgraçado. Este mundo interno está constantemente sofrendo influências no roteiro, aquilo que nos rodeia fora pensamento, gera um outro pensamento que cedo ou tarde, muda este script. A maioria das vezes, muda para pior, para o pessimismo, para a vingança, para a maldade, para uma ação repentina, para aquilo que não gera vida e muito menos esperança. E não raras as vezes, aquele momento não reflete o contexto geral da nossa história. 
           Um exemplo claro disso, é quando eu estou tranquila no ponto esperando ônibus e vejo outro cidadão xingando, batendo boca com o motorista, sinto que ele está aclamando para eu fazer o mesmo, mesmo que eu não esteja escrevendo aquela historia para mim, naquela hora sinto indignação com o sistema público brasileiro, meus impostos, meu dinheiro e aí, quando vejo já alterei meu script do dia, e quando menos espero, outros que ali estavam fazem figuração, e aquele motorista que é tão vitima do sistema político brasileiro como eu, se irrita com as ofensas e reclamações generalizadas, cansado passa a correr e a desrespeitar os passageiros, até que ele fecha a porta no meio de alguém que estava indo alegremente pra casa  descansar e que não estava se quer a fim de reclamar, porque saiu mais cedo de casa e se preparou para eventuais atrasos. Pronto, o ciclo se encerra com todos nós,  atracados na praia da desgraça. O cenário perfeito para o crime. O descaso público, uma vítima, pessoas indignadas e um culpado (tão vítima quanto).
              Quero dizer aqui que, no que me diz a respeito não quero alimentar este ciclo de desgraça. E acho que, inconscientemente o fazemos, e de diversas formas. A indignação se não direcionada para seus alvos corretos, mata inclusive aquele que a apontou, porque ela se alastra como praga, e gera uma ira incontrolável, a indignação é a prima mais nova da desgraça e a namorada ciumenta da bondade. A indignação é uma mola que, ao ser esticada e solta vai sair batendo em todos os cantos até se estabilizar. 
           Mesmo que o motivo desta indignação seja real e legitimo, eu me preocupo muito para onde estamos caminhando com nossos scripts.  Discursos violentos sendo aclamados, posicionamentos rasos a respeito de tudo sendo levados ao pé da letra como agregadores de valor humano. Não vejo um sorriso gratuito, uma palavra real ( clichê de Facebook não conta) de incentivo ao bem comum.  As pessoas estão se alimentando de crueldade e rindo como se isso fosse seu roteiro principal desde que nasceram.
                 Hoje, as 14:40 pm, eu estava procurando videos para me distrair quando então vi a chamada de um jornal de tv dizendo : preso o homem que empurrou moça no metro da Sé. Fui ver o vídeo por curiosidade, e para tentar entender o que era aquela situação. A repórter perguntou ao homem o porque ele fez aquilo? Se ele conhecia aquela moça de 28 anos, ele respondeu que não a conhecia, mas que o mundo era assim mesmo, injusto, caótico, mau, e que ele não sabe exatamente o motivo da sua indignação, mas que a empurrou e não queria fazer isso, mas fez. Este homem é um cidadão aparentemente lúcido embora muito agitado, segundo o delegado ele escondeu as roupas usadas no crime, o que não demonstra uma atitude de alguém com doenças mentais ( ex: esquizofrenia), mas que a família se quiser pode levar laudos de médicos para então ser cogitada esta hipótese. 
               O fato aconteceu dia 26/02/2014, era aniversário dela, estava completando 28 anos. A moça por ironia da vida não morreu, mas teve um dos braços amputados. E como será que ela vai reagir a isso tudo? Indignação é o que ela deve estar sentindo agora, o que ela tinha a ver com o sentimento e o script escrito por este homem? Nada. Só foi a vítima do que ela nem sabe. Ela, no hospital perguntou ao namorado: e agora? como vou fazer sem um braço? Ele a respondeu, você continuará sendo a mulher mais importante e linda para mim.
             Eu senti tristeza, chorei e vim escrever estas linhas. Talvez essa seja a minha forma de não contribuir para a desgraça generalizada que assola nossas histórias. O amor tem que vencer.



Si Caetano - publicado no site Diário de uma Lagarta
       

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Tá com fome? Vem cá, pra eu te falar sobre Jesus!



Engraçado como descobrimos quem somos numa discussão a respeito daquilo que mais amamos.

Outro dia, eu estava com alguns amigos aqui, em casa, e começamos a falar sobre diversas coisas, inclusive sobre os sonhos que cada um guarda dentro de si.

-O que você gostaria MESMO de fazer, Lu? _perguntou um amigo.

Nem usei tempo pra pensar!

-Gostaria de ir para o continente africano. Lá, buscaria histórias, as escreveria e retornaria parte dos recursos para fundações que abrigam e alimentam pessoas que se encontram em  situação de extrema fome e miséria.

A cara de espanto de um dos que estavam presentes me caiu como um susto.

-Você está maluca?! Lu, as pessoas precisam de Jesus. O que adianta irem para o inferno com a barriga cheia? Se eu fosse você, iria para alguns países falar de Jesus. Sabe como é, apresentar o Plano da Salvação para os perdidos.

Naquela hora, o assombro foi jogado em mim.

Até tinha me esquecido o quanto era chato conversar com alguns crentes!
Esperei um minuto para ver se aquilo era, ou não, uma brincadeira.
Infelizmente, não era.

Nem eu imaginava o tamanho da revolta que aquele comentário causaria.
Me revoltei! Discuti, briguei e disse que aquilo era... era... ridículo!!!

Pode falar que sou ruim, brava ou sei lá o quê, mas estou apenas contando o que eu fiz e  o que senti no momento.

[Antes que alguém me pergunte, sim: a paciencia e a mansidao são coisas que ainda precisam ser trabalhadas em mim.]

Calma, que a história dessa 'conversa entre amigos' ainda não acabou!

Passou-se uma semana. E mais outra.
E decidimos que seria muito bom nos reunirmos para mais uma conversa.

Marcamos de nos encontrar às 8. Em uma sexta.

