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sexta-feira, dezembro 12, 2014

Nosso último post!


Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão
Glória Hurtado

“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.”

(Gloria Hurtado)


Olá queridos e queridas desse espaço virtual que há muito já chegou ao seu tempo “final”. Nada melhor do que a poesia que tanto nos inspirou para encerrar e explicar (?) esse tempo. Nunca escrevemos por obrigação, por ibope, por dinheiro. Sempre priorizamos o relacional, a individualidade e a singularidade de cada uma das “Meninas do Reino” e hoje somos meninas crescidas, embora sempre meninas, embora sempre do Reino Dele, amadas e amparadas nos braços Dele que é e ponto final.

Hoje cada uma com suas escolhas, caminhos, prioridades. Algumas dando continuidade às atividades virtuais, outras mais focadas no “real”. Não importa! Importante mesmo é sabermos fechar portas, reconhecer ciclos – iniciais e finais e esse blog tem agora o seu “The End”, o seu “That’s all, folks!”, o seu “gran finale”, talvez sem o “gran”... risos. O que importa é que é preciso embalar em laço de fita e com toda a ternura do coração esse espaço que tanto fez por nós e por muitos próximos ou distantes de nós.

O site continuará no ar, flutuando como uma cápsula de um tempo de recordação, como jóia guardada em caixinha de veludo. Algo a ser recordado, discordado mas que foi plenamente vivido e amado.

Creio que todos têm acesso aos canais de comunicação de cada uma das componentes do blog e qualquer coisa nos escrevam por aqui. Em algum momento prometemos vir “espiar”.

A página do Facebook será deletada ou ficará como este espaço aqui, embalada, lacrada. Sem movimentos! Agradecemos as quase 10 mil curtidas por lá e ao mais de meio milhão de pessoas que passaram em nosso blog/site por aqui. Aos amigos e (i)nimigos conquistados (risos). Enfim, já escrevi demais, assim como costumo falar demais, sentir demais,  sou ou somos todos um pouco “over, baby”!

Com amor e gratidão,

Roberta Lima
12/12/2014

terça-feira, setembro 09, 2014

O amor pode nos machucar

Imagem: Tumblr

Sou movida por música. Frequentemente sou aquele tipo de pessoa que ouve a mesma canção uma centena de vezes, até absorvê-la. Aconteceu hoje.

Ouvi uma canção que, traduzida, dizia: “Amar pode machucar, amar pode machucar às vezes, mas é a única coisa que conheço”. E qualquer que seja o nível de amor que usemos como exemplo, é verdade, amar pode machucar. Acertando e errando, já aprendi que o amor humano é imperfeito.  Creio que somente o amor divino expresso na cruz de Cristo é capaz de nos completar, pois todos os demais amores, familiares, fraternos e românticos, podem nos machucar. E pior ainda, é que podemos machucá-los também. Já estive dos dois lados da moeda em todos esses níveis de relacionamentos, errei e erraram comigo. O fato é que estamos sujeitos a decepções e, por ironia, elas costumam ser uma generosa escola de aprendizado.

Acredito que a grande questão não está em machucar ou ser machucado, mas em nunca mudar o status de uma ou outra condição. É preciso que haja mudança de atitude. Não raramente, encontro pessoas com origem, cultura, oportunidades e experiências distintas na vida, mas que têm em comum o alimentar “eternamente” seus corações partidos. São incapazes de abandonar a decepção e seguir adiante. Contudo, não desdenho a dificuldade de recuperação de um amor desfeito, mas creio em sua possibilidade. O mal está em apegar-se a um amor como se a própria dor fosse capaz de fazê-lo renascer, puro e forte, no coração do outro outra vez. É o tipo de sentimento que adoece a alma. Há quem nunca mais volte a experimentar o amor.

Ouvi ainda na canção: “Amar pode curar, amar pode consertar a sua alma, e ele é a única coisa que eu conheço”. Se o amor pode nos machucar, é verdade que ele mesmo pode nos curar. Amar pode ser veneno e, igualmente, pode ser antídoto. Não importa que tipo de amor foi partido, a decepção pode ter sido causada por seus pais, filhos, algum amigo ou ainda,  por seu  par romântico. Para quem partiu seu coração, é preciso oferecer-lhe perdão, porque é importante que haja em você humildade o bastante para perdoar e se recuperar. Por outro lado, você pode ter causado essa dor, de modo que é imprescindível que haja em você humildade o suficiente para se desculpar com sinceridade, aprender com seus erros e não arrastar-se pelo caminho restante se desmanchando em culpa. Algumas vezes é necessário perdoar-se antes de prosseguir. Por fim, não dá para garantir que jamais seremos os algozes de um amor ou vítimas dele e, ainda assim, é preciso arriscar.

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ao som de “Photograph” – Ed Sheeran
#2 Andréa Cerqueira - (@acspira)



quarta-feira, julho 09, 2014

Mais que 7 motivos para chorarmos



É, mais uma vez, em mais uma Copa do Mundo, a torcida brasileira chorou. Homens, mulheres e crianças se decepcionaram e choraram, humilhados. A humilhação se deu por conta do placar, o pior na história da Seleção Brasileira de Futebol em Copas, 7x1 para os alemães. Um placar que faz a derrota na final de 1950 para os uruguaios, em casa, quase insignificante. É verdade que ainda haverá o jogo pela disputa do terceiro lugar, e ainda que vençamos, ainda que haja algum consolo com a terceira colocação, como esquecer um placar desses?

Acredito que no esporte e na vida a questão está justamente aí, não é para esquecer. Não podemos ignorar as nossas fraquezas, tampouco as nossas derrotas. Aprender a se dedicar, trabalhar por melhores resultados, se aprimorar e exercer o aprendizado da melhor forma possível, são lições que todo esporte nos ensina. Desde crianças, quando somos incentivados a praticar esportes, é jogando que aprendemos a lutar para ganhar e a aceitar a derrota quando perdemos. Mas sempre somos lembrados das lições que a derrota nos impõe.

