segunda-feira, abril 15, 2013

Carpe Diem ou um dia estranho?



Não, será que meus "dias estranhos" voltaram à tona? Estava tudo bem, após ir dormir com uma violenta dor de cabeça, não antes sem tomar um analgésico, acordei apenas mais lentamente que o habitual, um pouco mais tarde, uma tentativa de compensar o mal estar da noite anterior. Lá fora, o dia estava nublado e eu observei-o bem, temperatura agradável, cara do outono com manhãs um pouco mais frias e eu, nem aí, sequer levei uma blusa fina de frio para o trabalho hoje. Era para estar naquele clima "Carpe Diem", certo? Pois é, mas não estava. Não estava e fora a fadiga da noite anterior, nada havia  para acusar o motivo da minha alma estar um tanto nublada também.

No terminal de ônibus sentei-me a espera do ônibus que me levaria até o meu local de trabalho e saquei da mochila um dos meus livros favoritos, "Bacia das Almas", do Paulo Brabo. Li uns três textos até chegar ao "As duas virtudes que abandonei", na página 168. Enquanto lia o texto o meu mundo interior finalmente despertava, já inquieto, de seu estado arrastadamente lento nesse dia e aquelas palavras começaram a impactar-me de forma direta e profunda. Nesse texto o autor conta que ao longo de quase quinze anos ele abandonou duas coisas que antes pensava serem virtudes: a obsessão de agradar os outros e então, a obsessão de agradar a Deus. Então o ônibus chegou e fechei o livro, não queria ler mais nada por hoje a fim de permitir reflexão e introspecção acerca daquelas palavras com as quais me identifiquei prontamente.

No caminho até o trabalho conectei os fones de ouvido e liguei a minha playlist no celular, passei a ouvir o Lenine tocar e cantar "Paciência" e o dedilhar do violão e da harpa pareceram entrar em sintonia imediata com as palavras do Paulo Brado que moviam-se em mim. E enquanto ouvia a música olhei pela janela e do outro lado da avenida vi passar uma mulher branca de cabelos curtos, pretos e levemente armados balançando enquanto ela andava pela calçada. Portadora de alguma deficiência física, aquela mulher andava com os braços mais próximos do corpo, joelhos levemente dobrados, o que fazia com que ela subisse e descesse a cada passo. E carregava um sorriso marcante na face. Sorria de um lado até o outro do rosto. Estava iluminada e desejei que todos nós víssemos sua expressão. Não somente quem estava comigo naquele ônibus, mas todos quanto cruzassem com aquela mulher pelo caminho. Notei que um pouco a frente dela ia caminhando uma senhora, um pouco mais apressada, percebi que era sua companhia quando a senhora parou e voltou-se para aquela mulher a fim de espera-la.

Confesso que chego a achar graça em como pequenos detalhes assim me convencem sobre a vida, o amor e a minha fé em Cristo, principalmente quando um dia está um pouco nublado dentro de mim. Vi aquela mulher do outro lado da rua, andando com alguma limitação e carregando não o peso de uma deficiência, mas a alegria de viver e caminhar. Comecei então a fixar meus pensamentos em tantos motivos que tenho para agradecer a Deus por quem ele é em minha vida, para meus amigos e familiares. Carpe Diem... sim, agora sim eu havia compreendido e despertado.  Estava tudo em paz e agora eu sorria também.


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Caminhando sob a graça,
#2 Andréa Cerqueira (@acspira)
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