O 'ser' me pareceu estar agitado, sem muitas paciências.
Quando a conversa chegou ao ápice, onde as pessoas estavam falando coisas mais profundas sobre si mesmo, o tal X levantou e disse:

-Preciso comer! Mal consigo concentrar-me para ouvi-los!
-O que houve? _perguntei.
-Estou faminto!
-A quanto tempo está sem comer?
-Desde o almoço._o  tal 'X' respondeu.
-Uau, quer ouvir sobre Jesus? Podemos te contar sobre o Grande Plano da Salvação. Que tal? Não é disso que realmente precisamos?

Na hora ele percebeu minha ironia.
Ok, sei que agi de modo vergonhoso e não incentivo a serem como eu. Mas era realmente aquilo que eu gostaria que ele pensasse: no quão incomodo é sermos privados das nossas necessidades mais básicas.

Essa coisa toda de ser 'espiritual demais', de pensar que somos apenas uma 'alma' e que precisamos somente de 'palavras consoladoras' e de 'direções espirituais', na minha humilde (e herege!) opinião, é uma das coisas mais medíocres que conheço!

Alguém, por favor, me diz: Onde esquecemos nossa humanidade?
Onde foi que abandonamos nossa preocupação com a justiça e o bem-estar das pessoas que nos cercam? Onde foi?!

Parece-me que em todo o tempo, Jesus preocupava-se em nos ensinar o quão importante é o fato de notarmos a necessidade do outro, e mais do que isso!,  de nos movermos a fim de supri-las.

Sinceramente, não consigo imaginar um Deus que destrate nossas necessidades; assim como - também - não consigo imaginar, um Deus que se preocupe com nossas vaidades.

O fato de Deus dizer-se VERBO, me faz pensar que ele se preocupa (e muito!) com as nossas atitudes. Mais do que isso, Ele não é 'qualquer' verbo, é o verbo mais puro e bonito que existe: o Amor.

Amemos, mas amemos de fato: sem muitas palavras e muitas ações.

E se você acha que o mundo todo 'está bem' porque você tem alimentos na sua mesa e vestes no seu guarda roupas, te deixo como uma mensagem, um 'lembrete' singelo, um
proverbio africano que diz:

"Uma pessoa bem alimentada, dificilmente acredita que a outra está com fome."

Acredite, há muita gente faminta.
Tanto de alimento, quanto de amor.

Beijos,
Lu.

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Por uma vida maior



É fato que poucas coisas realmente importam. E essas, geralmente, são as quais atribuímos o menor valor.
Como os valores, em sua maior parte, são subjetivos acabam por não ser precificados e, por isso, tornam-se esquecidos.

As pessoas só pensam em preços, em dados e em números; e - de verdade! - eu não as culpo por isso.
Todos nós fomos treinados para acreditar que a vida é feita assim!

Na mídia, vemos milhares de gráficos apontando o sucesso ou a falência de pessoas e de empresas.
Apesar de úteis, os números não podem ser o fator determinante para avaliar o valor de uma pessoa ou até mesmo a ascensão de alguém. Para ser sincera, considero os números muito limitados quando se trata do assunto 'vida'.

Uma criança que nasce, por exemplo, não é apenas 'uma' criança. Para a mãe e para a família, a criança é a própria vida, um milagre, uma dádiva que os aconteceu.

Conheço uma moça que doa' de forma abundante, a sua vida fazendo o bem para seu esposo que, ainda moço, perdeu a capacidade da visão

Ela conhece o ritmo exato dos passos do marido, os milhares perigos de tropeços que podem acontecer pelo caminho e o modo de faze-lo sentir seguro.

Nunca vi o nome da moça em bancas de jornais, nem em revistas, menos ainda na televisão. Sabe por quê? Porque ela não tem dinheiro suficiente para estar lá, entre os 'mais admirados' e 'invejados' do mundo. Seu carro antigo não atrai muitos olhares. A não ser pelo barulho que faz!

Mas sabe? Ela tem a minha admiração!
Quero ser como ela.
Quero aprender a colocar minhas vontades num segundo plano, quando necessário, por amor.

Eu sei que aprendemos a admirar as pessoas pelo que elas têm, pelo que ganham e por quanto pesam, e  que raramente reconhecemos em alguém a capacidade da gratidão, do perdão, da boa disposição em amar e aceitar os que são diferentes.

Bem, para ser sincera, nem sei porquê escrevi tudo isso. Acho que foi um pensamento que se 'alongou' e pediu um pedaço de papel. Mas, do fundo do meu coração, espero que esse 'confessionário' descrito acima, gere em ti o desejo de busca pelos 'valores maiores' feitos e escondidos pela própria Vida.

Um beijo,
Lu.

....
Imagem: Tumblr.

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Solitude


Por Isabelle Ludovico

Um sinal de maturidade diz respeito à capacidade de transformar a solidão em solitude. No entanto, desenvolvemos várias artimanhas para fugir desse encontro conosco, pois achamos que precisamos estar fazendo alguma coisa para merecer algum tipo de reconhecimento. Assim, somos movidos pelo desejo de agradar e procuramos nos tornar aquilo que as pessoas esperam de nós. Neste processo, vamos nos distanciando do nosso verdadeiro "eu" e construímos uma identidade fictícia à qual nos agarramos para garantir nosso lugar no mundo. Parar seria defrontar-nos com esta máscara que esconde um grande vazio interior, o que desperta em nós um verdadeiro pânico.

Num artigo muito interessante intitulado “A capacidade de estar só”, o famoso psicanalista Winnicott pontua que esta depende da experiência de estar só na presença de alguém que me ama como souÉ muito raro encontrar este tipo de amor nos nossos relacionamentos. Por mais que nossas mães nos tenham amado, elas sempre tiveram alguma expectativa e carência que tentaram preencher através de nós. Ou seja, é praticamente apenas em Deus que podemos encontrar este amor que não exige nada de nós. Na solidão, o desamparo gerado por nosso vazio interior nos leva a clamar por este amor que lança fora o medo da rejeição e nos dá a coragem de descobrir e assumir quem somos. Verdade sem amor é devastador, mas verdade com amor é libertador.