Há questões importantes para se aprender com a derrota de ontem no futebol. No âmbito esportivo, vimos de um lado uma seleção alemã primorosa, dedicada, humanizada do lado de fora do campo, aplicada do lado de dentro. Planejamento, eis algo que a seleção alemã desenvolveu. Eles planejam serem tetracampeões mundiais de futebol e estão em busca desse objetivo há algumas copas. Para o mundial deste ano, planejaram o Centro de Treinamento exclusivo, construído para essa ocasião no sul do estado da Bahia. Boa parte dos jogadores alemães já jogam pela seleção há mais de cem jogos. É um time que sabe o que quer e, mais importante ainda, está unido e taticamente dedicado para um objetivo em comum. Eu não duvido que eles consigam. A verdade é que os alemães são e provaram ontem a sua superioridade no futebol atualmente. E para quem é apaixonado por futebol, dá gosto de ver os alemães jogarem, como foram os espanhóis em 2010.

Do outro lado nós, brasileiros, tivemos certeza do que temíamos, pensávamos ter uma Seleção Brasileira de Futebol com alta qualidade e um bom técnico, com um bom planejamento. Acontece que fomos e estamos enganados. É aquele famoso "parece, mas não é". Claro que ficamos muito otimistas com a conquista da Copa das Confederações no ano passado, afinal, derrotamos a favorita seleção espanhola na final e sobraram motivos para acreditarmos que estávamos prontos para a grande conquista mundial e o tão sonhado hexacampeonato. Não foi dessa vez, quem sabe na próxima?

Creio que alguns de nossos jovens jogadores estarão mais maduros, com mais jogos pela nossa seleção e com uma experiência que lhes permitirá maior concentração e aplicação tática na próxima Copa. Mas espero que tenhamos planejamento, uma tática eficiente e os jogadores certos. Anseio para que não tenhamos como técnico alguém que seja obstinado com suas escolhas, ao ponto de morrer com suas convicções e afundar consigo o sonho dos atletas e de duzentos milhões de torcedores. Mudar é preciso, se um jogador não está rendendo na seleção o que deveria, tem que haver oportunidade para os substitutos. É preciso mudar também de esquema tático quando necessário, afinal, de que adianta analisar como joga o adversário se vamos entrar em campo jogando sempre da mesma maneira? Infelizmente o nosso atual técnico é assim, ele faz suas escolhas e morre com elas, ainda que isso representa ser um fiasco.

É verdade que fomos humilhados naquilo que mais nos orgulhamos, no que estamos acostumados a sermos bons, sempre entre os melhores. O futebol, para milhares de brasileiros, é religiosamente sagrado. Mas haveremos de secar nossas lágrimas e, em quatro anos, sonharemos novamente. Só espero que, entre essa e a próxima Copa, aprendamos um pouco mais com o sabor amargo da derrota e da humilhação e, quem sabe, em 2018 tenhamos menos motivos para lamentar dentro e fora dos gramados.

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#2 Andréa Cerqueira - torcedora apaixonada e sofredora.
(@acspira)

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Tá com fome? Vem cá, pra eu te falar sobre Jesus!



Engraçado como descobrimos quem somos numa discussão a respeito daquilo que mais amamos.

Outro dia, eu estava com alguns amigos aqui, em casa, e começamos a falar sobre diversas coisas, inclusive sobre os sonhos que cada um guarda dentro de si.

-O que você gostaria MESMO de fazer, Lu? _perguntou um amigo.

Nem usei tempo pra pensar!

-Gostaria de ir para o continente africano. Lá, buscaria histórias, as escreveria e retornaria parte dos recursos para fundações que abrigam e alimentam pessoas que se encontram em  situação de extrema fome e miséria.

A cara de espanto de um dos que estavam presentes me caiu como um susto.

-Você está maluca?! Lu, as pessoas precisam de Jesus. O que adianta irem para o inferno com a barriga cheia? Se eu fosse você, iria para alguns países falar de Jesus. Sabe como é, apresentar o Plano da Salvação para os perdidos.

Naquela hora, o assombro foi jogado em mim.

Até tinha me esquecido o quanto era chato conversar com alguns crentes!
Esperei um minuto para ver se aquilo era, ou não, uma brincadeira.
Infelizmente, não era.

Nem eu imaginava o tamanho da revolta que aquele comentário causaria.
Me revoltei! Discuti, briguei e disse que aquilo era... era... ridículo!!!

Pode falar que sou ruim, brava ou sei lá o quê, mas estou apenas contando o que eu fiz e  o que senti no momento.

[Antes que alguém me pergunte, sim: a paciencia e a mansidao são coisas que ainda precisam ser trabalhadas em mim.]

Calma, que a história dessa 'conversa entre amigos' ainda não acabou!

Passou-se uma semana. E mais outra.
E decidimos que seria muito bom nos reunirmos para mais uma conversa.

Marcamos de nos encontrar às 8. Em uma sexta.

O 'ser' me pareceu estar agitado, sem muitas paciências.
Quando a conversa chegou ao ápice, onde as pessoas estavam falando coisas mais profundas sobre si mesmo, o tal X levantou e disse:

-Preciso comer! Mal consigo concentrar-me para ouvi-los!
-O que houve? _perguntei.
-Estou faminto!
-A quanto tempo está sem comer?
-Desde o almoço._o  tal 'X' respondeu.
-Uau, quer ouvir sobre Jesus? Podemos te contar sobre o Grande Plano da Salvação. Que tal? Não é disso que realmente precisamos?

Na hora ele percebeu minha ironia.
Ok, sei que agi de modo vergonhoso e não incentivo a serem como eu. Mas era realmente aquilo que eu gostaria que ele pensasse: no quão incomodo é sermos privados das nossas necessidades mais básicas.

Essa coisa toda de ser 'espiritual demais', de pensar que somos apenas uma 'alma' e que precisamos somente de 'palavras consoladoras' e de 'direções espirituais', na minha humilde (e herege!) opinião, é uma das coisas mais medíocres que conheço!