Estarmos sós diante do “Eu sou” nos permite ser nós mesmos, nos ajuda a ir nos libertando do falso self que construímos para sermos amados. A contemplação é este estado de inteireza na presença de Deus. Não precisamos fazer nada, dizer nada, pedir nada. Basta sermos sinceros, sem artifícios, sem manipulação, desarmados e maltrapilhos, mas também reverentes e gratos. O pânico vem do sentimento de não merecer este amor. E não merecemos mesmo. Como diz Philip Yancey, "não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais e nada que tenhamos feito que faça Deus nos amar menos." Nossa relação não se sustenta no nosso desempenho, mas na sua escolha de nos amar, apesar de nós, a ponto de morrer na cruz por nós.

Deus já provou o seu amor, por isto podemos confiar nEle. Na solidão, descobrimos nossa fragilidade e carência, mas também a consistência do seu amor. A nossa sombra é desmascarada, mas também a luz que herdamos dEle vem à tona. “Contemplando Deus... somos transformados à sua imagem...” ou seja, vamos nos apaixonando por Ele e desejando nos tornar cada vez mais parecidos com Ele. O Senhor nos inspira, nos atrai e mobiliza o que há de melhor em nós, de modo que nos aproximemos cada vez mais da obra-prima única que Ele projetou ao nos criar.

Neste processo, vamos nos despojando do falso self e descobrindo nossa verdadeira identidade. Como descreve muito bem Fernando Pessoa num poema citado por Rubem Alves:

<<<<<

Procuro despir-me do que aprendi.
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos.
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu...
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
isso exige um estudo profundo,
uma aprendizagem de desaprender...

<<<<<

Assim, na solidão, podemos nos reconciliar com nosso eu verdadeiro. Ele carrega as marcas do pecado, mas são elas que nos permitem experimentar a graça de Deus. Elas nos ajudam a abrir mão do desejo onipotente de perfeição, do orgulho de querer ser “como Deus”. Elas nos mantêm humildes e conscientes das nossas limitações, mas também nos abrem para o poder restaurador de Deus.

A solidão não é uma inimiga, mas um espelho que nos revela nossa verdade interior. Somente aqueles que se reconciliaram consigo podem construir uma relação madura com alguém. Pois eles não precisam mais usar o outro para fugir de si ou para se valorizar. Pelo contrário, eles sabem respeitar a distância que possibilita a cada um ver o outro inteiro.




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Isabelle Ludovico da Silva é psicóloga clínica, com especialização em Terapia Familiar Sistêmica. Casada com o pastor Osmar Ludovico. 

terça-feira, janeiro 21, 2014

A Religiosidade que adoece e a fé que restaura

por Isabelle Ludovico

Imagem via Cinderela de Havaianas


Em palestra recente, Karl Kepler, presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos, tratou deste tema, apontando a vida “pasteurizada” de muitos crentes que censuram certos comportamentos como dançar, beber..., mas camuflam os labirintos escuros do seu coração. Eles acabam se tornando legalistas e hipócritas, como os fariseus que Jesus desmascarou.

Assim, a imagem do cristão é muitas vezes de uma pessoa artificial, falsa, reprimida, passiva e alienada de sua realidade social. Músicos profissionais comentaram que a música evangélica é “certinha, mas sem alma”. As igrejas constroem verdadeiros guetos separando “nós”: os salvos, e “eles”: o mundo.

O modelo hierárquico é um resquício do judaísmo e mantém as pessoas na infantilidade, dependendo de um pastor que lhes diga o que fazer. As pregações se concentram em comportamentos que elas precisam melhorar ou combater. Mensagens evangelísticas enfatizam: “Venha como é”, mas a tônica dos sermões é: “Deus quer algo mais de você”. As cobranças transmitem a imagem de um deus general e até as promessas são transformadas em obrigações.

O Louvor não é uma declaração de amor a Deus, mas uma forma musical de transmitir uma mensagem aos ouvintes ou de lhes proporcionar uma catarse. Assim, as pessoas tendem a ser movidas pelo medo e construir uma relação manipulativa com um deus-patrão, trocando uma vida comportada por benção e proteção.

 A aprovação divina é medida através de sinais e do sucesso material. A ênfase na censura alimenta o medo de errar que gera conformismo e omissão em vez de encorajar as pessoas a serem ousadas e promoverem os valores do Reino. Esta teologia produz uma “miopia espiritual”, parecida com a do irmão do filho pródigo. O cristão se compara com assassinos e não se percebe mais como pecador porque não fala palavrões, nem extravasa a sua ira. Ele se confunde com uma fachada cada vez mais distante da realidade do seu coração.

 No entanto, ser cristão é conhecer a Verdade, que não é um dogma, mas uma pessoa. É passar do domínio do medo para o Reino do Amor, da condição de escravo para a de filho. A certeza do amor incondicional de Deus nos motiva a ir em direção ao outro porque fomos amados e não para sermos amados. O processo de crescimento diz respeito a uma intimidade cada vez maior com Deus que nos leva a uma percepção progressiva da profundidade do Seu amor. Quanto mais eu me sinto amado, mais tenho coragem de reconhecer quem eu sou, meus erros e falhas, minha verdade. E quanto mais me sinto inadequado, mais percebo a imensidão do amor de Deus. Posso admitir minhas dúvidas sem perder a fé, permitir-me ser amada sem merecê-lo, olhar para minha sombra sem ignorar que tenho também um lado luminoso porque fui criada à Imagem de Deus.

Encarar a verdade sobre mim mesma me liberta da tentação de me enxergar maior ou menor do que sou. Este discernimento me liberta de culpas provenientes de expectativas distorcidas. Posso admitir os meus erros em vez de tentar me justificar, muitas vezes acusando outras pessoas. Percebo a importância de priorizar as transformações interiores que irão se manifestar numa vida coerente com a minha fé, em vez de manter uma dicotomia esquizofrênica.

Sou chamada a equilibrar liberdade e santidade, pois cabe a mim perceber os meus limites e escolher o que me convém. Sou desafiada a ser sal no mundo em vez de me refugiar num gueto. O Espírito me leva a peneirar através da Palavra os valores transmitidos pela tradição. Minha percepção de Deus vai se ampliando e integrando aspectos novos, como o seu lado materno que me encoraja a me refugiar debaixo de suas asas.

Os pastores são vistos como irmãos na fé, mais experientes e maduros, que podem me edificar, mas também são passíveis de erros. O templo não é uma estrutura de pedras, mas o meu próprio coração onde sou convidada a adorar a Deus em espírito e em verdade. Dois ou três irmãos reunidos em nome do Pai já constituem uma igreja e o Reino de Deus é maior que a Igreja Evangélica. Ele está presente toda vez que Deus é reconhecido como rei e toda vez que o Amor triunfa. 

Finalmente a vida cristã não é submeter-se a padrões legalistas, mas libertar-se deles para ser cada vez mais parecida com Cristo. Isto não me livra das limitações e ambigüidades da minha humanidade, nem do sofrimento inerente à condição humana. Porém, o sofrimento não me ameaça mais porque percebo a presença consoladora do Espírito e a possibilidade desta experiência não ser em vão na medida em que ela vai me tornando uma pessoa cada vez mais empática com o outro, mais generosa, mais sábia.

Contribuição da Menina do Reino Pamilla R. Bittencourt

segunda-feira, janeiro 20, 2014

A canção dos 'Copos' e a crise existêncial

'When I'm gone, when I'm gone
You're gonna miss me when I'm gone'

....


'Quando eu for embora, quando eu for embora
Você vai sentir minha falta quando eu me for'


Song: Cups



- Qual é o meu lugar no mundo?!
- Pra quê nasci?!

- Afinal, qual é meu propósito?

Encontrei essas perguntas jogadas e esquecidas em uma das minhas caixas de velharias.
Confesso: nunca encontrei resposta que as servissem. Nem mesmo uma que distraísse meus questionamentos e me fizesse dormir em paz.

Por isso, depois de muito tempo, as abandonei.

O abandono não foi feito num ato desrespeitoso, ou por falta de zelo, mas porque as perguntas me pesavam e eu precisava seguir.

Mas, ontem, num  momento inesperado, a vida fez me fez pensar o assunto de um jeito diferente, num modo muito mais abrangente e desafiador. Penso até que essa seja a minha resposta.

Sim, eu disse 'minha'! E, acredite, não estou sendo egoísta por dizer ter a posse da tal compreensão.
Quando digo 'minha' é porque sei que a vida pode entregar respostas diferentes sobre o mesmo tema para outras pessoas.

Sinceramente, eu adoro quando a vida nos trata assim: de modo intimo e individual.

Bem, voltemos ao assunto!

Hoje, a resposta que me nasceu foi:

'Não há respostas concretas e absolutas sobre o que fazer e para onde ir;
E não há nada de errado em não tê-las.
O único erro está  na não busca dos caminhos e das respostas'.

Pensei muito a respeito e cheguei a conclusão que: a partir do momento em que abandonamos essa busca de como utilizar o que temos em favor do outro e pelo bem estar coletivo, abandonamos a própria vida. E é justamente nesse ato de egoísmo que a vida se esvai. Evapora. Nos deixa a mercê de nós mesmos e separados da sociedade.

É preciso buscar mais do que respostas para esse grande tema, é preciso buscar caminhos para se tornar alguém que faça falta, que seja lembrado pelos atos de amor e de bondade.

Olhar para o caos e perguntar-se: O que posso fazer para que isso seja restaurado?; exige muito mais responsabilidade e atitude do que perguntar-se por um destino que talvez nunca chegue.

Acredite, esperar um grande acontecimento para ser útil e abençoador é um grande erro. As oportunidades moram nas margens, nos cantos, nos locais escondidos que quase ninguém vê.

E mais! O ato de tornar-se alguém relevante - de trazer significado ao mundo - nada tem a ver com sua coleção de talentos, ou com quantas faculdades cursou; e, menos ainda!, com quanto dinheiro você tem. Sinceramente, você não tem desculpas!

A única coisa que importa é que esteja perto.
E que ame.
E que perdoe.
E que exponha o seu coração a amar novamente, quando for preciso.

Em suma: Só se questiona sobre seus propósitos quem está disposto em doar-se, a viver uma entrega tão profunda que seja capaz de transformar a nós mesmos, ao outro e o mundo.

Só assim marcaremos vidas; só assim cumpriremos o nosso propósito. Só assim poderemos fazer parte da grande canção dos 'Copos': todos juntos, no mesmo ritmo, com um mesmo coração; fazendo com que as conquistas não sejam apenas 'suas', mas 'nossas'.

Só assim, quando você se for, sentiremos sua falta.


Prece: Deus, quando eu for, quero fazer falta. Amém.


Abraços,

Lu.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Omissão: Um grande abismo




 'Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor'. 
Desmond Tutu



  Assisti o vídeo acima na madrugada do dia 11 de janeiro, através de uma mensagem do pastor e psicólogo Neil Barreto, e desde então as imagens do experimento de Milgram* não me saem da mente.

  O propósito principal da pesquisa era analisar atitudes de obediência em relação às autoridades, mas o evento revelou muito mais sobre a alma humana, como por exemplo: a maldade e a omissão que habita dentro de cada um de nós.

  É provável que ao assistir o vídeo nossa ira se volte sobre a jovem bióloga que sorri ao dizer 'Acho que o matamos'; mas é fato que a grande parte dos participantes agiram do mesmo modo, apesar das emoções contrarias.

  Há algo dentro de nós que nos faz pensar que nossas emoções nos livram dos erros; algo que nos inocenta de não fazer o que deve ser feito, de não levantar-se em favor da justiça e do bem ao próximo. E é esse 'algo', essa mentira, que nos torna pessoas medíocres e insanas.