Alguém, por favor, me diz: Onde esquecemos nossa humanidade?
Onde foi que abandonamos nossa preocupação com a justiça e o bem-estar das pessoas que nos cercam? Onde foi?!

Parece-me que em todo o tempo, Jesus preocupava-se em nos ensinar o quão importante é o fato de notarmos a necessidade do outro, e mais do que isso!,  de nos movermos a fim de supri-las.

Sinceramente, não consigo imaginar um Deus que destrate nossas necessidades; assim como - também - não consigo imaginar, um Deus que se preocupe com nossas vaidades.

O fato de Deus dizer-se VERBO, me faz pensar que ele se preocupa (e muito!) com as nossas atitudes. Mais do que isso, Ele não é 'qualquer' verbo, é o verbo mais puro e bonito que existe: o Amor.

Amemos, mas amemos de fato: sem muitas palavras e muitas ações.

E se você acha que o mundo todo 'está bem' porque você tem alimentos na sua mesa e vestes no seu guarda roupas, te deixo como uma mensagem, um 'lembrete' singelo, um
proverbio africano que diz:

"Uma pessoa bem alimentada, dificilmente acredita que a outra está com fome."

Acredite, há muita gente faminta.
Tanto de alimento, quanto de amor.

Beijos,
Lu.

quinta-feira, novembro 07, 2013

Dor, decepção e sofrimento. Deus se importa?



Interessante como algumas situações na vida acontecem em momentos em que tudo parece nos comprimir. Há poucos dias, conversando com duas amigas, ouvindo sobre decepções e tristezas que têm enfrentado, refletimos um pouco sobre o sofrimento, as mazelas do mundo e como precisamos agir diante dessas situações. Solidarizando-me com elas em suas dores, chegou a minha vez de encarar um pouco de decepção e dor. E eis o pouco que já aprendi a respeito disso na jornada da vida:

É totalmente compreensível que soframos em meio as mazelas desse mundo caótico e isso não é de todo ruim, pois é sinal de que não nos tornamos frios e indiferentes diante do que é injusto. É preciso ter compaixão com as dores do outro, assim cultivamos um coração de carne, uma alma que se compadece e somos moldados na humildade. Contudo, necessitamos colocar nosso sofrimento diante de Deus. Mas questões como "Por quê?", "Por quê, Deus?!", geralmente só machucam mais o nosso coração. Por experiência própria posso dizer que esse tipo de questionamento, conscientemente ou não, acaba por culpar a Deus (que no fim das contas, permitiu o sofrimento). É muito comum olharmos para o sofrimento do outro e pensarmos algo como "Não é justo, ela(e) é uma boa pessoa, não merece passar por isso!", e nos esquecermos que vivemos num mundo caído, no qual o nosso padrão de justiça é falho e fadado as nossas limitações. Enquanto enxergamos a situação de forma imediata, uma microvisão, Deus, cujo padrão de justiça difere do nosso, enxerga tudo de um plano eterno, não linear e infinito, uma macrovisão. Além disso, ninguém é realmente bom para o padrão divino, somos justificados e chamados de filhos apenas e tão somente pela obra redentora de Jesus Cristo na cruz do Calvário, e esta justificação é para os que creem.

A difícil verdade a ser encarada é que vivemos num mundo caído, segundo a Palavra: um mundo que está sendo sepultado com o mal, que não compartilha da glória de Deus, ou seja, um mundo imperfeito. E vemos isso o tempo todo, é tanta mazela, tanta injustiça, que a Palavra afirma que o amor de muitos dos que creem em Deus esfriaria nos últimos dias justamente por culpa da multiplicação da maldade sobre a terra. Outro ponto, é que o sofrimento é, sem dúvida, uma das maiores escolas de aprendizado e maturidade que o ser humano pode experimentar.

Desde os tempos de filósofos como Aristóteles e de apóstolos como Paulo as reflexões sobre o mundo em que vivemos compreendem que o que vivemos agora é um rascunho do que deveria ser, um "borrão", uma obra incompleta, e assim somos nós também. Então, quando alguém erra e nos causa dor, o que é preciso é ter compaixão, porque só Deus pode mesmo dizer qual seria a nossa atitude se fôssemos nós no lugar do outro. Não devemos nos conformar com o erro, porém devemos perdoar. Ser humano é isso: estamos sujeitos a falhar e decepcionar aos que amamos. Estamos sujeitos a quebrar o juramento que fizemos no casamento, as juras de amor, a abandonar a aliança estabelecida porque não conseguimos passar pela prova a que fomos submetidos. Estamos sujeitos a romper com aquela amizade que tinha laços mais profundos que os sanguíneos. Estamos sujeitos a falhar como profissionais e a jogar fora oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Estamos sujeitos a falhar nas mais diversas áreas, porque é assim que somos tantas vezes, falhos, essa é a nossa natureza, e embora eu acredite que fomos colocados sobre a terra para nos elevarmos acima da nossa natureza carnal, de nossos instintos, não acredito nem por um segundo que possamos fazer isso sem a ajuda íntima e próxima de Deus. Tenho caminhado no Evangelho há alguns anos e ainda assim não há um só dia em que não falhe, em que eu não fique abaixo do que eu gostaria de ser para Deus e para as pessoas que amo. Contudo, não consigo imaginar como viver sem ele e isso me faz ter compaixão ainda maior para com o sofrimento do outro.

A dor da decepção é legítima quando alguém nos machuca. Mas não podemos permitir que o sofrimento seja maior do que o necessário. E também precisamos aprender que não podemos ser Deus na vida das pessoas. Não podemos decidir e escolher por elas.

Resta-nos, por fim, orar. Orar por aqueles que sofrem, orar por aqueles que nos causam dores e decepções, orar para Deus nos fortaleça e cure nossas próprias dores. Orar para que a vida de Deus gere cada vez mais vida, discernimento e luz em nosso espírito e que assim, nosso fruto seja bom e irradiemos vida aos que amamos e aos que convivem conosco. Orar sem esperar respostas aos "por quês", pois não há garantias de que serão respondidos. Mas podemos confiar que Deus vê, ouve, está presente e age. Muitas vezes pensamos que Deus é um Deus distante, que não se importa, porém acredito que a percepção de um Deus distante tem mais a ver conosco, como nos relacionamos com Ele, do que com o Deus que Ele é. A essa altura, já compreendi que todas as vezes em que me senti abandonada por Deus, me parece que o bloqueio era muito mais meu, da forma como eu o concebia como Deus e como achava que ele deveria agir, do que como ele realmente é.