  Transferir responsabilidades a níveis hierárquicos e de dizer: 'é culpa do...',  'me mandaram', 'meu chefe pediu para...' ou 'o que pensariam de mim se...' nunca deu certo na doutrina cristã. Eva já tentou fazer uso dessa arma e não teve grandes resultados; e Tiago(4:17) foi bem objetivo ao dizer que: o erro - também - está em não fazer o que é certo.

  Salomão sabia sobre esse grande abismo que guardamos dentro de nós e de como alguns poderiam divertir-se com essas práticas desumanas e bestiais (Pv 10:23). Deus também nunca se enganou ao nosso respeito e, por isso, ofereceu sua graça.

  Apesar da compreensão do grande amor de Deus por nós, não vou terminar esse texto falando que somos/seremos perdoados de tudo de errado que fazemos e das boas coisas que deixamos de fazer. O que eu desejo dizer é que:
 
 Deus acredita que podemos ser diferentes e, mais do que isso!, que podemos fazer a diferença. 
Ele acredita que podemos ser 'luz'!
 
 
Minha prece é para que Deus nos dê coragem suficiente para não apenas fazermos o que é certo como também para lutarmos contra a injustiça e o desamor.

 
Abraços,
Lu.

...
*Stanley Milgram (1933 - 1984) foi um psicólogo norte-americano  graduado da Universidade de Yale.

quinta-feira, dezembro 26, 2013

Uma nota sobre a Lei e a Liberdade


'A liberdade é assustadora'. Bem, depois de conversar com a Déia e pensar muito sobre o tema a única resposta que pareceu 'aceitável' foi essa.

Repare como muitos preferem aprisionar-se a regras infundadas e perturbadoras; Observe como a maioria de nós prefere decorar listas de 'pode e não pode' a buscar sabedoria necessária para fazer as melhores escolhas.

Compreendo que seguir uma lista é muito mais simples do que dedicar-se a compreender a vida, a si mesmo e ao outro. E sei, também, que essa lista é vital para que muitos não se percam. Observe as escolas e as igrejas, estão cheias de regras! Há crianças que se não receberem castigos jamais compreenderão o quão necessário é a instrução e o saber, o mesmo acontece dentro das igrejas onde alguns se afogariam em erros - contra si mesmos - se não houvessem as tais 'leis'.

Não sou contra as regras, sei que elas devem ser usadas por aqueles que delas necessitam. Só peço que não me impeçam de viver a minha opção: a liberdade.

Sei que ser livre é assumir milhares de responsabilidades - para si e para com o outro -, mas só consigo ser feliz assim: livre, sem pesos e sem cordas.

Beijos,
Luciana Leitão (Lu Poulain)

terça-feira, novembro 12, 2013

Lizzie Velasquez e as piadas desagradáveis nas redes sociais



É provável que você já tenha visto a foto da moça acima em algum mural nas redes sociais; Infelizmente, quase sempre, acrescida de alguma piada referente a magreza, a falta de
beleza ou qualquer outra coisa que não desejo citar aqui.

Bem, para quem não a conhece, o nome  dela é Lizzie Velasquez.

Lizzie nasceu em março de 1989, nos Estados Unidos e sofre de uma síndrome rara que a impede de ganhar peso.

De acordo com alguns sites que a entrevistaram, a norte-americana mede 1,57 metros, pesa cerca de 26 quilos e chega a fazer mais de 60 pequenas refeições ao dia para manter seus níveis glicêmicos estáveis.

A história da Lizzie me marcou por inúmeros motivos: Um deles foi o fato dela ter o mesmo nome de uma personagem literária que criei quando tinha meus 19, 20, anos (Lizzie é um dos nomes mais lindos que conheço. 'Se' um dia eu  me casar e tiver uma filha, quem sabe...); O outro motivo foi porque me senti constrangida ao ver publicações medíocres com a imagem de uma pessoa (sim, uma PESSOA!) que muitos nem se deram o trabalho de conhecer quem é.

As redes sociais mostram - de forma intermitente - o que há dentro de nós. E se há piadas com o outro, se há insinuações de que alguém é melhor ou pior do que nós pela sua estatura, peso ou condição social, é porque estamos doentes (quer admitamos ou não).

Sofremos de uma doença - ainda sem nome -  que nos impede de olhar para o outro como um igual.
Precisamos insistir que as diferenças desvalorizam o outro para - só então - nos sentirmos melhores. Há uma necessidade, tola e infantil, de compararmo-nos com os outros  o tempo todo e uma tentativa de demonstrar nossos talentos tendo como suporte a fraqueza de quem quer que seja.

Você, ao olhar para uma foto de Lizzi, pode até se sentir mais atraente, bonita ou sexy, mas garanto que não continuará a se sentir assim ao saber que Lizzie tem mais de 12.500 seguidores nas redes sociais e que,  há mais de 6 anos, promove uma mensagem altamente relevante a respeito da vida, da autoestima e do amor ao próximo através de palestras.  E se não bastasse, a moça vai lançar um livro que um bocado de gente aguarda ansioso para ler.

E agora, vai curtir ou compartilhar?!