A Bíblia, por fim, não explica todas as mazelas desse mundo, ou porque determinadas coisas acontecem com uns e não com outros (principalmente com aquelas pessoas que consideramos boas), mas ela afirma que Jesus Cristo veio ao mundo justamente para nos resgatar de todo esse mal. Nos resgatar do reino das trevas para o seu reino de amor.

Hoje vemos e vivemos num rascunho. Haveremos de viver a plenitude do Reino de Cristo, plenamente estabelecido num mundo justo e totalmente restaurado.

Enquanto isso sofremos sim, e muito, é verdade. Mas insisto em que é preciso que tenhamos fé em Jesus e esperança de que Deus há de nos guardar e auxiliar em todo sofrimento. Restando-nos essa fé, temos tudo para enfrentarmos qualquer dor, decepção ou tempestades na jornada.

"Ouve, ó Eterno, estou chamando com toda a minha força: "Sê bondoso para comigo! Responde-me!". Quando meu coração sussurra: "Busque Deus!", todo o meu ser responde: "Agora mesmo". Por isso, não te escondas de mim! Tu sempre estiveste por perto para me ajudar: não vires as costas para mim agora. Não me deixes de fora, não me abandones: tu sempre mantiveste a porta aberta. Meu pai e minha mãe foram embora e me deixaram, mas o Eterno me acolheu.".


(Salmo 27:7-10 A Mensagem)


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Caminhando, às vezes, com pequenos passos, mas sempre necessários!

#2 Andréa Cerqueira

sexta-feira, setembro 06, 2013

Continuando



Perguntaram por mim?
E o que disse?
Pode dizer.
Se nada sabem, diga que vou bem.
Diga que ainda sonho às vezes.
Que as bandeiras estão rasgadas, puídas, desbotadas, mas que ainda tremulam.
Que voltei lá na Vila esses dias, pra rever os amigos antigos.
Alguns se foram de lá, outros se foram daqui. Cansaram da terra. Eu continuo por aqui.
Diga que ainda acredito nas gentes. Nem um pouco menos. Um pouco mais talvez. Acredito mais em menos gente, mas acredito. Tem gente boa sim. Tem gente má também. Mas gente má dá conta de si.
Acredito em Deus. Oro, rezo, faço promessa. Acredito mais ainda. Se não fosse Deus… Não sei muito dele, mas acredito. Não é possível que as coisas sejam só isso aqui que vejo, que pego, que entendo. É mais que isso. Muito mais. Eu acho. E se não for, só de acreditar já vale.
Fala que comprei uma viola caipira. Mas que não sei mais tocar. Na verdade, nunca soube. Mas só de tê-la ali, me sinto feliz. A gente precisa de símbolos que nos remetam a algum lugar e que nos lembrem de capítulos bonitos, só por estarem ali, encostados n’algum lugar onde consigamos vê-los.
Diz que ainda ouço rock e música caipira, mas que aprendi a gostar de MPB. Que pra gostar, é só ouvir. No começo, dá um sono, mas depois vicia. Diz que ainda ouço Legião do mesmo jeito, ouvindo a letra como se tivesse conversando com o Renato Russo.
Fala que sorrio menos, mas também choro menos. Aprendi o valor das lágrimas. Elas só valem de vez em quando. Mas de vez em quando valem muito. Que se for pra desperdiçar, melhor desperdiçar risadas e esbanjar sorrisos. Que quando a vida endurece, a cara fecha, mas sempre vale guardar um sorriso, mesmo que lá pro fim.
Fala que reencontrei o Vinícius. Que amizade sincera pode congelar um tempo, mas é só requentar que fica boa. O Júnior também tá bem, correndo atrás da vida. Thiagão tá adulto, mas continua legal. Meu irmão dando aula em universidade, acredita?!
Diz que as crianças tão grandes. E que o tempo passa tão rápido. Mesmo. Foge feito vento da mão de quem tenta manipulá-lo. E por isso reclama atenção. Se não der, ele pune com um remorso de doer.
O tempo… Aprendi que o tempo só anda de ida. Que a gente passa tempo demais remoendo o tempo que já foi ou o tempo que ainda não é. E o único tempo que temos, o tempo de agora, se sente órfão da gente mesmo. E daí vai embora.
Mas fala que tô bem.
Que aprendi a namorar a Lua. Que ela é linda, mas não é fácil. Que às vezes brilha cheia, de ofuscar os olhos da gente. Às vezes míngua e suga até o que a gente não tem. Mas volta crescente até se fazer nova, lindamente nova.
Futebol? Continuo fanático, mas não aprendi a jogar. Insisto porque gosto, porque sou de insistir, porque a vida é insistir e insistir. Mas, melhorar, nada…
Diz que viajei por aí, mas que não sou de postar fotos. Que algumas memórias são para os olhos e para o coração. E só.
Fala pra me adicionarem no face, mas que estou esperando pra um café. Não bebo café, mas sei fazer. Café não é uma coisa literal. Café é uma ambiência. Tipo o facebook. Só tem sentido se nos levar ao encontro.
Fala que voltei a ler poesia e a escrever crônicas. Ninguém as lê. Pergunte se posso mandar algumas. Escrevo para mim, pra ler no futuro, pra lembrar como a vida estava, como eu a via, como a sentia. Talvez não leia nunca, mas escrever é tipo saborear uma porção de eternidade. É saber que um dia, mesmo sem estar aqui, isso pode parar nos olhos de alguém. Quiçá num coração. Pode parecer pretensioso, mas escrevo para, n’algum tempo, ser lido.
Diz tudo isso. Ou não diz nada.
Diga só que vou bem e que a vida é continuar.
Que às vezes é viver e em outras, sobreviver.
Mas é continuar, sempre.
Então diz que tô continuando…
Fabricio Cunha

quinta-feira, julho 11, 2013

A simplicidade profunda e esmagadora de Jesus


A SIMPLICIDADE PROFUNDA E ESMAGADORA DE JESUS


A cada dia mais me impressiona a simplicidade de Jesus em relação a tudo.