terça-feira, outubro 01, 2013

EU SOU SE VOCÊ É

 Por Ed René Kivitz



Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei. Pois estes mandamentos: “Não adulterarás”, “não matarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. [Romanos 13.8-10]
O senso popular formado a partir da cultura ocidental confunde amor ao próximo com amor romântico, amabilidade social e ou simpatia cordial no contexto da amizade. A Bíblia Sagrada, entretanto, considera amor ao próximo um critério objetivo de relacionamento que transcende emoções, sentimentos e simpatias. Não é razoável, nem mesmo possível, legislar a respeito da subjetividade dos afetos. Mas é perfeitamente possível e necessário exigir padrões de comportamentos que não sejam sujeitos aos humores interiores ou diferenças próprias de contextos distintos em termos culturais, sociais e históricos. O mandamento do amor ao próximo, é, portanto, critério objetivo que se pretende para toda a humanidade justamente por afirmar uma verdade (ainda que axiomática) atemporal e universal.
Os filósofos judeus Rosenzweig, Buber e Levinás trataram dessa questão quando propuseram um tradução alternativa para a expressão “como a ti mesmo” que compõe o mandamento de amar ao próximo. Disseram que o correto seria “ama a teu próximo, ele é como tu”, ou ainda “ama a teu próximo, pois tu mesmo é ele”. O teólogo e economista alemão radicado na América Latina, Franz Hinkelammert, acrescenta a essas traduções uma outra decorrente das anteriores: “eu sou se você é”.
A tradição africana usa a expressão ubuntu para identificar essa tradução do princípio do amor ao próximo. Ubuntu é uma palavra usada pelos povos Bantos, nas línguas zulu e xhosa, e pode ser traduzida mais ou menos como “sou o que sou pelo que nós somos”. Desmond Tutu, arcebispo anglicano na Africa do Sul, diz que “uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não preocupada em julgar os outros como bons e maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos”. Faz sentido dizer que uma pessoa com ubuntu também se reconhece honrada e respeitada em sua dignidade sempre que seus semelhantes assim são reconhecidos e respeitados.
A maturidade espiritual implica olhar o próximo não como um outro em oposição, diferenciação e competição, pois “ele é como tu” e “tu mesmo és ele”, e assim como ele é somente quando você é, também você somente é quando ele é. O que assim não é, está aquém do amor e portanto estranho a Deus, pois Deus é amor.

terça-feira, julho 02, 2013

Revidar


Por Luciano Manga
No dia-a-dia nos deparamos com pessoas mal-educadas que dá uma vontade de responder na mesma altura, porém esse não é melhor caminho. Não é botando para fora palavras presas na garganta que trará alguma mudança.

O importante é manter a calma, a tranqüilidade e o bom senso. As vezes o silêncio, um sorriso ou um gesto podem mudar o quadro.

Nos relacionamentos conjugais nada melhor do que não revidar. Entrar em algumas discussões sem sabedoria pode gerar brigas e mais brigas e no fim uma separação.

Não seja precipitado (a) e seja cauteloso com a coragem. Caio Fabio escreveu que:”De fato, a coragem não é enfrentar algo fora de nós, mas sim enfrentar em nós aquilo que  só pode ser enfrentado como uma decisão de não fazer, quando se PODE fazer, mas não de DEVE”.

A reciprocidade negativa é algo que nos empobrece. Não se deixe levar pelo pensamento de que revidar um maltrato no mesmo tom vai te trazer benefícios.

Critica ácidas , atitudes negativas e o pagar com a mesma moeda produzirá uma boa de neve de desconforto e rompimentos.

 “Este é outro ditado antigo que merece nossa atenção: ‘Olho por olho, dente por dente.’Pergunto se isso nos leva a algum lugar. Aqui está o que proponho: não revide, de jeito nenhum. Se alguém bater no seu rosto, ofereça-lhe o outro lado”- Mateus 5:38-39 (Bíblia “A Mensagem”)

Paz e alegria!
Lido em:Profundidade

terça-feira, maio 28, 2013

Sem partido político e sem denominação

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Marcos Botelho
Estes dias li que pela primeira vez desde 1988, o número de brasileiros que se declara apartidário superou o de pessoas que afirmam ter preferência por alguma legenda política. Levantamento feito pelo Ibope, para o jornal O Estado de S. Paulo, mostra que, no final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter nenhuma preferência partidária, contra 44% que apontavam preferência por alguma legenda.
Você poderia logo afirmar que isso está ocorrendo por causa dos escândalos políticos dos últimos tempos. Pode até ser, em parte, por isso. Mas acredito que nessa geração emergente está surgindo um pensamento que vai muito além de abandono de uma legenda partidária.
Vejo cada vez mais um desapego das instituições organizadas e um apego ao que chamo de causas primárias.
A cidade ganha importância, a união perde; o time de futebol ganha, a seleção perde; o ensino informal cresce, o ensino formal cai; o ministério de uma igreja ganha importância, a denominação perde.
Assim também cresce a cada dia o número de jovens e adultos desapegados as denominações protestantes.
Já faz alguns anos, mas lembro de ver, na minha infância, a rincha entre presbiterianos e batistas aparecer forte em meio a brincadeiras que ouvia entre os amigos do meu pai.
Me lembro que se você fosse pedir transferência de uma denominação para outra era o maior problema, minha esposa foi excluída do rol de membros da sua igreja por ter ido para uma igreja presbiteriana.
O batismo era feito no dia da ceia, para que o batizado tomasse pela primeira vez a ceia que era exclusiva dos membros ativos da igreja local.
Mas algo mudou, e não estou dizendo que mudou pra melhor ou pior. Apenas mudou.
Vejo pessoas frequentando por 3 anos uma igreja e nem passa pela cabeça virar membro, chegam afalar claramente: “Pra que essa burocracia? Eu tomo ceia e participo dos ministérios e isso basta.”
Conheço pessoas que no domingo de manhã vão numa igreja, a noite em outra de outra denominação e durante a semana ajudam o pastor da TV de uma outra denominação em seu projeto pessoal.
A geração emergente não dá a mesma importância para as denominações, nem para seus concílios, muito menos para o rol de membros de uma igreja.
Não sei se foi o surgimento de centenas de pequenas denominações novas nas últimas décadas por motivos pífios de divergências teológicas, se foram os escândalos de grandes líderes e igrejas, o afastamento da eclesiologia com o contexto atual ou simplesmente uma característica dessa geração.
Mas hoje ter uma opinião pré-definida e um envolvimento garantido com um partido político e uma denominação não é mais algo comum.
Olhando rápido separo um ponto positivo e outro negativo de muitos que vejo.
Por um lado, vejo uma geração deixando de brigar por coisas periféricas da essência cristã, vejo uma possibilidade de união por causas importantíssimas como movimentos sociais e envolvimento com missões evangelísticas interdenominacionais, podendo explodir a qualquer momento uma revolução em todo sistema religioso.
Por outro lado, penso que essa geração está deixando de querer refletir em profundidade o que crê, tem preguiça de pensar quais são as consequências da sua fé, podendo explodir a qualquer momento uma inércia gigantesca e um grande número de crentes nominais.
Creio que se continuarmos assim, logo falaremos que as denominações são coisas do passado. Isso não tem muito como mudar. Só peço a Deus em oração que essa explosão seja para uma reforma eclesiástica com a causa no Reino de Deus.

quarta-feira, maio 22, 2013

Tão passado... Tão presente...

De repente, lá estava ele...
Guardado há tempos numa gaveta qualquer da memória.

Ano de 2007...

André Barbosa e Daniel Silva, pessoas muito queridas por mim.

Eles sabiam que escrever era uma das minhas paixões (embora eu tenha muuuuuuuuuuuito que aprender, ou melhor, tudo para aprender...) e numa conversa e outra entramos no assunto de cinema.

André e Daniel são cineastas e fui convidada por eles para fazer um roteiro de um curta-metragem.

Dei risada...

Eu? Euzinha? Tem certeza?

Eles acreditaram em mim quando eu não acreditei.

Neles encontrei um apoio e base que jamais esquecerei.

O André me emprestou um livro sobre roteiros e li em meio a um trabalho e outro. 

Quando dei por mim estava escrevendo um roteiro sobre o "Infanticídio indígena".  

A situação era bem delicada mas comprei a causa.

Comprei porque era nobre.

Comprei porque acredito que a vida vale muito mais que a cultura.

Entreguei o roteiro (foi o primeiro e único com direito a todos os erros de uma iniciante) e fiquei nos bastidores da gravação assistindo o nada se tornando tudo.

Não tínhamos recursos nenhum.

Só a vontade, disposição, dedicação e uma causa nobre nas mãos.

Melhor não dizer mais nada...

Assistam ao vídeo! 

Embora, nos dias atuais não se fale muito a respeito, todas as informações sobre essa nobre causa vocês encontram aqui.

Mas... Antes...

Muito obrigada, André e Daniel pela confiança e investimento. O tempo passou mas a gratidão permanece.

Com vocês: Acauã - O direito de viver


sexta-feira, maio 10, 2013

Por um amor que vale a pena



Por Hermes C. Fernandes

Todos sonhamos viver um grande amor. Do tipo que nos deixe sem fôlego, sem sono, sem chão. Uma paixão arrebatadora, digna de um roteiro de cinema.

Poucos, porém, realizam tal sonho. Daí vem a frustração, o desapontamento com o roteiro que a vida nos impõe.

Somos vencidos pela rotina. A monotonia sabota nossos sonhos. 

Não há dragões a serem vencidos pelo mocinho, nem mocinha pra ser salva. Não há príncipe para despertar a princesa de seu sono profundo. O sapo continua sapo, mesmo depois do beijo.

As cores da vida vão se desbotando aos poucos. Fomos enganados. Alguém aí acione o procon da vida! Tudo não passou de um conto… não de fadas, mas do vigário.

É esse súbito desapontamento com a vida o responsável por parir o que chamamos de maturidade. 

Seguimos em nossa jornada, cativos do cronograma existencial. Acordar, escovar os dentes, tomar café, sair pro trabalho, voltar pra casa, jantar, voltar a dormir. Dia após dia, os mesmos cenários, o mesmo script, a mesma dor, o mesmo tudo. Já decoramos nosso papel. Já sabemos o que dizer e como proceder em cada situação ‘inusitada’. Infelizmente, de inusitada só tem o nome. Tudo é absolutamente previsível.

De repente, 30. E mais um pouco, 40. E quando menos esperamos, 50, 60, 70, fui. 

Tomando emprestada a frase de um célebre humorista brasileiro recém falecido, não tenho medo de morrer, tenho é pena. Pena por não ter vivido tudo o que havia pra se viver. 

Os maiores arrependimentos não são por aquilo que fizemos, mas pelo que deixamos de fazer. 

A vida vai passando, escapando-nos pelos dedos, enquanto estamos ocupados com outras coisas.

Mas há os que conseguem escapar da tirania das trivialidades. Há os que se recusam a ser simples engrenagens de um sistema fadado a entrar em colapso. Estes, embora tenham crescido, lá no fundo ainda são crianças. Abaixo da crosta, das camadas geológicas da alma, ainda há um magma buscando passagem, pronto para entrar em erupção.

Estes ainda cortejam a ingenuidade, o idealismo. Não importa o quão desgastados estejam seus corpos, suas mentes seguem intactas, ou nas palavras de Paulo, o apóstolo, seu ‘homem interior’ se renova dia a dia. São os que descobriram que há vida após a adolescência.

Estes não se contentam em ser plateia, figurantes ou coadjuvantes, antes, deciriram protagonizar a história escrita pelo Supremo Roteirista. 

Apesar de crescidinhos, ainda acreditam que o mundo possa ser um lugar melhor. Ainda acalentam sonhos. O cinismo não logrou capturá-los.

Por isso, vivem e deixam viver quem quer que aposte no amor. 

Seu amor contagia. Suas palavras ateam fogo nos corações ávidos de vida. Sua postura subversiva ante as demandas da vida desafiam seus pares a que deixem o ostracismo e voltem a acreditar num amor que valha a pena.

Sinceramente, espero ser contado entre estes.

sábado, maio 04, 2013

O que é felicidade para você?


O que é felicidade para você? Cantar, dançar, comer um doce, estar com quem você gosta? Difícil de responder essa pergunta quando somos adolescentes ou adultos. Imagine só responder essa pergunta depois dos 65 anos? O Felicidário, um projeto do Encontrar-se, é um calendário com ilustrações e frases que mostram 365 definições práticas de como ser feliz depois dos 65 anos.
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quarta-feira, maio 01, 2013

Encante-se com os que o encantam

Por:Israel Belo de Azevedo
Quando se assenta diante de uma pessoa visionária, você pode se deixar tomar por dois sentimentos.