Ele negou-se a tratar de quase tudo o que a filosofia e a teologia tratam com avidez.



A origem do mal Ele simplesmente desprezou em qualquer que seja a explicação “metafísica”. Simplesmente disse que o mal existe. E o tratou com realidade óbvia.



O problema da dor foi por Ele tratado com as mãos, não com palavras e discursos.



As desigualdades sociais foram todas reconhecidas, mas não se o vê armando qualquer ação popular contra elas.



Seus protestos eram todos ligados à perversão do coração, mas nunca se tornavam projeto político, ou passeatas, ou bandeiras.



A “queda” não é objeto de nenhuma especulação da parte Dele. Bastava a todos ver as conseqüências dela.



Sobre a morte sua resposta foi a paz e a vida eterna.



Jamais tentou justificar o Pai de nada. Apenas disse que Ele é bom e justo.



Mandou lutar contra os poderes da hipocrisia e do desamor, mas não deu nenhuma garantia de que se os venceria na Terra.



Sua grande resposta à catástrofe humana foi a promessa de Sua vinda, e nada mais.



Nunca pediu que se estabelecesse o Reino de Deus fora do homem, mas sempre dentro dele; pois, fora, o reino, por hora, era do príncipe deste mundo.



Não buscou ninguém com poder a fim de ajudar qualquer coisa em Sua missão.



Adulto, foi ao templo apenas para pregar aquilo que acabaria com o significado do templo como lugar de culto.



Fez da vida o sagrado, e de todo homem um altar no qual Deus é servido em amor.



Chamou o dinheiro de “deus”, mas se serviu dele como simples meio.



Pagou impostos; mas nunca cobrou nada de ninguém, exceto amor ao próximo.



A morte para Ele não era mesma coisa que é para nós. Morrer não era mal. Viver mal é que era mau.



Em Seus ensinos Ele sempre parte do que existe como realidade e nega-se fazer qualquer viagem para aquém do dia de hoje.



Para Ele o mundo se explicava pelas ações dos homens, e prescindia de analises; pois, tudo era mais que óbvio.



Não teologizou sobre nada. E todas as Suas respostas aos escribas e teólogos eram feitas de questões sobre a vida e seu significado agora; e sempre relacionado ao que se tem que ser e fazer.



Quando indagado de onde vinha o “joio”, Ele simplesmente diz: “Um inimigo fez isso...” — referindo-se ao diabo.



Prega a Palavra, e não tenta controla-la.



Vê pessoas crerem, mas não tem nenhuma fixação em fazê-las suas seguidoras físicas e geográficas.



Não tem pressa, embora saiba que o mundo precisa conhecer Sua Palavra.



Cita as Escrituras sem nenhuma preocupação com autores, contextos ou momentos históricos.



Arranca certezas da Palavra baseadas em um verbo “ser” — aludindo ao fato de Deus ser Deus de vivos e não de mortos, pois, “para ele todos vivem”.



Ensina que a morte é o fundamento da vida, e tira dela o poder de matar, dando a ela a força das sementes que ao morrerem dão muito fruto.



E assim Ele vai...



E assim Nele é!





Nele, para Quem a filosofia é a vida em amor,





Caio

07/03/03

Lago Norte

Brasília

quinta-feira, junho 27, 2013

O gigante acordou, mas ainda engatinha


Por Gabriele Greggersen*


Vou interromper a minha série de artigos sobre o tema do amor, pois não posso me calar diante das notícias, imagens e vozes que vêm a nós há mais de uma semana, de todas as partes do país.



E, pasmem, isso em tempos de Copa do Mundo! Certamente o país não será o mesmo depois disso, ou melhor, já deixou de ser.
Que o “gigante acordou”, disso não resta dúvida.O que resta saber agora é, para quê foi que ele acordou. Mas concordar com vandalismo, isso é praticamente uma unanimidade entre os cidadãos: não! Basta!

Não me admiraria se os mesmos vândalos entre os cidadãos autênticos (ou seja, aqueles dotados de consciência e responsabilidade pela coisa pública), sejam aqueles que deram o pontapé inicial ao efeito dominó: os que defendem não apenas a redução da tarifa, mas o chamado “passe livre”.

Solidarizo-me com aqueles que vieram às ruas para manifestar a sua insatisfação com a situação social, política e econômica do país, mas não posso concordar com essa motivação. O que significa o passe livre, se não, a estatização do transporte, que já se chama “público”? Não quero entrar aqui na discussão ampla sobre se abraçar os pensamentos de Marx seja igual a estatizar, e privatizar sinônimo de negá-los. Isso daria um livro.

O que é preciso dizer, em meio a tanta euforia, é que parece que esquecemos como foi que se iniciaram as Grandes Guerras Mundiais e que tipo de sentimento as deflagrou (patriotismo extremado ou nazi-fascismo, com papel excessivo atribuído ao Estado). Também as revoluções comunistas e os grandes golpes de direita tiveram circunstâncias e motivações parecidas (isto é, ditatoriais).

Então, não ficarei surpresa, se o que nos espera seja um golpe ou uma revolução, mas oro a Deus para que vença o bom senso de todos os partidos e partidários, seja lá do que for. Pode até haver movimento “inter” ou “supra” partidário, mas haverá movimento “apartidário”?

Ser contra e denunciar certas coisas é muito fácil, mas o que haveremos de “anunciar” no lugar delas? Que coisa é essa pela qual estamos tomando partido e estamos lutando? Essa falta de definição política clara leva qualquer governo a reações de desespero, ou alegadas como sendo desesperadas, já que (alegadamente) não se pode negociar, porque (verdadeiramente) não há algo concreto a ser negociado, inclusive da parte do governo atual.

O que é, por exemplo, “acabar com a corrupção”? Acabar com os políticos? Ora, então teremos uma revolução anárquica. Acabar com a própria política? Qual é a nação que já fez a proeza de acabar com a corrupção? Minimizá-la, sim, mas “acabar”?

A conclusão que eu tiro disso tudo é que o Brasil ainda está engatinhando, em termos de democracia. O brasileiro parece uma criança que entra pela primeira vez num supermercado e quer levar tudo o que encontra pela frente.

E se estiver junto com outras crianças nesse supermercado, é briga e confusão na certa! As teorias de psicologia grupal explicam o que acontece em um aglomerado de pessoas. Onde há concentração de poder, não importa de qual partido, os problemas aparecem cedo ou tarde. Quanto mais quando se trata de pessoas revoltadas!

Então, sou partidária das palavras sensatas de G.K. Chesterton, que dizia que a melhor forma de governo seria a anárquica, se não fosse a pecaminosidade (corrupção) do homem -- e da mulher também.

Lido em: Ultimato on line


*É mestre e doutora em educação (USP) e doutoranda em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br


quinta-feira, junho 13, 2013

Um Tempo


Tereza Rodrigues

Chega uma hora na vida em que a gente necessita de um tempo...

Pra pensar, analisar, a vida melhor administrar

Ver o vento correr.

Até ele para “pra ver a banda passar”

Um tempo pra curtir,refletir e harmonizar

A própria vida com outros olhos mirar

Caminhar na praia e o pôr‐do‐sol admirar

Tempo de mudança, fecha‐se aqui, abre‐se lá

Novos ares e mares a conquistar

E as paredes do casulo confeccionar

Com saudades vou ficar

Mas nos veremos em breve


Quando o tempo passar.

quarta-feira, junho 12, 2013

Crônica - Dia dos namorados

“E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração”. Renato Russo


Já que estamos em clima de comemorar o dia dos namorados, nada mais natural do que criar uma matéria falando de amor, relacionamentos, casais que se amam ou mesmo que ainda não sabem o quanto são apaixonados um pelo outro simplesmente por receio de se abrir a uma nova paixão, ou até mesmo por aqueles em que o foco não é encontrar nenhuma princesa ou um príncipe encantado.

Nesses tempos modernos, as pessoas parecem que perderam um pouco o romantismo, o “conquistar” uma mulher parece algo sem necessidade, pois muitas mulheres tornaram a figura feminina vulgar, fazendo parecer tudo mais fácil, mais liberal. Mas não, nós gostamos SIM de flores, gostamos de palavras carinhosas, de cavalheirismo, romantismo e todas as coisas mais.

Infelizmente hoje em dia, o número de pessoas machucadas por conta dos relacionamentos é muito grande, o que torna difícil as mulheres ou os homens se valorizarem e acreditar que podem achar alguém para o “felizes para sempre” não digamos para sempre, mas que seja eterno enquanto dure que sejam válidos todos os momentos juntos.

Essa semana li uma história linda de um casal de jovens, onde Katie Kirkpatrick Godwin enfrentava uma fase difícil de sua vida, da qual com apenas 21 anos lutava contra o câncer pela segunda vez, seu noivo Nick Godwin de 23 anos, permaneceu ao seu lado desde sempre em seus momentos fragilidade. Apesar de toda luta nada intimidava o casal a realizar o grande sonho de se casarem.
Katie e Nick levaram a diante a ideia, mesmo que ela sentisse fortes dores recorrendo até mesmo à morfina, ela cuidou dos mínimos detalhes, sendo que seu vestido teve que ser ajustado muitas vezes pela perda de peso. Finalmente um sonho realizado quando no dia 15 de janeiro de 2005 eles subiram ao altar.
Durante a festa Katie Kirkpatrick Godwin utiliza um tubo de oxigênio pelas suas dificuldades de respirar, e assiste à homenagem que seu novo marido e seus amigos fazem.
Cinco dias após a o casamento Katie Kirkpatrick Godwin falece. E o que ela deixou como exemplo? Sua fé, força e perseverança para provar pra todo mundo que a doença era apenas um obstáculo e mesmo que a morte os separasse ela quis fazer sua história, ser feliz enquanto estava viva e Nick Godwin a fez feliz, juntos realizaram seus sonho sem deixar pra depois, agarrando a oportunidade de provarem o amor um ao outro.
Enfim nós só temos uma vida para ficarmos parados esperando que as coisas aconteçam, então, se apaixonem quantas vezes for necessário, e se machucar, doer e se iludir entenda que isso é um processo natural da vida, tenho 17 anos já chorei e sofri por namoradinhos aqui e outros ali, mas jamais me fechei a ponto de não querer conhecer mais ninguém e também nunca deixei com que eles me fizessem acreditar que viveria apenas para eles até porque eu sabia que não era e ainda não é o momento de encontrar alguém que eu vá viver pra sempre. Muito pelo contrário tenho muita história ainda pra fazer, pessoas novas pra conhecer, mesmo que no momento tenho que apenas preocupar com minha vida profissional e meu futuro como uma grande mulher. E você mulher que espera pelo seu momento para casar e criar uma família não tenha medo apenas ame, prove isso, beije, apaixone-se, seja você mesma na conquista, por que é quando agente menos espera que as coisas acontecem.
Por Alana Rolim

Lido em:
Vila Mulher

terça-feira, junho 11, 2013

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.


Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta comtriunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Ricardo Gondim

segunda-feira, junho 03, 2013

O suficiente nosso de cada dia nos dai hoje

Andando pela rua, me vieram a mente os versos da oração do Pai Nosso que assim dizem: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.  Fiquei pensando: Por que Jesus, ao nos ensinar a única oração realmente intitulada como sua nos evangelhos, escolheu o pão? Por que não o boi nosso? O rebanho nosso? A floresta nossa? Enfim, coisas mais abundantes e grandiosas e que nos levariam automaticamente a uma maior serenidade.