Um é o da amargura, chamada geralmente de inveja. "Se tivesse as mesmas condições, eu também faria o que ele faz. Não vejo nele tudo o que dizem. Ele é movido pela vaidade. Ele pensa que é a história é movida por frases de efeito. No meu contexto, nenhuma ideia dele iria para frente".

Outro é o do prazer. Prazer de ouvir sonhos. Prazer de ver uma pessoa que faz as coisas acontecerem. Prazer que produz inspiração. Prazer que gera admiração.

Diante de uma pessoa que sonha e realiza, mesmo que não prosperem todos os seus projetos, podemos dar nossos próprios passos.

E o primeiro é que precisamos nos assentar diante daqueles que, enquanto falam, os olhos brilham; seus braços parecem abraçar o mundo, porque o mundo ficou pequeno diante da grandeza dos seus sonhos.

E o segundo é que também podemos sonhar. Ou melhor: devemos sonhar. O mundo pode ser diferente do que é. E isto começa com um sonho. O mundo está diante de nós para ser construído.

Afinal, não temos que fazer hoje o que precisamos fazer do mesmo modo que fizemos ontem.

A propósito: qual foi a última vez em que você se assentou para ouvir uma pessoa cheia de visão, a fim de aprender com o vigor da sua esperança?

segunda-feira, abril 22, 2013

Marcas




A história é feita de rastros: Levamos sempre um pouco das pessoas que passam por nós e deixamos nelas partes de quem somos.

Aprendemos a olhar a vida a partir do que sentimos e, por isso, as culpamos pelos nossos fracassos, dores e limitações. Mas é necessário compreender a vida a partir de um outro olhar, um olhar mais holístico; mais abrangente.

Pensar não só nas marcas que recebemos,mas também nas quais deixamos. E fazer de tudo para que elas sejam marcas de cura e de paz.

...
Prece do dia:

'Deus, que Teu amor (apesar das minhas tantas imperfeições) se estenda através de mim. Amém.'



Beijos, Lu (a Poulain!)

quarta-feira, abril 17, 2013

Pelo Direito de Discordar



Por Ariovaldo Ramos

Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa.

Discordo!

Eu respeito o irmão e oro por ele, mas, discordo da forma como o Deputado está conduzindo o mandato que recebeu de seus eleitores.

Eu respeito os seres humanos que optaram pela homossexualidade, mas, entendo que os direitos que estão a reivindicar já estão contemplados nos direitos da pessoa humana, cobertos por nossa constituição, e que o que passa disso constitui reclamos por privilégios, o que não é passível de ser concedido numa democracia, sob pena de contradize-la.
Eu respeito o direito das uniões homossexuais terem garantida, pelo Estado, a preservação do patrimônio, por eles construídos, quando da separação ou do falecimento de um dos membros da união. Entretanto, discordo que seja possível transformar uma união voluntária de duas pessoas do mesmo sexo, a partir de opção comum e particular, em casamento, pois isso insinua haver um terceiro gênero na humanidade, o que não se explicita na constituição do ser humano. Assim como não entendo que a conjunção da maternidade e da paternidade, necessária para um desenvolvimento funcional do infante humano, seja substituível por mera boa vontade.

Eu respeito e exerço direito de pregar o que se crê, mas discordo do pregador, quando diz que Deus matou John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, por terem desacatado o Altíssimo, como se o pecado humano não o fizesse desde sempre. A Trindade matou a todos os que a desacatam, em todo o tempo, no sacrifício do Filho, manifesto por Jesus de Nazaré (1Pe 1.18-20), na Cruz do Calvário, oferecendo a todos o perdão e a ressurreição.

Eu respeito o direito de ter religião e o reivindico sempre, mas, discordo de taxar como agentes do inferno quem não concorda com o que penso, como se Deus, por sua graça, não estivesse, desde sempre, cuidando que a raça humana não sucumbisse à rebeldia inerente à sua natureza, o que explica o triunfo do bem frente a maldade explícita. Por isso discordo do pregador quando afirma que o sucesso de um artista, a quem Deus, por sua graça, cumulou de talentos, como Caetano Veloso, só se explique por ter feito pacto com o diabo. Como se ao adversário de nossas almas interessasse qualquer manifestação do Belo.

Eu respeito e pratico o direito ao livre exame das Escrituras Sagradas, conquistado pela Reforma Protestante, e, por isso, enquanto respeito o direito do teólogo expressar suas conclusões, discordo do teólogo quando suas considerações sobre o significado de profecias do texto que amo e reverencio, não corresponderem ao que entendo ser uma conclusão pautada pelas regras da interpretação bíblica, assim como, no meu parecer, ferirem a uma das maiores revelações desse Livro dos livros: Deus é Pai de todos, está em todos e age por meio de todos (Ef 4.6).

Reconheço a qualquer ser humano o direito de protestar contra o que não concorda, mas, nunca em detrimento do direito do outro, o que inclui o direito ao culto. Uma coisa é discordar do político outra coisa é cercear o direito do religioso, e de quem o convide para participar de um culto da fé que pratica. Uma coisa é denunciar o político por suas posturas, outra, e inadmissível, é atentar contra a integridade física ou emocional dele e dos seus.

Não admito, contudo, como cristão, ser sequestrado no direito de discordar, ou ser tratado como se fosse refém das circunstâncias, sejam elas quais forem. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5.1).
Lamento que haja, entre os cristãos, quem trate a nossa fé como se fosse frágil e necessitada de proteção. Nossa fé foi preponderante na construção do Ocidente, e resistiu às mais atrozes perseguições.

Nós sempre propugnamos pela liberdade. Nós impusemos a Carta Magna ao Principe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito. Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos. Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão. Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.

Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos. Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Nossa fé foi construída por gente que foi a toda luta que entendeu justa, pondo em risco a própria vida, e por mártires, por gente que se recusou a matar, por gente que não capitulou diante do assassínio, pois nós cremos que Deus é amor, e que o amor de Deus é mais forte do que a morte (Rm 8.38). E por amor a Deus e ao seu Cristo lutamos pela unidade e pela liberdade da humanidade.