Grifo o automaticamente porque é hoje assim que vivemos muitas vezes, “no automático”, sem muita reflexão, sem muita indagação, apenas no afã de termos bem mais do que sermos (jargão batido) e não termos apenas o suficiente, mas o acúmulo. A era pós-moderna ou seja lá como a queiram definir sociologicamente, nos leva  à sofreguidão do acúmulo, o que torna a própria oração do “Pai Nosso” obsoleta. Só pão? Não!

Não queremos o suficiente, queremos muito mais. Queremos nossas despensas transbordando, queremos consumir seja ao custo do planeta, ao custo de nossas saúdes, de nossas famílias e o que mais vier incluso no pacote chamado “vida”.

A própria teologia arrebatadora de corações e mentes informa que sinal da “benção de Deus” é ter. Mais uma vez o consumismo tomando centralidade onde deveria haver cristocentricidade.

Reflito em muitas de minhas inquietações e de muitos companheiros de jornada e percebo que muitas delas revelam contornos da ausência do “ter”, da cobrança por às vezes não querer mas “dever-ter”. Engraçado que aprendi nas aulinhas da faculdade de Direito dobre o “dever-ser” e hoje me pego pensando em tantos quantos vivem a ansiedade do “dever-ter” e todo o caos existencial que daí advém.

Ansiedade, medo, culpa, descontrole, pânico, bipolaridade, é a humanidade sendo levada aos limites da resiliência não por condições climáticas adversas, não por guerras (não daqueles moldes que conhecíamos antigamente), mas pelo afã de consumir.

Olho para esse quadro trágico-patético do qual não me retiro e deixo as palavras do Mestre reverberarem em meu coração: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Lembro ainda do “famoso-esquecido” Salmo que diz: “O Senhor é meu Pastor e NADA me faltará”. Ele nos trará o suficiente e muitas vezes o mais do que suficiente. Por que não? Não nego a generosidade, afinal Ele é o Abba-Pai que entrega o melhor aos seus filhos.

E o melhor, não é necessariamente o mais numeroso quantitativamente. Não confundamos quantidade com qualidade.

O filho de Deus viveu como carpinteiro, nos declarou que muitas vezes não tinha onde reclinar a cabeça e ainda assim produziu a grandiosidade de ser falado e lembrado até os dias de hoje.

Que a volatilidade das riquezas, a ilusão dos bens materiais e a transitoriedade de todas as coisas possam aquietar os nossos corações, que não sejamos como os que correm atrás dos ventos, ou como o homem da parábola, que após juntar muito em seus celeiros, achou que TUDO estaria resolvido e o que ele ouviu? “Louco, esta noite te pedirão tua alma!” (Evangelho de Lucas, capítulo 12)

O que daríamos em troca de nossa alma?

Que não nos falte o suficiente para calma em nossa alma e que ao final de cada dia agradeçamos ao Pai Celeste não pelo que ainda não temos, mas pelo que já temos e que com toda a certeza é o suficiente, pois “basta a cada dia o seu próprio mal” e acrescento “o seu próprio bem também”.

Roberta Lima


sábado, maio 25, 2013

Carecemos de gigantes



E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. (2 Timóteo 2.2).


Em abril iniciamos uma série de artigos à luz da coleção sobre a História da Igreja de Daniel-Rops, da Academia Francesa de Letras. Hoje vamos falar um pouco sobre a “era” dos “Pais da Igreja”. 



Na verdade, excetuando-se a “era” apostólica, as demais sempre trazem em si mesmas traços de outros tempos. Assim, o martírio, grandes pastores e grandes teólogos, confessores da fé e etc estão presentes, graças a Deus, em quase todos os turnos desta duas vezes milenar história da Igreja de Cristo em peregrinação rumo ao Reino definitivo. 



A “era” dos “Pais da Igreja” é a que marca a penetração e a solidificação do Evangelho nas estruturas do vasto império romano e no caldeirão cultural do oriente médio. Este período se inicia no apagar das luzes do século primeiro com Policarpo de Esmirna e se encerra com a morte de João Damasceno em meados do 7º século da era cristã, a grosso modo. Alguns critérios são necessários para que alguém seja arrolado como um “Pai da Igreja”: 



1. Antiguidade: como já vimos, são homens e mulheres que militaram na igreja até o século VII. 



2. Santidade de vida: Permaneceram na Igreja em meio a perseguições, debates calorosos, insurgência de perniciosas heresias e de muitas outras adversidades, mas conservaram sua alma em estado de progressiva santificação, servindo suas vidas de exemplo a serem imitados no seguimento do Cordeiro. 



3. Ortodoxia: permaneceram fiéis à sã doutrina, apegados ao ensinamento bíblico, combateram e rejeitaram as heresias. Eram amantes e defensores do Evangelho puro e simples e pela pureza de usos e costumes na vida e disciplina da Igreja.



4. Obras: seus escritos, seus sermões, sua teologia e organização litúrgica e eclesiástica, bem como o padrão credal exposto e ensinado em forma de catequeses, são documentos comprobatórios de que foram relevantes para o “tradicionamento”, isto é, a transmissão da fé, bem como o seu desenvolvimento dogmático, sistemático e a colocação de marcos regulatórios, que conservaram a genuinidade da fé cristã frente aos erros e as confusões dos inimigos do Cristianismo. 



Mormente estes homens (e não poucas mulheres) lidaram com as mais perniciosas heresias: Docetismo, Modalismo, Patripassionismo, Arianismo, Gnosticismo, Pelagianismo, Monofisismo e etc (apenas para citar as mais conhecidas). Estas heresias eram erros e mentiras grosseiras contra o ser e o caráter de Deus e de seu Filho. Ora propunham que o Cristianismo era uma religião de aparências e sem consistência histórica. Ora negavam a divindade ou a humanidade de Cristo. Ora negavam a realidade do pecado ou a necessidade da graça e do sacrifício de Cristo. Estas heresias trouxeram grandes dissabores e até sanguinolentas guerras para dentro da igreja. Perseguições, penas capitais, desterros, famílias dilaceradas, e claro, muitos que apostaram de modo definitivo pondo a perder também de maneira definitiva a sua alma no inferno. 



Em sua grande maioria estes “Pais da Igreja” (Policarpo, Inácio, Irineu, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, João Crisóstomo, Cipriano, Ambrósio, Agostinho, Hilário de Poiters, Cesário de Arles, Cirilo de Alexandria, Clemente Romano e tantos outros) eram iminentíssimos pastores à frente de venerandas igrejas: Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Constantinopla, Milão e toda a África Proconsular Romana, como Cartago e Hipona. Viviam o dia a dia de seus filhos espirituais e conheciam as suas lutas. Eram homens de profunda erudição, de oração e contemplação. Com fantástica capacidade para a reflexão, escrita, pregação e ensino. Não viviam o divórcio entre Teologia e Púlpito tão inconvenientemente presente em nossos dias. Eram homens profundos. Apesar de militarem nas alturas da fé cristã, como homens de igreja que eram, resolviam as questões mais pertinentes e centrais para a paz e a harmonia da igreja pelo método conciliar. É assim que assistimos os monumentais Concílios da Antiguidade: Niceia: 20/05 a 25/06 de 325; Constantinopla: maio a junho de 381; Éfeso: 22/06 a 17/07 de 431; Calcedônia: 08/10 a 01/11 de 451; Constantinopla II: 05/05 a 02/06 de 553; Constantinopla III: 07/11 de 680 a 16/09 de 681 e, finalmente, no ocaso desta grande era: Niceia II: 24/09 a 23/10 de 787. 



Que coisas podemos aprender desta gloriosa “era” da Igreja? Voltemos todos ao amor e ao zelo pela beleza da sã doutrina, sempre apegados às Escrituras. Rejeitemos todo modismo doutrinal, litúrgico e moral quando não em conformidade com o que a Bíblia ensina ou quando dela podemos inferir com segurança. Amemos a Igreja e sejamos zelosos por sua pureza na vida, nos costumes na adoração. Oremos para que Deus envie novamente “gigantes” sobre a terra devastada da Igreja que nos guiem pelos caminhos da verdade e da paz.


__________
Rev. Luiz Fernando dos Santos é o pastor-mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP). 

Lido em: Ultimato on line

sexta-feira, março 08, 2013

Porque nem toda mulher nasceu com o sobrenome Hilton!


Ao contrário do que muitos pensam o que nos faz belas está muito além da superficialidade dos produtos de beleza ou adereços que nos enfeitam. Beleza é uma qualidade acima de tudo intrínseca ao nosso ser, algo que transborda no brilho dos olhos, na veracidade do sorriso e em boas atitudes. Essa qualidade deveria ser comum a todos os seres humanos, mas, cada vez mais difícil de ser encontrada. Pessoas assim são lindas e raras.
Em um mundo onde há pessoas que gastam fortunas cuidando apenas de sua aparência, ainda podemos ser belas, mesmo não dispondo de tanta grana. Nós, mulheres reais, que acordamos muito cedo, trabalhamos o dia inteiro, vamos pra faculdade, nos descabelamos por ‘sobrar mês no fim do salário’, sabemos que a beleza, acima de tudo, está na sabedoria adquirida ao longo da vida.
Sabedoria que vem dos livros que lemos, das músicas que ouvimos, e tudo mais que alimenta a nossa essência e nos dá uma pitada generosa de charme e capacidade de discernir o que nos é essencial a alma.
Não estou criticando as mulheres que têm condições de investir em tratamentos caros, no melhor shampoo, creme, sapatos e maquiagem do momento. Não critico mulheres que possuem tudo isso e ainda sabem que a beleza superior é a que vem da alma. Critico aquelas que trocam um bom coração e alma linda por um casaco de pele de animal em extinção e que “se dane o mundo”!
Toda mulher, independentemente do estilo, deve valorizar e procurar preservar como possível sua aparência, deve ter zelo e acreditar em sua beleza exterior. Mesmo que pra maioria não sobre dinheiro pra investir nisso, pois priorizam coisas essenciais como ajudar a pagar as contas da casa e estudos. Apesar disso, com pequenos truques passados de geração em geração podemos realçar nossa feminilidade e beleza sem gastar muito. Este cuidado constante faz parte do universo de toda mulher. Não há como fugir! Mas, armadilhas que nos fazem gastar além do que temos estão por toda parte, e quando nos pegam, pode causar transtornos que vão muito além de um rombo na conta bancária. Podem abrir um caminho sem volta para o descontrole financeiro e emocional. Com alguns cuidados e muita fé, é possível driblar a famigerada falta de grana.
Às vezes, com produtos que temos em casa, outras vezes com produtos mais em conta alcançamos efeitos tão bons quanto aos daqueles produtos "carézimos" apenas usados por celebridades e mulheres ricas.
Hoje em dia é fácil encontrar dicas que valem a pena. Eu costumo pesquisar em vários blogs que cumprem o papel de testar receitas e produtos, e nos dar sinal verde ou vermelho em relação a cada coisa.
Pode ser para os cabelos, para a pele, lábios, mãos, pés. Encontramos de tudo. Com o devido cuidado, conseguimos filtrar dicas maravilhosas para o nosso consumo organizado e fiel ao nosso curto orçamento.
Afinal, autoestima é fundamental!
Contudo, como disse sabiamente a educadora (minha amiga <3) Gilmara Pessoa "Gente, cuidemos da aparência, mas principalmente do espírito, do intelecto e do coração. O que realmente importa está dentro." 
Portanto, queridas mulheres, que a cada dia a gente saiba valorizar mais e mais nossa coragem de enfrentar um mundo de preconceitos e rótulos vazios.
Jamais esqueçam que bonito mesmo é ser você!
Nina Salvatore
Só desfrutando do SEU amor sinto que realmente vivo, Deus! 


quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Murar o medo




 O medo foi um dos meus primeiros mestres.

Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios  Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos.

Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade.

Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

Mia Couto